Grandes emissores globais de gases de efeito estufa estão enfrentando dificuldades críticas para cumprir as metas de emissões de Escopo 3, conforme revela um novo levantamento sobre o setor de finanças sustentáveis. De acordo com informações do Responsible Investor, o estudo aponta que o engajamento corporativo com a descarbonização das cadeias de suprimentos ainda não atingiu o ritmo necessário para o cumprimento dos acordos climáticos internacionais.
O cenário para o investimento responsável em 2025 apresenta desafios adicionais, como uma redução acentuada no apoio institucional a propostas de acionistas ligadas a fatores ambientais e sociais (E&S). Esse recuo sinaliza uma possível mudança de postura de grandes gestoras de ativos diante da volatilidade econômica e de pressões políticas globais sobre a agenda ESG (Ambiental, Social e de Governança).
O que são as emissões de Escopo 3 e por que elas são um desafio?
As emissões de Escopo 3 compreendem todos os impactos indiretos que ocorrem na cadeia de valor de uma organização, incluindo desde a extração de matérias-primas por fornecedores até o uso final dos produtos pelos consumidores. Diferente dos Escopos um e dois, que tratam de emissões diretas e do consumo de energia próprio, o terceiro nível é o mais complexo de mensurar. Para indústrias pesadas, essa categoria pode representar mais de 90% da pegada de carbono total, tornando-a o maior obstáculo para a neutralidade climática.
Por que o apoio a resoluções ambientais e sociais diminuiu em 2025?
Relatórios do setor indicam que a queda no suporte a pautas de sustentabilidade em assembleias de acionistas reflete um escrutínio mais rigoroso sobre o retorno financeiro dessas iniciativas. O fenômeno sugere que investidores institucionais estão priorizando planos de transição que demonstrem viabilidade econômica tangível no curto prazo. Analistas apontam que a resistência ocorre principalmente em propostas consideradas excessivamente prescritivas ou que possam comprometer a competitividade imediata das companhias.
Qual o papel do MSCI no acordo com os bancos centrais europeus?
Em meio a esse panorama de incertezas, a infraestrutura de dados para monitoramento climático recebeu um reforço institucional. O provedor global de índices e dados MSCI foi selecionado para fornecer informações estratégicas aos bancos centrais que integram o Eurosistema. Essa colaboração técnica permitirá que as autoridades monetárias da Europa avaliem com maior precisão os riscos climáticos inerentes às suas carteiras de investimento e operações de política monetária.
A escolha do MSCI reforça a necessidade de padronização métrica no mercado financeiro. Com o suporte desses dados, o Banco Central Europeu poderá monitorar se as instituições financeiras sob sua supervisão possuem exposição excessiva a ativos de alta emissão ou se detêm estratégias de mitigação resilientes.
Os principais pontos destacados pelo panorama atual do setor incluem:
- Dificuldade técnica na coleta de dados de emissões de fornecedores em diferentes jurisdições.
- Maior pragmatismo de investidores em relação a metas ambientais de longo prazo.
- Necessidade de dados de alta qualidade para conformidade com novas regulações europeias.
- Aumento da dependência de consultorias externas para auditoria de métricas de sustentabilidade.
A transição para uma economia de baixo carbono exige que as metas de Escopo 3 evoluam de intenções para execuções práticas. Embora o ecossistema financeiro esteja se munindo de ferramentas tecnológicas avançadas, a implementação operacional nas cadeias produtivas globais continua sendo o principal gargalo para a agenda verde no próximo ano. O mercado agora aguarda para ver se a integração de dados pelos bancos centrais forçará uma nova onda de transparência corporativa.