Os desafios científicos e éticos no desenvolvimento de medicamentos pediátricos são vastos e complexos. De acordo com informações do Conselho Federal de Farmácia, as principais causas de morte em crianças menores de cinco anos refletem desigualdades sociais e econômicas. Muitas dessas condições poderiam ser prevenidas ou tratadas com intervenções acessíveis, incluindo medicamentos seguros e adequados.
Quais são os riscos do uso off-label em pediatria?
Um dos principais desafios é o uso de medicamentos desenvolvidos para adultos em crianças, prática que pode gerar riscos graves. A farmacêutica Dra. Carolina Maria Xaubet Olivera alerta sobre os perigos de fracionar comprimidos de liberação prolongada, que podem alterar o mecanismo de liberação do fármaco, levando a overdoses.
“Ao fracionar comprimidos de liberação prolongada, o mecanismo de liberação do fármaco é alterado, o que pode levar à overdose”, exemplifica Carolina.
Como a pesquisa clínica pode ser melhorada?
A exclusão de crianças dos ensaios clínicos é uma causa da escassez de medicamentos pediátricos. Carolina explica que a complexidade dos ensaios clínicos em pediatria decorre de mudanças no crescimento infantil, afetando a farmacocinética e a farmacodinâmica.
“A complexidade dos ensaios clínicos em pediatria decorre de mudanças no crescimento infantil, que afetam a farmacocinética e a farmacodinâmica”, explica Carolina.
Quais são as iniciativas globais para melhorar o acesso?
Iniciativas como a campanha “Make Medicines Child Size” da OMS e diretrizes como a Standards for Research in Pediatrics (STaR) buscam melhorar a pesquisa e o acesso a medicamentos pediátricos. Carolina enfatiza que o acesso a medicamentos essenciais é um direito humano.
“O acesso a medicamentos essenciais é um direito humano, previsto na Constituição da Organização Mundial da Saúde (OMS) e na Declaração Universal dos Direitos Humanos”, lembra Carolina.