As feiras agrícolas realizadas em diferentes regiões do Brasil apresentaram resultados mais contidos em 2026, com queda nas intenções de compra e retração no volume de negócios em parte dos eventos, especialmente nos segmentos de máquinas e implementos agrícolas. O movimento ocorre em meio ao cenário econômico que afeta o setor, segundo balanços da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq). De acordo com informações do Valor Econômico, a entidade já anunciou previsão de queda de 8% no faturamento em 2026 na comparação com 2025.
Tradicionalmente tratadas como vitrines de inovação para o campo, essas feiras seguem relevantes para o agronegócio, mas os números iniciais do ano indicam um ambiente de negócios mais cauteloso. Em alguns casos, houve recorde nominal de negócios, mas com redução nas intenções de compra ou ausência de divulgação detalhada dos resultados, o que reforça a percepção de moderação no desempenho.
Quais feiras já divulgaram resultados em 2026?
No Show Rural Coopavel, realizado em Cascavel, no Paraná, entre 9 e 13 de fevereiro, foram gerados R$ 7,5 bilhões em negócios. Apesar do recorde informado pela feira, a Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas da Abimaq divulgou queda de 15% nas intenções de compras em relação à edição anterior.
Na Expodireto Cotrijal, promovida de 9 a 13 de março em Não-Me-Toque, no Rio Grande do Sul, o ambiente de negócios foi descrito pela organização como mais cauteloso. A feira deixou de divulgar o volume de negócios gerados desde o ano passado. Em 2024, a soma havia sido de R$ 7,9 bilhões.
Já a TecnoShow Comigo, realizada entre 6 e 10 de abril em Rio Verde, Goiás, registrou queda de 30% no volume de negócios na comparação com a edição anterior. A organização do evento não detalhou os números. Em Londrina, no Paraná, empresas de máquinas e equipamentos presentes na exposição entre 10 e 19 de abril também relataram movimento menos expressivo neste ano, embora ainda esperem fechar novos negócios nas semanas seguintes.
O que explica o desempenho mais contido das feiras?
O texto aponta que o cenário econômico tem afetado diretamente as vendas de setores ligados ao agronegócio, em especial o de máquinas e implementos. Os balanços divulgados pela Abimaq servem como referência para esse movimento e embasam a projeção de retração no faturamento da indústria em 2026.
- queda nas intenções de compra em parte dos eventos;
- redução no volume de negócios em algumas feiras;
- impacto mais forte sobre máquinas e implementos agrícolas;
- ambiente de negócios descrito como mais cauteloso.
Mesmo com esse cenário, o calendário de feiras segue concentrando eventos de grande porte e com peso regional e nacional. A diferença, até aqui, é que os resultados têm sido mais moderados do que em anos anteriores, e algumas organizações ainda não divulgaram expectativas para os próximos encontros do setor.
Quais são os próximos eventos do calendário agro?
Entre as feiras previstas para o período pós-Agrishow, a AgroBrasília será realizada de 19 a 23 de maio. No ano passado, o evento movimentou R$ 5,1 bilhões. Já a Agroleite, marcada para 3 a 7 de agosto em Castro, no Paraná, e promovida pela Cooperativa Castrolanda com foco em tecnologia para a pecuária leiteira, registrou quase R$ 1 bilhão na última edição, alta de 86% em relação a 2024.
Outro destaque do calendário é a Fenasucro e Agrocana, prevista para os dias 11 a 14 de agosto em Sertãozinho, São Paulo. No ano passado, a feira recebeu visitantes de 60 países e movimentou R$ 13,7 bilhões.
A Expointer, uma das maiores do país, será realizada de 29 de agosto a 6 de setembro em Esteio, no Rio Grande do Sul. Em 2025, o evento movimentou R$ 4,4 bilhões, queda de 45,5% ante os R$ 8,1 bilhões registrados em 2024. Segundo os dados citados, o segmento de máquinas e implementos agrícolas foi o mais afetado, com redução de 49% nas negociações, enquanto o público superou 1 milhão de visitantes.
Com parte relevante do calendário ainda por acontecer, o setor aguarda os próximos resultados para medir se a moderação observada até agora será uma tendência consolidada ao longo de 2026.