A energia eólica está voltando a ganhar espaço como alternativa de propulsão para navios cargueiros, impulsionada por novas parcerias tecnológicas e pela pressão global para reduzir o consumo de combustíveis fósseis no transporte marítimo. O destaque é a colaboração entre a startup britânica GT Wings e a fabricante chinesa Zunsion Technology, que aceleram a produção de sistemas de velas rígidas para aplicação no setor naval. Para o Brasil, um grande exportador de commodities e dependente do transporte marítimo para escoar cargas como minério, soja e petróleo, avanços desse tipo podem ter impacto sobre custos logísticos e adequação ambiental da frota que opera em rotas internacionais.
O sistema desenvolvido pela GT Wings, denominado AirWing™ Jet Sail, representa uma inovação na área de velas rígidas ao utilizar fluxos de ar controlados sobre as superfícies das velas, gerando propulsão adicional para embarcações comerciais. A expectativa informada no texto original é produzir até 250 unidades por ano, em parceria com a Zunsion, ampliando a presença da tecnologia em mercados asiáticos estratégicos, onde boa parte dos navios é construída e reparada.
Quais os benefícios das velas rígidas nos navios de carga?
O AirWing foi lançado em 2023 visando solucionar limitações de espaço nos cargueiros, podendo ser instalado próximo à proa e rotacionado durante as operações portuárias para não interferir no embarque de cargas. Segundo a GT Wings, o dispositivo pode proporcionar economia de combustível variando de cinco a 30%, dependendo das condições climáticas e rotas. A empresa também realiza estudos de viabilidade gratuitos para possíveis clientes.
Mesmo quando as condições do vento não são ideais, os sistemas de propulsão eólica oferecem vantagens regulatórias segundo o marco europeu FuelEU Maritime, norma da União Europeia voltada à redução da intensidade de emissões no transporte marítimo. Com isso, os navios que adotarem a tecnologia podem receber incentivos regulatórios, mesmo quando as velas não estão em operação ativa. O sistema ainda auxilia o cumprimento de normas internacionais como EEDI, EEXI e CII, além de acompanhar a agenda regulatória da Organização Marítima Internacional (IMO), agência da ONU responsável por regras globais do setor.
Quais são as outras inovações recentes em propulsão eólica marítima?
No segmento de velas rotativas, a empresa finlandesa Norsepower lançou recentemente a terceira geração de seu rotor cilíndrico Wind Edge™, que incorpora avanços aerodinâmicos, controle digital e melhorias estruturais. A solução apresenta desempenho aerodinâmico até 20% superior ao anterior e uma tecnologia de controle que ajusta continuamente o uso da vela para maximizar a economia de combustível.
A Norsepower calcula que o novo sistema pode melhorar o rendimento operacional dos navios em até 20%, considerando o uso de sensores embarcados para otimizar tanto a aerodinâmica quanto a hidrodinâmica da propulsão. Além disso, a tecnologia foi projetada para ser rebatida quando o navio passar sob pontes ou obstáculos elevados.
Quais perspectivas para o futuro da energia eólica no transporte marítimo?
Empresas do setor avaliam que, com a evolução das tecnologias e a pressão regulatória para redução das emissões, sistemas baseados em energia eólica devem ampliar sua presença no transporte marítimo. Para exportadores brasileiros, esse movimento é relevante porque armadores e embarcações que operam em rotas internacionais precisam se adaptar a exigências ambientais cada vez mais rígidas, especialmente em mercados como o europeu. O uso desse tipo de tecnologia também pode ajudar a reduzir custos operacionais em cenários de combustíveis mais caros e reforçar estratégias de descarbonização no comércio global.