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Energia geotérmica em igreja histórica de Nova York vira modelo de transição

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O reverendo Kurt Gerhard inaugurou no final de 2025 um moderno sistema de climatização na Christ Church Bronxville, localizada nos arredores do distrito do Bronx, em Nova York. O projeto substituiu a antiga infraestrutura dependente de combustíveis fósseis por tubulações subterrâneas que aproveitam a temperatura natural da Terra para aquecer e resfriar os ambientes. A iniciativa, motivada pelas altas temperaturas registradas no verão e pelo rigoroso frio do inverno, tornou-se um exemplo de como adaptar edifícios históricos em áreas urbanas densas — um desafio compartilhado no Brasil por projetos de retrofit sustentável em construções tombadas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), que precisam modernizar a climatização sem alterar a arquitetura original.

De acordo com informações do Inside Climate News, a instalação da infraestrutura enfrentou desafios típicos de grandes metrópoles, como regulamentações rígidas de segurança e a necessidade de desviar de túneis de metrô e galerias de água. O sucesso da empreitada abre caminho para que outras propriedades no estado adotem soluções sustentáveis semelhantes.

Como funciona a energia geotérmica em edifícios antigos?

A tecnologia implementada na igreja centenária baseia-se em um circuito de água que corre no subsolo e passa pelas estruturas físicas da propriedade. Durante o inverno, a água absorve o calor armazenado a centenas de metros de profundidade e o transporta para bombas de calor que aquecem as salas. No verão, o processo se inverte, e o sistema pode até armazenar o excesso de calor no solo para os meses mais frios.

Antes da reforma, centenas de paroquianos enfrentavam um calor extremo no interior do templo religioso, que não contava com ar-condicionado central. O reverendo Kurt Gerhard explicou a situação do local antes da intervenção:

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“Nossa igreja só estava disponível de manhã, e fazia 85 graus Fahrenheit (cerca de 29°C) lá dentro por causa do calor lá fora.”

Além do templo principal, o complexo inclui dois edifícios que abrigam escritórios, apartamentos e uma creche. Anteriormente, as unidades dependiam de aparelhos de ar-condicionado de janela, que não eram suficientes para resfriar os corredores, criando um ambiente inadequado para as crianças.

Quais são os custos e incentivos do projeto sustentável?

Apesar do alto investimento inicial e das reduções em alguns créditos fiscais federais norte-americanos, proprietários consideram a transição viável a longo prazo. O custo total do novo sistema na Christ Church Bronxville foi de aproximadamente US$ 4,4 milhões. No entanto, o valor final será reduzido de forma drástica devido a políticas de incentivo.

O financiamento e a estruturação econômica do projeto envolveram os seguintes fatores:

  • O custo final estimado para a paróquia ficará em torno de US$ 418 mil, valor que será financiado ao longo de vários anos.
  • Uma campanha de arrecadação chamada “Os Próximos 100”, em referência ao centenário da instituição, estabeleceu a meta de levantar US$ 1 milhão.
  • A concessionária de energia local, a Con Edison, forneceu suporte financeiro crucial para auxiliar na conversão elétrica da estrutura.

O engenheiro Zachary Fink, fundador da empresa ZBF Geothermal, foi o responsável por liderar a execução da obra. A equipe técnica encontrou espaço no estacionamento da paróquia e perfurou 14 poços profundos, alguns em ângulo para alcançar o subsolo da igreja. Segundo Fink, essas tubulações têm uma vida útil estimada em pelo menos 50 anos, o que evita a necessidade de substituições de caldeiras a curto prazo.

Por que a legislação de Nova York impulsiona essas mudanças?

O estado de Nova York aprovou leis rigorosas desde 2019 para incentivar a sustentabilidade climática. A chamada Lei Local 97 estabelece limites crescentes para as emissões dos edifícios ao longo das próximas duas décadas, aplicando penalidades financeiras severas para quem ultrapassar as cotas estabelecidas. Outra legislação em vigor proíbe o uso de gás natural em uma lista crescente de novas construções.

O cenário regulatório forçou propriedades a buscarem alternativas elétricas e eficientes. Os edifícios representam mais de dois terços das emissões de gases de efeito estufa na cidade de Nova York. A adoção de bombas de calor e poços verticais reduz de forma drástica a liberação de poluentes quando comparada à queima de combustíveis fósseis.

A tendência de modernização energética se expande por outras regiões da metrópole. Em Coney Island, no distrito do Brooklyn, a empresa de engenharia Ecosave instalou mais de 100 poços profundos. Um grande conjunto habitacional com 463 apartamentos foi construído sobre a infraestrutura, cujas perfurações ultrapassaram 150 metros de profundidade, garantindo que a propriedade atenda de forma proativa às futuras exigências ambientais do governo.

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