O ex-deputado federal Uldurico Alencar Pinto, conhecido como Uldurico Junior, foi preso preventivamente na quinta-feira, 16 de abril de 2026, durante a Operação Duas Rosas, deflagrada pelo Ministério Público da Bahia. A investigação apura a suspeita de que ele tenha articulado com uma organização criminosa a fuga de 16 presos do Conjunto Penal de Eunápolis, no sul da Bahia, em dezembro de 2024. De acordo com informações do Poder360, a apuração aponta negociações para viabilizar a evasão dos detentos.
Segundo o Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas, o ex-parlamentar é investigado por suspeita de ter atuado junto à facção para facilitar a fuga. Entre os presos que escaparam estaria Ednaldo Pereira de Souza, conhecido como Dadá, apontado pelas autoridades como liderança do PCE, grupo com vínculos ao Comando Vermelho.
O que a investigação atribui ao ex-deputado?
De acordo com nota do Ministério Público da Bahia, as investigações indicaram negociações entre Uldurico Junior e a organização criminosa. A suspeita é de que ele receberia R$ 2 milhões para facilitar a fuga no presídio de Eunápolis.
O Ministério Público também afirmou que a fuga não teria ocorrido de forma isolada. Para os investigadores, o episódio estaria inserido em uma articulação criminosa estruturada, com participação de integrantes do PCE e uso de influência política e institucional.
“As investigações apontam que a fuga dos internos não teria ocorrido de forma isolada ou fortuita, mas estaria inserida em um contexto de articulação criminosa estruturada, envolvendo integrantes da organização criminosa PCE, e o ex-deputado federal, com a utilização de influência política e institucional”.
Quem mais foi alvo da Operação Duas Rosas?
A operação cumpriu mandados de busca e apreensão em cinco cidades baianas:
- Salvador
- Camaçari
- Teixeira de Freitas
- Eunápolis
- Porto Seguro
Entre os alvos das medidas judiciais estão também um ex-vereador de Eunápolis e um advogado. Os mandados foram expedidos pela 1ª Vara Criminal de Eunápolis.
Por que a ação recebeu o nome de Duas Rosas?
Segundo o Ministério Público baiano, o nome da operação faz referência ao valor estimado da vantagem indevida investigada. Nas apurações, a palavra “rosa” teria sido usada de forma codificada para se referir a dinheiro.
De acordo com a nota divulgada pelas autoridades, a expressão aparecia em diálogos e tratativas com termos como “as rosas”, “quando as rosas vão chorar” e “choram as rosas”, em alusão ao pagamento dos valores negociados.
O que foi informado sobre um dos fugitivos?
O texto do Ministério Público citado pela reportagem afirma que Ednaldo Pereira de Souza, o Dadá, estaria atualmente no Rio de Janeiro. Segundo a investigação, ele continuaria comandando ações criminosas na região de Eunápolis mesmo fora da Bahia.
“Dadá se encontra atualmente no Rio de Janeiro, de onde continua comandando ações criminosas na região de Eunápolis”.
Até a publicação da reportagem original, o Poder360 informou que não havia conseguido contato com a defesa de Uldurico Junior para apresentar manifestação sobre o conteúdo da investigação. O caso segue sob apuração das autoridades baianas.