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Golfinhos em Singapura: resort suspende captura na natureza e programa de reprodução, diz reportagem

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Golfinho salta sobre a água em uma piscina rasa de resort, cercado por estruturas metálicas de contenção.
Foto: Studio Sarah Lou / flickr (by)

O complexo Resorts World Sentosa, em Singapura, suspendeu a obtenção de golfinhos capturados na natureza para seu oceanário e também interrompeu seu programa de reprodução em cativeiro, segundo fontes ouvidas pela reportagem da Mongabay Global, publicada em março de 2026. A medida envolve o futuro de mais de 20 golfinhos-nariz-de-garrafa-do Indo-Pacífico mantidos no local desde 2013, a maioria capturada nas Ilhas Salomão em 2008 e 2009. De acordo com a publicação, o empreendimento reúne um painel de especialistas para avaliar o destino dos animais, em meio à pressão internacional contra a manutenção de cetáceos em cativeiro.

A empresa não anunciou formalmente uma nova política sobre os golfinhos e se recusou a comentar o caso, segundo a publicação. Em visitas feitas pela Mongabay ao Oceanarium, treinadores afirmaram que não havia captura nem reprodução adicionais em andamento, embora o número exato de animais não tenha sido confirmado publicamente. Funcionários disseram apenas que havia “mais de 20” golfinhos no habitat de mamíferos marinhos.

Por que a situação dos golfinhos em Singapura voltou ao centro do debate?

A incerteza sobre o futuro dos animais ocorre em um contexto de mudança global sobre o uso de cetáceos para entretenimento. O texto informa que, em junho de 2025, o México passou a proibir o cativeiro de cetáceos para fins de entretenimento, juntando-se a países como Canadá, França, Índia, Chile, Costa Rica, Bolívia, Suíça e Reino Unido. Taiwan também está eliminando gradualmente apresentações com esses animais.

Ao mesmo tempo, a reportagem aponta que outros países, como China, Japão e alguns do Oriente Médio, continuam obtendo golfinhos para novos aquários voltados à expansão de atrações marinhas para o turismo. Para o leitor brasileiro, o debate dialoga com discussões mais amplas sobre bem-estar animal e manutenção de fauna silvestre em cativeiro, tema acompanhado no país por órgãos ambientais como o Ibama. Nesse cenário, a decisão atribuída ao resort de Singapura é vista como um sinal relevante dentro de um debate internacional mais amplo sobre bem-estar animal e conservação.

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Como os golfinhos chegaram ao resort e por que isso gerou controvérsia?

O Resorts World Sentosa obteve originalmente 27 golfinhos-nariz-de-garrafa-do Indo-Pacífico das Ilhas Salomão em 2008 e 2009. A atração Dolphin Island foi aberta ao público em 2013, na ilha turística de Sentosa. A captura dos animais, organizada pelo comerciante internacional de golfinhos Christopher Porter, provocou críticas de grupos de bem-estar animal em Singapura e nas Filipinas, onde os animais foram inicialmente mantidos para treinamento antes do transporte.

Quando a captura veio a público, Louis Ng, fundador da entidade de proteção animal ACRES, lançou uma petição pedindo que Singapura bloqueasse a importação. A mobilização abriu um debate nacional sobre a ética de manter cetáceos em cativeiro para entretenimento. Posteriormente, a ACRES promoveu a campanha “Os golfinhos mais tristes do mundo”, defendendo a libertação dos animais, mas a iniciativa não levou à soltura.

A reportagem também relembra que um vídeo publicado em 2019 pelo grupo Empty the Tanks, mostrando um golfinho batendo repetidamente a cabeça contra a parede do recinto, renovou os apelos pela retirada dos animais do local. Segundo a Mongabay, pelo menos quatro dos 27 golfinhos originais morreram durante o transporte ou por infecções entre 2010 e 2014. Não houve relato de mortes recentes.

O que o resort e as entidades de proteção animal dizem sobre o cativeiro?

O Resorts World Sentosa sustenta que os golfinhos recebem alto padrão de cuidado e que a instalação segue diretrizes internacionais da Association of Zoos and Aquariums e da World Association of Zoos and Aquariums. A empresa também afirma que a exposição tem valor educacional e de conservação.

Já a Society for the Prevention of Cruelty to Animals, de Singapura, disse à Mongabay que a educação sobre golfinhos não exige cativeiro e que esse tipo de estrutura não pode alegar benefício de conservação se não fizer parte de programas de recuperação de espécies e reintrodução. Anbarasi Boopal, ex-codiretora-executiva da ACRES, avaliou como positiva a suspensão da captura e da reprodução, mas cobrou transparência sobre eventuais importações futuras de animais nascidos em cativeiro e sobre os planos de longo prazo para os indivíduos já mantidos no local.

“Se a decisão foi baseada no reconhecimento das preocupações com o bem-estar de mamíferos marinhos mantidos em cativeiro e na mudança de atitude do público, das políticas públicas, do governo e das próprias instalações em relação a esse tema, isso representaria um avanço, ainda que tardio, para o bem-estar animal em Singapura”, disse.

Há possibilidade de reabilitação e soltura desses golfinhos?

Especialistas ouvidos pela reportagem afirmam que a reabilitação e uma eventual soltura não podem ser descartadas, embora exijam manejo cuidadoso e avaliação individual. Lincoln O’Barry, do grupo Dolphin Project, declarou que a transferência para santuários costeiros com cercados marinhos seria o primeiro passo para verificar se os animais teriam condições de retornar ao ambiente natural.

“Alguns golfinhos conseguem se adaptar após anos em cativeiro; outros, não. É como uma prisão — algumas pessoas saem depois de décadas como se nada tivesse acontecido, enquanto outras podem perder a sanidade”, afirmou O’Barry.

Segundo a reportagem, O’Barry atua em Bali na gestão de uma estrutura voltada à reabilitação, soltura e aposentadoria de golfinhos que antes participavam de apresentações. Para ele, os cercados marinhos são uma etapa inicial de observação e recuperação. A matéria também relata que, durante visitas ao Oceanarium, a Mongabay observou os animais em sete piscinas interligadas, com cerca de cinco metros de profundidade, em uma área com acesso restrito e sem permissão para câmeras.

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