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Etanol sobe com a gasolina por demanda cruzada no mercado de combustíveis

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Mãos abastecendo um carro em uma bomba de combustível de posto, destacando o bico da mangueira inserido no veículo.
Foto: Autor / Flickr (CC BY)

O etanol também sobe de preço quando a gasolina fica mais cara porque consumidores migram de um combustível para o outro, elevando a procura pelo biocombustível. Segundo o texto publicado nesta terça-feira, 24 de março de 2026, o movimento ocorre no Brasil em meio aos efeitos da guerra entre Irã, Israel e Estados Unidos sobre o mercado global de energia, com impacto sobre os preços em postos de combustíveis. De acordo com informações do Canaltech, o fechamento do Estreito de Ormuz comprometeu parte do escoamento mundial de petróleo e pressionou o valor do barril.

Na reportagem original, o efeito já aparece em estados brasileiros. Em Belo Horizonte, por exemplo, a gasolina teve aumento médio de R$ 0,57 por litro, e o etanol acompanhou essa alta, embora sua produção não dependa diretamente da extração de petróleo. A explicação apresentada por especialistas é que crises geopolíticas ampliam pressões inflacionárias e expõem a dependência energética global.

Por que o etanol sobe junto com a gasolina?

De acordo com o economista Mauro Rochlin, da Fundação Getulio Vargas, o principal fator é a chamada demanda cruzada. Quando a gasolina encarece, parte dos motoristas passa a optar pelo etanol, que funciona como substituto direto em veículos flex. Esse deslocamento de consumo aumenta a procura pelo biocombustível e, pela lógica de oferta e demanda, tende a elevar também o seu preço.

“Com o aumento da demanda por etanol, pela lei da oferta e da demanda, o preço também sobe. É isso, simples assim! Além disso, os carros podem usar tanto etanol quanto gasolina, ou até uma mistura dos dois, o que facilita essa migração de consumo”

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A possibilidade de alternância entre gasolina e etanol ajuda a explicar por que a alta de um produto pode contaminar rapidamente o outro. Na prática, o consumidor busca a opção mais vantajosa no momento, e essa troca de preferência pressiona os preços nas bombas, sobretudo em períodos de instabilidade internacional. No Brasil, essa dinâmica é reforçada pela ampla presença de veículos flex na frota, o que facilita a substituição entre os dois combustíveis.

Qual é a relação entre a crise internacional e os combustíveis no Brasil?

A reportagem relaciona o aumento dos combustíveis ao agravamento da guerra no Oriente Médio e ao fechamento do Estreito de Ormuz, descrito no texto como a principal rota de travessia de petróleo do mundo. Com menos fluidez no escoamento global do óleo, o barril sobe e isso afeta o custo da gasolina, que é derivada do petróleo.

Mesmo sem depender diretamente do petróleo, o etanol entra nesse mesmo ciclo por causa do comportamento do consumidor e da estrutura do mercado de combustíveis. Assim, a crise externa não atinge apenas o derivado fóssil, mas também o preço do combustível renovável vendido no país.

Como a ANP acompanha os preços do etanol e da gasolina?

Segundo o texto, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis monitora o repasse desses custos. A ANP é o órgão federal responsável por regular e fiscalizar os mercados de combustíveis e biocombustíveis no país. A referência mencionada na reportagem é que a média de preços do etanol no Brasil equivale a 70% do valor da gasolina. Com essa proporção, se a gasolina chega a R$ 7 por litro, o etanol tende a ficar próximo de R$ 4,90.

  • Gasolina mais cara pode levar consumidores ao etanol;
  • Maior procura pelo etanol pressiona os preços;
  • Veículos flex facilitam a migração entre combustíveis;
  • A ANP acompanha o repasse dos custos ao consumidor.

O cenário descrito pela publicação indica que a alta do etanol, portanto, não decorre de uma ligação direta com a extração de petróleo, mas da relação entre produtos substitutos no mercado. Em momentos de tensão internacional, esse mecanismo fica mais visível e pesa no orçamento de motoristas que abastecem com qualquer uma das duas opções.

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