O engenheiro agrônomo Wagner Pires emitiu um alerta para os pecuaristas brasileiros sobre a necessidade crítica de planejamento diante da aproximação da entressafra. De acordo com informações do Canal Rural, falhas no manejo das gramíneas e na nutrição do rebanho durante este período podem gerar prejuízos financeiros significativos. A transição para o período seco exige que o produtor rural adote estratégias técnicas para manter a oferta de forragem e a condição corporal dos animais, evitando que a escassez de recursos naturais comprometa a rentabilidade da operação pecuária.
Quais são os principais desafios da entressafra para o pecuarista?
A entressafra é caracterizada pela redução drástica na pluviosidade e na luminosidade, fatores que impactam diretamente o crescimento das pastagens. Nesse cenário, as gramíneas perdem valor nutricional, tornando-se mais fibrosas e menos proteicas. Sem um planejamento prévio, o gado tende a perder peso, o que prolonga o ciclo de produção e eleva os custos operacionais. A gestão eficiente do estoque de pasto, feita ainda no final do período das águas, é a principal ferramenta para mitigar esses efeitos climáticos adversos.
Segundo o especialista, o erro mais comum é a falta de ajuste na taxa de lotação. Quando o número de animais por hectare é superior à capacidade de suporte do pasto degradado, o solo fica exposto, favorecendo a erosão e dificultando a recuperação da pastagem no ciclo seguinte. Portanto, a análise técnica da disponibilidade de massa seca é o primeiro passo para determinar se haverá necessidade de suplementação ou de venda estratégica de parte do plantel.
Como o manejo das gramíneas influencia o resultado financeiro?
O manejo correto das pastagens deve ser encarado como a gestão de uma cultura agrícola. O uso de fertilizantes e corretivos de solo, quando realizado no momento adequado, permite que a planta acumule reservas para sobreviver ao período de estresse hídrico. Wagner Pires destaca que a nutrição das plantas é o alicerce para a nutrição animal. Pastos bem manejados garantem um “diferimento”, que é o ato de reservar áreas de pastagem no final das águas para serem utilizadas durante a seca.
Para garantir a sustentabilidade econômica, o produtor deve observar os seguintes pontos principais:
- Realização de análise de solo para identificar deficiências minerais;
- Ajuste da altura de entrada e saída do gado nos piquetes;
- Planejamento do estoque de forragem para os meses críticos;
- Manutenção de cercas e bebedouros para evitar desperdício de energia dos animais.
Quais estratégias de suplementação devem ser adotadas no período seco?
Quando a qualidade do pasto cai, a suplementação mineral e proteica torna-se indispensável. O objetivo é fornecer aos microrganismos do rúmen os nutrientes necessários para que o animal consiga digerir a fibra seca da pastagem. Sem esse aporte, o tempo de permanência do gado no pasto aumenta e a eficiência alimentar despenca. O investimento em suplementos deve ser calculado com base no ganho de peso esperado, garantindo que o custo do insumo seja inferior ao valor da arroba produzida.
Além da nutrição direta, o pecuarista precisa estar atento à sanidade do rebanho. Animais sob estresse nutricional ficam mais suscetíveis a doenças e parasitoses. O controle rigoroso de endo e ectoparasitas durante a entressafra ajuda a garantir que os nutrientes fornecidos via dieta sejam integralmente convertidos em carne ou leite, otimizando cada real investido no manejo.
Qual a importância do planejamento antecipado na pecuária de corte?
O sucesso na pecuária moderna depende da capacidade do gestor em se antecipar aos ciclos da natureza. O planejamento para a entressafra não deve começar quando o capim já está seco, mas sim meses antes, durante o auge do período chuvoso. A definição de metas claras e o acompanhamento constante dos indicadores de desempenho permitem ajustes rápidos em caso de veranicos ou mudanças bruscas no mercado de insumos.
Em resumo, a entressafra não deve ser vista apenas como um período de dificuldades, mas como uma oportunidade de demonstrar eficiência técnica. O produtor que investe em conhecimento e tecnologia consegue manter a produtividade estável ao longo de todo o ano, consolidando sua posição em um mercado cada vez mais competitivo e exigente quanto à sustentabilidade e qualidade do produto final.