Fernanda Antunes, esposa do senador Flávio Bolsonaro, é citada em investigações sobre supostos desdobramentos do caso das rachadinhas e em apuração da Polícia Federal sobre um pedido de asilo político em nome de Jair Bolsonaro. O tema voltou a ganhar atenção após a divulgação de uma peça publicitária em que Fernanda afirma ter “reeducado” o marido. De acordo com informações do DCM, ela foi mencionada tanto em relatório da PF quanto em denúncias apresentadas pelo Ministério Público do Rio de Janeiro.
O texto original relaciona a exposição pública recente de Fernanda à tentativa de reforçar uma imagem mais moderada de Flávio Bolsonaro. Ao mesmo tempo, recupera episódios em que ela aparece em investigações já conhecidas, envolvendo movimentações financeiras, transações imobiliárias e a compra de uma franquia da Kopenhagen. Em parte desses casos, há registros de negação das acusações pelos citados.
Quem é Fernanda Antunes e por que ela aparece nas apurações?
Dentista especializada em ortodontia e ortopedia facial, Fernanda é casada com Flávio Bolsonaro desde 2010, e o casal tem duas filhas. Segundo o artigo, um relatório da Polícia Federal a apontou como autora e última editora de um arquivo sem data e sem assinatura em que é solicitado asilo político, em caráter de urgência, para Jair Bolsonaro ao presidente da Argentina, Javier Milei.
De acordo com a PF, o documento foi encontrado no celular de Jair Bolsonaro dois dias depois de ele entregar o passaporte à Justiça. Ainda segundo o relatório citado no texto, os metadados do arquivo, de 33 páginas, indicariam que ele foi criado por um usuário identificado como “Fernanda Bolsonaro”, apontada também como última autora do material. A interpretação dos investigadores, conforme o artigo, é que o conteúdo indicaria planejamento para deixar o país e evitar a aplicação da lei penal.
O que foi apontado no caso das rachadinhas e nas suspeitas patrimoniais?
O Ministério Público do Rio de Janeiro denunciou Fernanda, Flávio Bolsonaro e outros envolvidos por crimes como organização criminosa, peculato, lavagem de dinheiro e apropriação indébita no esquema das chamadas rachadinhas na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Segundo o MP, Fernanda teria omitido R$ 350 mil em gastos na compra de uma loja da rede Kopenhagen, adquirida em parceria com Alexandre Santini. O texto informa que ambos negaram as acusações.
A reportagem também afirma que o MP sustentou que Flávio Bolsonaro e Fernanda Antunes Figueira Bolsonaro teriam usado dois apartamentos em Copacabana em operação suspeita de lavagem de dinheiro. Os imóveis, segundo o artigo, foram comprados em 27 de novembro de 2012. O texto acrescenta que um cidadão dos Estados Unidos ligado à propriedade afirmou, em depoimento, não ter autorizado a transação.
Em 2021, a Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça anulou as provas do caso, ao acolher recurso da defesa de Flávio Bolsonaro com base no entendimento de que ele tinha foro privilegiado. No ano seguinte, segundo o artigo, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro aceitou pedido do Ministério Público e rejeitou a denúncia oferecida.
Quais movimentações financeiras foram mencionadas no texto?
O artigo afirma que depósitos feitos na conta de Fernanda por Fabrício Queiroz, apontado como operador do esquema, também levantaram suspeitas. Além disso, ela foi associada, segundo a publicação, a transações imobiliárias consideradas suspeitas, incluindo compras em Copacabana e a aquisição de uma mansão de R$ 6 milhões, com prestações que teriam sido vistas como incompatíveis com a renda declarada.
Outro ponto citado envolve o policial militar Diego Sodré Ambrósio. Em 2019, o MP-RJ indicou que ele teria pago boletos em nome de Fernanda Bolsonaro. Um dos pagamentos mencionados no texto foi de R$ 16.564,81. O artigo também relata que Sodré realizou transferências para outros assessores da Alerj e depósitos na conta da loja Kopenhagen da qual Flávio seria sócio.
- Relatório da PF sobre arquivo de pedido de asilo político
- Denúncia do MP-RJ no caso das rachadinhas
- Suspeitas sobre compra de imóveis em Copacabana
- Pagamentos e transferências atribuídos ao policial Diego Sodré Ambrósio
O que disse o policial citado na reportagem?
Segundo o texto, Diego Sodré Ambrósio afirmou em entrevista ao UOL que pagou um boleto para Flávio Bolsonaro e que foi ressarcido em dinheiro vivo no dia seguinte. A movimentação, de acordo com promotores citados pelo artigo, poderia ter sido usada para lavar recursos de origem ilícita.
“Eu paguei o boleto para um amigo de dez anos, quando estávamos em uma confraternização, para ele não ir ao banco. Ele me ressarciu no outro dia. O valor é subjetivo, né? Para quem ganha R$ 1.000 é muita coisa. Para quem ganha R$ 20 mil ou R$ 30 mil, pagar R$ 15 mil não é muita coisa”, declarou.
A publicação também informa que a empresa Santa Clara Serviços, fundada pelo policial, foi alvo de investigação da corregedoria interna da PM após reportagens sobre suposto assédio a moradores de Copacabana para contratação de segurança privada. Posteriormente, ainda segundo o artigo, Sodré foi nomeado assessor da Comissão do Servidor Público da Alerj, presidida pelo deputado estadual Bruno Dauaire.
Com isso, o texto reúne episódios distintos em que Fernanda Antunes aparece citada por órgãos de investigação e pelo Ministério Público, em contextos que envolvem suspeitas financeiras, negócios privados e o entorno político da família Bolsonaro. Nos trechos em que há imputações, as informações permanecem no campo de investigações, denúncias ou suspeitas relatadas pela fonte.