
O governo do Acre decretou situação de emergência de nível II em seis municípios neste domingo, 5 de abril de 2026, devido às fortes chuvas e à cheia dos rios que já afetam mais de 40 mil pessoas na região Norte do país. A medida, oficializada pelo Decreto nº 11.865, abrange as cidades de Cruzeiro do Sul, Feijó, Mâncio Lima, Rodrigues Alves, Tarauacá e Plácido de Castro, impactando diretamente áreas urbanas, rurais e comunidades ribeirinhas.
De acordo com informações da Agência de Notícias do Acre, as inundações atingem principalmente as bacias dos rios Envira, Abunã, Purus e Tarauacá, importantes afluentes da bacia Amazônica. O cenário atual é classificado como desastre natural hidrológico, seguindo os parâmetros da Classificação e Codificação Brasileira de Desastres.
Por que as cidades do Acre entraram em emergência?
A decisão estadual foi embasada em dados técnicos que registraram volumes expressivos de precipitação no início de abril. Algumas regiões do estado acumularam até 280 milímetros de chuva, fazendo com que os principais rios ultrapassassem ou se aproximassem rapidamente das cotas máximas de transbordamento.
Para centralizar as ações, uma reunião estratégica do Sistema Integrado de Meio Ambiente ocorreu no Centro Integrado de Inteligência, Geoprocessamento e Monitoramento Ambiental, localizado na sede do Instituto de Meio Ambiente do Acre.
Representando a governadora em exercício, Mailza Assis, o chefe de gabinete Douglas Jonathan Santiago explicou a urgência da ação governamental.
“Estamos diante de um cenário que exige resposta rápida e integrada. O decreto permite dar mais agilidade à liberação de recursos, assistência às famílias e à atuação das equipes em campo. A governadora deixou bem claro que a prioridade é resguardar vidas e garantir dignidade às pessoas atingidas pela cheia.”
Quais são os impactos e as medidas de resgate da Defesa Civil?
A Defesa Civil Estadual confirmou que outras regiões permanecem em estado de atenção constante devido à tendência contínua de elevação das águas. O desastre já deixou famílias desalojadas e desabrigadas, além de causar danos severos à infraestrutura viária e à agricultura de subsistência local.
O coordenador estadual da Defesa Civil, coronel Carlos Batista, detalhou as operações em curso para mitigar os danos à população.
“Estamos em alerta máximo, acompanhando o comportamento dos rios e as previsões meteorológicas. As equipes estão mobilizadas para atender as ocorrências, prestar assistência e, se necessário, realizar evacuações para garantir a segurança da população. Tivemos uma subida rápida dos rios devido ao volume de chuvas, que está atípico.”
Com a validade estipulada em 180 dias, o decreto de emergência confere prioridade de atendimento à Coordenadoria de Proteção e Defesa Civil do Estado do Acre. O documento também autoriza, em casos de risco iminente à vida, a entrada forçada em propriedades particulares para o resgate de moradores isolados e o avanço da logística de socorro.
Como os povos indígenas e o meio ambiente estão sendo monitorados?
O secretário de Meio Ambiente, Leonardo Carvalho, esclareceu que uma nota técnica foi elaborada para fornecer os dados exatos da crise hídrica, subsidiando as políticas públicas conjuntas.
“A Sema [Secretaria de Estado do Meio Ambiente] é esse órgão, detentor da política pública que subsidia os demais órgãos para atuar em conjunto nesses momentos de eventos extremos de cheias e secas.”
Em relação às comunidades tradicionais, a secretária de Povos Indígenas, Francisca Arara, relatou que as equipes identificaram necessidades específicas nos municípios de Feijó e Tarauacá, lares das etnias Katuquina e Kaxinawá (também conhecidos como Huni Kuin).
“Mas quando estamos em momentos de cheia é claro que colocamos todo o nosso sistema integrado em apoio aos povos indígenas. […] Mas está tudo dentro do controle e estamos monitorando.”
Quais são os níveis atuais dos rios nas regiões afetadas?
O monitoramento hidrológico diário indica uma situação crítica em múltiplos pontos de medição. A lista oficial com as cotas registradas e os respectivos limites de transbordamento inclui:
- Cruzeiro do Sul: 14,07 metros (cota de transbordamento é de 13 metros).
- Feijó: 12,10 metros (cota de transbordamento é de 12 metros).
- Rodrigues Alves: acima de 14 metros (cota de transbordamento é de 13,50 metros).
- Tarauacá: 7,26 metros (cota de transbordamento é de 9,50 metros).
- Mâncio Lima: 6,24 metros (cota de transbordamento é de 6,20 metros).
- Plácido de Castro: cota de transbordamento estipulada em 12,20 metros, atualmente sem leitura oficial.
O Corpo de Bombeiros Militar mantém prontidão para apoiar as prefeituras locais e agir rapidamente diante da previsão meteorológica, que ainda aponta chuvas acima da média para os próximos dias em todo o território acreano, mantendo o risco de novas inundações.