A defesa da empresária Roberta Luchsinger, amiga de Luís Cláudio Lula da Silva, contestou no Supremo Tribunal Federal (STF) um relatório da Polícia Federal (PF) que aponta suspeitas de propina via agência de viagens. Os advogados alegam que a investigação policial comparou períodos diferentes e partiu de uma premissa falsa.
De acordo com informações do G1, a manifestação foi protocolada em 19 de março de 2026 no STF, onde tramita o processo que envolve as investigações. O Supremo é a corte máxima do Judiciário brasileiro e analisa casos envolvendo autoridades com foro por prerrogativa de função.
Roberta Luchsinger é proprietária de uma agência de viagens e mantém relações próximas com Luís Cláudio Lula da Silva, conhecido como Lulinha. A empresária está no centro das suspeitas levantadas pela PF sobre possível pagamento de propina por meio de serviços prestados por sua empresa.
Quais são os argumentos da defesa?
Os advogados da empresária sustentam que a Polícia Federal cometeu erro metodológico ao elaborar o relatório de investigação. Segundo a defesa, os investigadores fizeram comparações entre períodos distintos, o que teria comprometido a análise dos dados financeiros e das movimentações bancárias.
A tese defensiva aponta ainda que a PF partiu de uma premissa equivocada sobre as atividades da agência de viagens, sem levar em consideração as especificidades do setor e as variações sazonais típicas do mercado turístico.
O documento protocolado no STF busca demonstrar inconsistências técnicas no trabalho investigativo, questionando a metodologia utilizada pelos policiais federais para chegar às conclusões apresentadas no inquérito.
Como as investigações chegaram até a empresária?
As suspeitas sobre Roberta Luchsinger surgiram durante o desenvolvimento de apurações da Polícia Federal sobre supostos esquemas de corrupção envolvendo pessoas próximas ao círculo familiar do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Os investigadores identificaram movimentações financeiras consideradas atípicas na agência de viagens da empresária, especialmente em períodos que, segundo a apuração, coincidiriam com supostos pagamentos de propina por meio da prestação de serviços turísticos.
A PF também analisou a relação comercial entre a agência e empresas investigadas, assim como viagens realizadas por pessoas ligadas aos fatos apurados.
Qual é o estágio atual do processo?
O caso tramita sob sigilo no Supremo Tribunal Federal, instância que julga processos relacionados a autoridades com foro por prerrogativa de função. A defesa de Roberta Luchsinger aguarda manifestação do relator sobre os questionamentos apresentados ao relatório da PF.
Os advogados solicitaram que sejam desconsideradas as conclusões do relatório policial, argumentando que as falhas metodológicas apontadas comprometem a validade das suspeitas levantadas contra a empresária.
Até o momento, não havia manifestação pública do Ministério Público Federal sobre os argumentos apresentados pela defesa.