A Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), por intermédio da Coordenação Estadual de Políticas para o Autismo (Cepa), promoveu no sábado, 18 de abril, a edição do projeto TEAlentos no Complexo Porto Futuro, em Belém. A iniciativa integra o calendário do Abril Azul, voltado à conscientização sobre o transtorno do espectro autista (TEA), e reuniu músicos, dançarinos e artistas plásticos neurodivergentes. O objetivo central da ação é combater o capacitismo e oferecer visibilidade às habilidades individuais de pessoas atípicas, fomentando a inclusão social e o exercício da cidadania em espaços públicos de grande circulação.
De acordo com informações da Agência Pará, as apresentações culturais marcam a retomada de ações governamentais focadas na valorização do indivíduo no espectro autista. Segundo Flávia Marçal, coordenadora da Cepa, o evento proporciona um palco para que os artistas contribuam para a sociedade ao demonstrarem sensibilidade e competência técnica. Marçal ressalta que cada aplauso recebido representa uma vitória coletiva contra o preconceito, reforçando a importância de políticas públicas que estimulem a autonomia e a independência de crianças, jovens e adultos neurodivergentes de todo o estado.
Qual o objetivo do projeto TEAlentos no Pará?
O projeto busca celebrar o talento de pessoas no espectro autista, proporcionando um ambiente de socialização e protagonismo efetivo. No evento realizado no Complexo Porto Futuro, diversas formas de expressão artística foram contempladas, desde a dança urbana até a pintura em tela e o artesanato. Para as famílias, a iniciativa funciona como um marco de desenvolvimento e superação. Gracimar Araújo, mãe dos jovens Rycardo e Yan, de 11 e nove anos, respectivamente, acompanhou a apresentação de hip-hop dos filhos com emoção. Ela destacou que o suporte oferecido pela Cepa tem sido fundamental para o desenvolvimento motor e social dos filhos, que se encontram em diferentes níveis de suporte do espectro.
Como a arte contribui para a inclusão de pessoas autistas?
A arte atua como uma ferramenta de regulação emocional e expressão para muitos indivíduos neurodivergentes. O artista plástico Clayton Faber, natural de Limeira (SP) e residente no Pará há 17 anos, utiliza suas obras para retratar elementos da cultura regional, como o Círio de Nazaré e a vida dos ribeirinhos. Faber relata que a produção artística auxilia na concentração e funciona como um canal para trazer o indivíduo a um nível de foco superior. Além disso, ele afirma que o trabalho produtivo de pessoas autistas demonstra ao mundo a beleza de processos cognitivos diferentes, combatendo o estigma de que indivíduos no espectro não poderiam ser úteis ou produzir beleza.
O que é a feira do empreendedorismo inclusivo?
Paralelamente às apresentações artísticas, o Complexo Porto Futuro sediou uma edição da feira de empreendedorismo inclusivo. O espaço é organizado mensalmente pela Cepa para oportunizar trabalho e renda para pessoas neurodivergentes e seus cuidadores, como mães e pais de crianças atípicas. No local, foram comercializados itens como materiais educativos, artesanato e brinquedos de regulação sensorial voltados especificamente para a população neurodivergente. A nutricionista Cláudia Pires participou do evento pela primeira vez, apresentando a marca Biscoitoso, focada em produtos sem glúten e sem lactose. A iniciativa surgiu da necessidade de trabalhar em casa para cuidar do filho Rafael, de nove anos, também autista, e da demanda por alimentos funcionais específicos.
A feira contou com a participação de dez empreendedores e estendeu sua programação até o domingo, 19 de abril. As atividades, realizadas entre 16h e 21h, reforçam a diretriz estadual de criar redes de apoio econômico para famílias atípicas que buscam independência financeira. Além dos alimentos e produtos educativos, o crochê também foi destaque como técnica de terapia ocupacional e complemento de renda familiar. O evento reafirma o compromisso do estado com a promoção de direitos e a criação de oportunidades reais de mercado para um público que frequentemente enfrenta barreiras no mercado de trabalho convencional.
- Valorização de talentos musicais, de dança e artes plásticas de artistas neurodivergentes.
- Fomento ao empreendedorismo para pais, mães e cuidadores de pessoas atípicas.
- Conscientização sobre o autismo durante a campanha mundial Abril Azul.
- Promoção de autonomia e independência para crianças e jovens através da arte.
A arte ajuda a mostrar para o mundo que a gente pode fazer, a gente pode produzir, a gente pode ser útil e mostrar a beleza de pensar diferente