De acordo com informações do Carbon Brief, a guerra no Irã levou a um aumento nos apelos para que o governo do Reino Unido emita novas licenças para perfuração de petróleo e gás no Mar do Norte. No entanto, análises indicam que essa medida teria impacto mínimo na produção, enquanto a expansão das energias renováveis oferece proteção significativamente maior contra a volatilidade das importações de gás. O debate espelha o cenário do Brasil, que também busca equilibrar a exploração de combustíveis fósseis no pré-sal com a atração de investimentos globais em fontes limpas para a transição energética.
Qual é o impacto das energias renováveis na segurança energética do Reino Unido?
Análises mostram que a produção de gás no Mar do Norte deve cair 99% até 2050 em comparação com os níveis de 2025, mesmo com novas licenças. Em contraste, a aquisição de cerca de 15 gigawatts de energia eólica e solar evitará a necessidade de importar 78 navios-tanque de gás natural liquefeito (GNL) por ano até 2030, economizando cerca de £4 bilhões.
Por que novas perfurações são menos eficazes que renováveis?
Mesmo que novas reservas no Mar do Norte sejam descobertas, levaria anos para que começassem a produzir gás, enquanto o Reino Unido avança para longe dos combustíveis fósseis. Medidas como a substituição de caldeiras a gás por bombas de calor seriam mais eficazes na redução da dependência de gás importado. Além disso, ajustes no uso de caldeiras poderiam reduzir significativamente a demanda por gás.
Qual é a posição política sobre perfuração e renováveis?
Partidos de oposição britânicos, como o Partido Conservador e o Reform UK, pedem mais perfurações no Mar do Norte e prometem acabar com o apoio às renováveis e ao objetivo de emissões líquidas zero até 2050. No entanto, análises indicam que tal abordagem aumentaria a dependência do Reino Unido de gás importado.
“O relatório da ONU de 2023 destacou que as reservas de carvão, petróleo e gás excedem em mais de 3,5 vezes o orçamento de carbono disponível para limitar o aquecimento global a 1,5°C.”
O Reino Unido, em conjunto com mais de 80 países, pediu a eliminação global dos combustíveis fósseis na COP30, cúpula do clima da ONU que foi realizada em Belém (PA) no final de 2025.