O Brasil registrou 1.149 mortes em conflitos no campo entre 1996 e 2025, segundo dados da Comissão Pastoral da Terra. O levantamento foi divulgado nesta sexta-feira, 17 de abril de 2026, e recupera uma série histórica iniciada no ano do massacre de Eldorado do Carajás, no Pará. De acordo com informações do Poder360, com base em dados da CPT divulgados pela Folha de S.Paulo, a média no período foi de uma morte a cada dez dias.
O marco histórico citado no levantamento é o dia 17 de abril de 1996, quando policiais militares mataram 19 trabalhadores sem-terra em Eldorado do Carajás, no Pará. O grupo pedia o assentamento de uma fazenda e foi abordado enquanto marchava por uma rodovia. Dezenas de pessoas ficaram feridas, e outras duas morreram depois em decorrência dos ferimentos.
Quais anos concentraram mais mortes em conflitos agrários?
Segundo a CPT, 1996 terminou com 60 mortes em conflitos agrários no país. Já o ano com maior número de ocorrências desse tipo foi 2017, com 74 registros. O balanço mostra que a violência no campo atravessou diferentes períodos e permaneceu presente ao longo das últimas décadas.
O material também informa que o número de conflitos no campo supera a marca de 2.000 desde 2020. O dado indica a continuidade das disputas agrárias no país, ainda que o texto original não detalhe, nesse recorte, a distribuição regional ou os tipos de conflito contabilizados.
Por que 17 de abril é uma data simbólica nesse debate?
A data remete ao massacre de Eldorado do Carajás, episódio que se tornou uma referência histórica nas discussões sobre reforma agrária e violência rural. Um ano depois da ação policial, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra realizou uma marcha nacional até Brasília.
Em artigo de opinião publicado nesta sexta-feira no Poder360, o economista e militante do MST João Pedro Stedile relembrou a mobilização feita em 1997.
“Caminhamos 1.500 km para ir a Brasília exigir justiça e reforma agrária. Na chegada, em 17 de abril de 1997, a cidade parou e fomos recebidos por mais de 100 mil pessoas com ato público em frente ao Congresso”.
Como João Pedro Stedile descreve o cenário atual no campo?
No artigo citado, Stedile afirma que a disputa por terra e recursos naturais segue presente. Ele relaciona o cenário atual à concentração fundiária e ao avanço do agronegócio em determinadas áreas.
“Depois de 3 décadas, seguimos a luta, uma vez que a concentração da propriedade da terra continua cada vez maior, com adoção do modelo do agronegócio”.
“Atualmente, os conflitos estão mais presentes na fronteira agrícola, onde o capital predador se apodera dos bens da natureza e enfrenta a resistência dos povos indígenas, quilombolas e ribeirinhos”.
Os dados destacados no levantamento e as declarações reproduzidas no texto recolocam em evidência um tema recorrente no país: a persistência da violência em disputas agrárias e os efeitos desses conflitos sobre trabalhadores rurais e comunidades tradicionais.
Quais são os principais dados citados no levantamento?
- 1.149 pessoas mortas em conflitos no campo entre 1996 e 2025;
- média de uma morte a cada dez dias no período;
- 60 mortes registradas em 1996;
- 74 mortes em 2017, o maior número da série mencionada;
- mais de 2.000 conflitos no campo desde 2020.
O texto original associa o início da série histórica ao massacre de Eldorado do Carajás e destaca que o tema continua mobilizando organizações ligadas à reforma agrária e aos direitos no campo. O levantamento da CPT é apresentado como base para dimensionar a permanência da violência agrária no Brasil.