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Desperdício de alimentos: novo método propõe gerar energia e reduzir metano em aterros

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A sprawling aerial view of a landfill in West Java, Indonesia, showcasing environmental impact.
A sprawling aerial view of a landfill in West Java, Indonesia, showcasing environmental impact. Foto: Tom Fisk — Pexels License (livre para uso)

O desperdício de alimentos enviado para aterros sanitários tem gerado um aumento preocupante nas emissões de gás metano nos Estados Unidos, um alerta que serve de paralelo para o Brasil, onde a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) busca justamente reduzir o envio de orgânicos para aterros. Pesquisadores do Instituto de Tecnologia da Geórgia concluíram em estudo divulgado no início de abril de 2026 que redirecionar esses resíduos orgânicos para estações de tratamento de águas residuais pode transformar o problema ambiental em uma fonte rentável de energia renovável e fertilizantes agrícolas. O estudo propõe uma mudança logística profunda para mitigar os impactos climáticos causados pelo descarte inadequado, promovendo uma economia circular focada na sustentabilidade e na inovação da infraestrutura urbana.

De acordo com informações da CleanTechnica, a Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA) admite que, embora as emissões totais dos aterros de resíduos sólidos municipais estejam caindo, a liberação de metano proveniente da comida descartada segue em trajetória de alta. Levantamentos referentes a 2024 apontam que mais de um quarto dos alimentos comprados pelos consumidores norte-americanos foi para o lixo. A organização ReFed aponta que 80% desse excedente é composto por produtos perecíveis, como frutas, vegetais, carnes, laticínios e pães frescos.

Por que os aterros sanitários falham no controle das emissões de metano?

Atualmente, a maior parte dos restos de comida não consumida ou partes não comestíveis, como caules e cascas, acaba sendo despejada em aterros sanitários. No subsolo, o material orgânico se decompõe sem a presença de oxigênio e libera metano, um gás de efeito estufa de curta duração, porém com altíssimo potencial de aquecimento global. A estrutura média de um aterro consegue capturar apenas 58% do metano emitido, permitindo que a vasta maioria restante escape diretamente para a atmosfera terrestre.

Esse processo ineficiente inviabiliza o aproveitamento de energia e nutrientes que poderiam ser extraídos caso o material fosse direcionado para instalações modernas de compostagem ou digestão anaeróbica. No Brasil, onde os resíduos orgânicos representam cerca de metade de todo o lixo urbano coletado, o impacto dessa ineficiência também é um desafio ambiental severo. Em vez de se tornarem ativos produtivos, as sobras de alimentos jogadas em valas comuns atuam como impulsionadoras severas do aquecimento global, exigindo uma reavaliação urgente dos métodos de saneamento básico em centros urbanos.

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Como as estações de tratamento de esgoto podem solucionar o problema?

Uma equipe liderada pelo pesquisador Ahmed I. Yunus, do Instituto de Tecnologia da Geórgia, analisou dados reais de uma instalação que processa resíduos alimentares em conjunto com o esgoto convencional. A conclusão é que as instalações de recuperação de recursos de águas residuais capturam mais de 95% do metano gerado pela comida, quase o dobro do índice registrado nos aterros. Além disso, as plantas industriais utilizam o biogás capturado para gerar eletricidade renovável, reduzindo drasticamente a dependência da rede elétrica externa.

A pesquisa acadêmica detalhou os impactos práticos da transferência do descarte alimentar para os sistemas de águas residuais. Os principais fatores ambientais e operacionais observados pelos cientistas incluem:

  • Os aterros convencionais produzem 58,2 quilogramas de dióxido de carbono equivalente por tonelada de resíduos alimentares, enquanto as estações de tratamento atingem emissões líquidas negativas.
  • O acréscimo de comida aumenta apenas 0,43% da capacidade diária operacional da estação, devido à densidade muito inferior em comparação ao volume do esgoto líquido.
  • A recuperação de nutrientes em plantas avançadas atinge níveis suficientes para fertilizar cerca de 23 acres (aproximadamente 9,3 hectares) de terras agrícolas por ano.
  • A substituição da infraestrutura reduz de forma significativa a dependência de fertilizantes sintéticos, que demandam alta carga de energia para mineração e processamento industrial.

Qual é a viabilidade financeira para a adoção do tratamento logístico conjunto?

Para viabilizar a operação em larga escala, as cidades precisariam adotar sistemas de coleta seletiva semelhantes aos já utilizados para a reciclagem de plásticos ou detritos de quintal. Caminhões transportariam os resíduos até estações de recebimento especializadas, onde materiais não orgânicos seriam removidos antes da mistura final com os sólidos do esgoto em digestores anaeróbicos selados. O processo não sobrecarrega o sistema elétrico ou hídrico e permite que a planta de saneamento atenda rigorosamente aos padrões regulatórios de efluentes limpos.

A viabilidade econômica do novo modelo se provou altamente robusta nas análises do estudo. Os dados indicam que as estações de tratamento permanecem lucrativas mesmo cobrando taxas de recebimento 25% menores do que os valores cobrados pelos aterros tradicionais. Municípios engajados na mudança podem obter lucros no ciclo de vida de até US$ 2,45 por tonelada de resíduo alimentar. No cenário brasileiro, inovações tecnológicas de tratamento de resíduos podem dialogar diretamente com as metas de modernização do Novo Marco Legal do Saneamento Básico. As fontes de receita adicionais englobam a venda direta do metano capturado para geração de energia local e a comercialização do material sólido residual como fertilizante agrícola de alto rendimento no mercado produtor.

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