Um estudo recente publicado na revista Nature revelou que entre 6500 e 4000 a.C., descendentes de agricultores da Anatólia ocidental se misturaram com caçadores-coletores locais em toda a Europa, resultando em uma substituição de ancestralidade de 70 a 100% na maioria das regiões. No entanto, uma exceção notável foi identificada nas zonas úmidas, ribeirinhas e costeiras do noroeste da Europa, onde a ancestralidade caçadora-coletora persistiu por milhares de anos a mais do que em outras partes do continente.
Por que a ancestralidade caçadora-coletora persistiu?
De acordo com o estudo intitulado “Lasting Lower Rhine–Meuse forager ancestry shaped Bell Beaker expansion”, os primeiros agricultores se espalharam pela Europa principalmente por duas rotas: através da Trácia e dos Bálcãs para a Europa Central, e ao longo da costa mediterrânea. À medida que expandiam, esses grupos agrícolas gradualmente se misturaram com caçadores-coletores ocidentais, formando o que os pesquisadores descrevem como os primeiros agricultores europeus.
Qual foi a exceção encontrada no estudo?
A pesquisa destaca uma exceção notável nas zonas úmidas, ribeirinhas e costeiras da região do Baixo Reno-Mosa, que abrange a atual Holanda, Bélgica e oeste da Alemanha. Nesta paisagem rica em água, uma população com cerca de 50% de ancestralidade caçadora-coletora persistiu por cerca de 3.000 anos a mais do que no restante da Europa, sobrevivendo até o período Bell Beaker por volta de 2500 a.C.
Quais fatores contribuíram para essa persistência?
Os pesquisadores afirmam que essa sobrevivência prolongada ocorreu porque mulheres de grupos agrícolas relacionados à Anatólia se juntaram a comunidades locais de caçadores-coletores, em vez do contrário. Os abundantes recursos selvagens da região e as condições inadequadas para a agricultura intensiva precoce permitiram que os estilos de vida e as linhagens genéticas dos caçadores-coletores perdurassem por muito mais tempo do que em outras partes do continente.
Em essência, o estudo mostra que, enquanto os agricultores da Anatólia ocidental se tornaram uma fonte central de ancestralidade europeia por meio de uma mistura gradual, as zonas úmidas do noroeste da Europa permaneceram um refúgio de longo prazo para populações de caçadores-coletores devido ao fluxo genético limitado e à adoção cultural seletiva.