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Descarte incorreto: 40% dos resíduos em cooperativas não são reciclados

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Pilha de resíduos mistos e diversos descartados em uma esteira de separação dentro de uma cooperativa de reciclagem.
Foto: Autor / Flickr (CC BY)

Um levantamento publicado em março de 2026 sobre a eficiência da cadeia de logística reversa no Brasil revelou que cerca de 40% dos materiais que chegam às cooperativas de catadores não são efetivamente reciclados. De acordo com informações do CicloVivo, o estudo utilizou a técnica de gravimetria para analisar a composição dos resíduos e identificar os principais obstáculos que impedem o reaproveitamento total desses descartes. O problema central reside na dificuldade técnica e econômica de processar determinados tipos de plásticos e embalagens complexas.

A análise aponta que o poliestireno colorido e as embalagens multicamadas representam os maiores gargalos operacionais para as cooperativas de reciclagem. Embora esses itens cheguem aos centros de triagem como materiais potencialmente recicláveis, eles acabam sendo descartados como rejeitos e encaminhados para aterros sanitários. Isso ocorre porque o custo de separação e a falta de demanda da indústria por plásticos pigmentados tornam o processo financeiramente inviável para os catadores de materiais recicláveis.

Quais são os principais obstáculos para a reciclagem integral?

O levantamento detalha que o índice de 40% de não aproveitamento é impulsionado pela presença massiva de produtos que não possuem circularidade garantida no mercado atual. Entre os fatores citados como determinantes para esse cenário, destacam-se:

  • Falta de tecnologias acessíveis para a separação de polímeros mistos em larga escala;
  • Baixo valor de mercado para o plástico poliestireno (PS) quando este apresenta pigmentação colorida;
  • Dificuldade de higienização de embalagens que contêm resíduos orgânicos persistentes;
  • Logística de transporte que encarece o envio de materiais de baixo peso e alto volume para as indústrias recicladoras.

O uso da técnica de gravimetria permitiu aos pesquisadores quantificar exatamente o que compõe a massa de resíduos que entra nas unidades de triagem. Essa metodologia consiste na pesagem e classificação detalhada de cada componente da amostra, separando o que é papel, plástico, metal, vidro e, crucialmente, o que é considerado “rejeito de triagem”. A pesquisa identificou que muitos produtos são descartados não por falta de vontade dos catadores, mas pela ausência de compradores para o material processado.

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Por que as embalagens multicamadas são consideradas um desafio?

As embalagens conhecidas como multicamadas são compostas por diferentes materiais sobrepostos de forma íntima, como plástico, papel e folhas de alumínio, visando a proteção de alimentos. Embora sejam excelentes para conservar produtos por longos períodos em prateleiras, sua reciclagem exige um processo químico ou mecânico altamente especializado para separar cada camada. Sem esse maquinário avançado nas cooperativas, o material perde sua utilidade comercial imediata.

Além disso, o poliestireno colorido, amplamente utilizado em copos descartáveis e embalagens de laticínios, enfrenta a resistência do mercado de transformação. A indústria de reciclagem prefere o plástico virgem ou o reciclado transparente, que permite maior versatilidade na criação de novos itens. O plástico que já possui pigmentação escura ou cores vibrantes limita drasticamente as possibilidades de reuso, resultando em um acúmulo de estoque sem compradores finais.

Como a gestão de resíduos sólidos pode ser aprimorada?

Especialistas do setor argumentam que a solução para reduzir o volume de rejeitos nas cooperativas passa obrigatoriamente pelo fortalecimento do ecodesign. Isso significa que as empresas devem projetar embalagens que facilitem a desmontagem e a reciclagem desde o início do seu ciclo de vida. Se um produto é difícil de ser separado manualmente, ele acaba sobrecarregando o sistema público de limpeza e diminuindo a renda média dos trabalhadores que dependem da venda desses insumos.

A Política Nacional de Resíduos Sólidos, em vigor no Brasil desde 2010, estabelece diretrizes para a responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos e para a logística reversa. Nesse contexto, as cooperativas brasileiras operam no limite de sua capacidade de triagem, e o envio de 40% do material para o aterro representa um custo logístico perdido para toda a sociedade. Para que essa política seja plenamente eficaz, é necessário que haja um alinhamento direto entre o que é produzido pela indústria e o que as centrais de triagem conseguem processar de forma técnica e financeiramente viável no cotidiano das cidades.

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