A Dexco (antiga Duratex), uma das maiores empresas do setor de materiais de construção e acabamentos do país, deve apresentar um crescimento em seu Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) durante o primeiro trimestre de 2026. Segundo as projeções, os números devem superar ligeiramente os resultados obtidos no fechamento do quarto trimestre de 2025, impulsionados pela recuperação nos segmentos de louças sanitárias e painéis de madeira.
De acordo com informações do Valor Empresas publicadas na véspera da elaboração desta reportagem, em 3 de abril, a análise foi conduzida pelos especialistas Gabriel Barra e Pedro Ferreira de Mello, da instituição financeira Citi (Citibank). O relatório aponta para um cenário de melhora sequencial, onde a eficiência operacional e a demanda de mercado começam a reagir de forma mais vigorosa em frentes estratégicas da companhia.
O setor de painéis de madeira, fundamental para a indústria moveleira, é citado como um dos pilares desse avanço. A Dexco atua fortemente na produção de MDF e MDP, materiais essenciais para a fabricação de móveis residenciais e corporativos. A estabilidade de preços e a gestão de custos na cadeia produtiva de madeira são fatores que contribuem diretamente para a margem operacional da empresa neste início de ano (referente aos meses de janeiro a março de 2026).
Quais são os principais destaques da marca Deca no primeiro trimestre?
Outro ponto de destaque no balanço projetado é a performance da marca Deca. Concentrada na produção de louças e metais sanitários, a unidade de negócios vem apresentando uma trajetória de recuperação em seus resultados. A marca é reconhecida pela liderança no mercado brasileiro e pela capacidade de agregar valor através de design e tecnologia, o que permite a manutenção de margens saudáveis mesmo em períodos de flutuação econômica.
A análise do Citi sugere que a concentração de esforços na eficiência das fábricas de louças tem gerado frutos. Com a otimização de processos e o foco em produtos de maior valor agregado, a Dexco consegue mitigar o impacto de custos fixos, resultando em um Ebitda mais robusto para a divisão de acabamentos, que também engloba as operações de revestimentos cerâmicos da companhia.
Como o cenário macroeconômico influencia o desempenho da Dexco?
A performance das empresas do setor de construção civil e acabamentos está intrinsecamente ligada aos indicadores macroeconômicos brasileiros, como a taxa básica de juros (Selic) e o poder de compra da população. Embora o relatório se concentre no desempenho interno das unidades de negócio, a melhora no Ebitda reflete uma resiliência da Dexco frente aos desafios do mercado doméstico. A empresa tem buscado diversificar suas fontes de receita e manter uma estrutura de capital equilibrada.
Além dos painéis e das louças, a Dexco detém marcas de relevância nacional como a Cerâmica Portinari e a Hydra (conhecida no segmento de duchas elétricas e válvulas). A integração dessas operações permite sinergias logísticas e comerciais que são vitais para a sustentabilidade financeira a longo prazo. O acompanhamento dos analistas reforça a percepção de que a gestão está focada em extrair o máximo de rentabilidade de seus ativos industriais, após períodos de ajustes estruturais necessários e modernização de plantas.
O que os investidores devem esperar para os próximos meses?
Para o restante de 2026, o mercado observa se essa tendência de alta no Ebitda se manterá estável. A Dexco continua sendo uma referência para investidores que buscam exposição ao ciclo da construção civil e consumo discricionário de alta qualidade. O resultado oficial do primeiro trimestre será fundamental para confirmar as teses de investimento dos analistas do Citi e calibrar as expectativas de dividendos e investimentos da holding para o restante do exercício.
As conclusões dos analistas indicam que a recuperação do volume de vendas, aliada a um controle rigoroso das despesas operacionais, permite que a companhia navegue com maior previsibilidade em um ambiente de negócios competitivo. O foco em inovação e na sustentabilidade dos materiais produzidos também figura como um diferencial competitivo para o grupo econômico.
- Crescimento sequencial do Ebitda em relação ao quarto trimestre de 2025.
- Recuperação expressiva no segmento de louças sanitárias com a marca Deca.
- Desempenho sólido na divisão de painéis de madeira (MDF e MDP).
- Análise técnica assinada pelos especialistas do Citi, Gabriel Barra e Pedro Ferreira de Mello.