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Daniel Vorcaro: mensagens apontam apoio do BRB ao Master desde 2024

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Mensagens extraídas do celular do banqueiro Daniel Vorcaro indicam que o Banco de Brasília (BRB) vinha aportando recursos no Banco Master ao menos desde agosto de 2024, segundo relato publicado neste 18 de abril de 2026. O material, obtido pelo Estadão e repercutido após a prisão do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, sugere que o socorro financeiro ocorreu meses antes da oferta de compra de participação no Master anunciada em março de 2025. O caso envolve apurações sobre liquidez, venda de carteiras de crédito e suspeitas de irregularidades investigadas na Operação Compliance Zero.

De acordo com informações da Revista Fórum, com base em conteúdo obtido pelo Estadão, os diálogos mostram que Vorcaro cobrava rapidez em repasses do BRB para manter o funcionamento do banco. A defesa de Vorcaro, preso desde quatro de março e em negociação de delação premiada, informou que não comentaria o caso. Já a defesa de Paulo Henrique Costa não havia se manifestado.

O que mostram as mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro?

Segundo a publicação, as conversas revelam preocupação recorrente com a entrada de recursos do BRB. Em uma das mensagens, enviada em dois de setembro de 2024 a Augusto Lima, então sócio da instituição, Vorcaro escreve:

“Tem notícia do BRB? Se não vier vou ter que devolver a grana de sexta e vamos usar compulsório hoje”

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No dia seguinte, ele volta a pressionar por uma definição sobre a operação:

“Irmão, preciso saber se eles vão fazer ou não. Já tem 15 dias esse negócio do ccb. Se for agarrar e não sair agora preciso saber, depois te explico”

A resposta atribuída a Augusto Lima foi a seguinte:

“Falei agora de novo. Estão dizendo que fazem até quinta”

O texto explica que o depósito compulsório citado por Vorcaro é uma reserva obrigatória mantida junto ao Banco Central do Brasil para garantir a liquidez do sistema financeiro.

Como as operações entre BRB e Master teriam evoluído?

De acordo com as apurações mencionadas na reportagem, ao longo de 2024 o Master passou a vender carteiras de crédito ao BRB para viabilizar os aportes. Inicialmente, essas carteiras teriam lastro, mas a investigação aponta a suspeita de que, posteriormente, parte dos ativos tenha sido substituída por operações sem garantia real.

Em dezembro, segundo os diálogos reproduzidos, Vorcaro mencionou necessidade de reforço imediato no caixa:

“Precisamos por uns 600 mm no caixa. Pra resolver tudo nosso”

A resposta registrada foi:

“Essa semana entra”

Já em janeiro de 2025, a pressão por novas operações teria continuado. A mensagem atribuída ao banqueiro dizia:

“Estamos precisando da carteira com urgência. BRB no saldo não selecionou a carteira”

Augusto Lima respondeu:

“A carteira é boa. O problema é que ele só quer a premium”

Quais são os principais números e suspeitas do caso?

Segundo a reportagem, antes mesmo do anúncio oficial da negociação entre os bancos, o Master já havia repassado R$ 4,6 bilhões ao BRB em 20 contratos firmados entre janeiro e março de 2025. A proposta de compra de parte do Master pelo banco estatal foi anunciada em R$ 2 bilhões, mas acabou vetada pelo Banco Central em setembro daquele ano.

As investigações citadas apontam que as carteiras consideradas problemáticas vendidas ao BRB somaram R$ 12,2 bilhões. Paulo Henrique Costa foi preso na quarta fase da Operação Compliance Zero e é investigado por suspeitas de corrupção e irregularidades na aquisição dessas carteiras. A publicação também afirma que, nesse período, o banco passou a negociar carteiras ligadas à empresa Tirreno, apontada nas apurações como uma estrutura de fachada usada para viabilizar operações irregulares.

  • aportes do BRB ao Master desde agosto de 2024;
  • R$ 4,6 bilhões em 20 contratos entre janeiro e março de 2025;
  • proposta de compra de participação no Master por R$ 2 bilhões;
  • R$ 12,2 bilhões em carteiras consideradas problemáticas, segundo as investigações.

O caso levou à liquidação do Banco Master em novembro de 2025 e segue sob investigação, conforme o material reproduzido pela Revista Fórum. Até o momento, o conteúdo apresentado reúne elementos de apuração jornalística e de investigação oficial, sem conclusão judicial definitiva sobre as suspeitas narradas.

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