As ações da Desktop registraram forte alta nesta segunda-feira, 23 de março de 2026, depois do anúncio da venda do controle da companhia para a Claro. Às 11h45, os papéis eram cotados a R$ 17,75, com avanço de 23,26% no dia. O movimento ocorreu após a divulgação de uma operação para compra de 73% do capital da empresa, em negócio que, segundo análises de mercado, embute prêmio de 45% sobre o preço de fechamento anterior. De acordo com informações do Telesíntese, o preço da transação ficou acima do múltiplo em que a companhia vinha sendo negociada e pode alterar a referência de avaliação de mercado para provedores regionais de internet.
A operação foi estruturada com valor da firma de R$ 4 bilhões. Segundo o BTG Pactual, ao considerar a dívida líquida de R$ 1,59 bilhão usada na transação, o valor implícito do patrimônio da Desktop chega a R$ 2,41 bilhões, o equivalente a R$ 20,82 por ação. Após o fechamento do negócio, a compradora deverá lançar oferta pública aos acionistas minoritários em condições ao menos equivalentes às oferecidas aos controladores.
Por que as ações da Desktop reagiram com alta?
A XP destacou que o preço implícito de R$ 20,82 por ação representa prêmio de 45% sobre a cotação de fechamento. A corretora afirmou ainda que a operação atribui à Desktop múltiplo superior a seis vezes o EBITDA projetado para 2025, acima da faixa de cerca de 4,5 vezes a cinco vezes em que a empresa vinha sendo negociada na B3, a bolsa de valores brasileira.
O BTG Pactual fez comparação semelhante. Segundo o banco, a Desktop era negociada a 4,9 vezes EV/EBITDA estimado para 2025 e a 3,8 vezes o múltiplo projetado para 2026, abaixo das mais de seis vezes implícitas na oferta apresentada pela Claro. Na leitura das instituições, essa diferença ajuda a explicar a reação positiva do mercado.
O que BTG e XP apontam sobre a aquisição?
Para o BTG, a compra é estrategicamente relevante para a Claro no Brasil porque adiciona 1,2 milhão de assinantes de FTTH e amplia a base de fibra da operadora de 2,7 milhões para cerca de 3,9 milhões. O banco estima ainda que o impacto na alavancagem consolidada da América Móvil, controladora da Claro Brasil, seria limitado, com a relação dívida líquida sobre Ebitda passando de 1,52 vez para 1,55 vez após a transação.
A XP avaliou que a Desktop acrescenta densidade à operação da Claro em São Paulo e regiões vizinhas. A corretora estima sinergias entre R$ 0,9 bilhão e R$ 1,4 bilhão em valor presente líquido para a compradora. Também afirmou que o preço anunciado pode se tornar uma nova referência para o universo de ISPs listados em bolsa, embora tenha ponderado que isso não implica aplicar automaticamente o mesmo múltiplo a todos os ativos do setor.
Quais são os próximos passos e os entraves regulatórios?
BTG e XP destacaram que a conclusão da operação ainda depende de aprovações do Cade e da Anatel. O Cade é o órgão federal responsável por analisar atos de concentração econômica, enquanto a Anatel regula o setor de telecomunicações no país. O BTG apontou incerteza sobre o prazo de fechamento por causa da sobreposição de participação de mercado entre as duas empresas em parte das cidades atendidas. Já a XP avaliou que, pelo porte e pela complexidade do negócio, a análise concorrencial tende a ser prolongada.
- Compra de 73% do capital da Desktop pela Claro
- Valor da firma de R$ 4 bilhões
- Valor implícito de R$ 20,82 por ação
- Prêmio de 45% sobre a cotação de fechamento, segundo a XP
- Dependência de aprovação de Cade e Anatel
Como o mercado reagiu além da Desktop?
Além da alta das ações da Desktop na B3, os ADRs da América Móvil também operavam em valorização nesta segunda-feira na Bolsa de Nova York. Às 11h03, os papéis eram negociados a US$ 23,78, com alta de 1,93% no dia. O desempenho sugere que investidores também avaliaram de forma positiva os efeitos potenciais da aquisição para a controladora da Claro.
No conjunto, a operação foi recebida pelo mercado como um negócio fechado em patamar superior ao que a Desktop vinha negociando em bolsa, com potencial de influenciar a percepção sobre o valor de empresas regionais de banda larga. Ainda assim, a conclusão efetiva dependerá do avanço da análise regulatória e concorrencial.
