Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, é apontado pela Polícia Federal como tendo interrompido pagamentos ao ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, depois de tomar conhecimento de um procedimento investigatório sigiloso. A informação consta na decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, que embasou a quarta fase da operação Compliance Zero, deflagrada nesta quinta-feira, 16 de abril de 2026. De acordo com informações do Poder360, a investigação apura suspeitas de pagamento de propina por meio da aquisição e do repasse de imóveis.
Segundo a decisão judicial citada pela reportagem, Vorcaro teria sido informado da instauração de um procedimento sigiloso para apurar, justamente, o suposto pagamento indevido a Paulo Henrique Costa. A PF afirma que, em 10 de maio de 2025, o banqueiro teria orientado seu operador jurídico, Daniel Monteiro, a interromper os pagamentos e a formalização registral das transações então acertadas com o ex-presidente do BRB.
O que a decisão judicial e a PF apontam sobre a mudança de conduta?
O texto informa que a decisão de André Mendonça registra uma “mudança abrupta” no comportamento de Daniel Vorcaro em relação aos registros dos imóveis. Conforme a investigação, cópias das peças do procedimento sigiloso teriam sido enviadas ao banqueiro por mensagem em 24 de junho de 2025.
“Embora esse envio formal tenha ocorrido em data posterior a mudança abrupta de comportamento de Daniel Vorcaro com relação aos registros dos imóveis, o conjunto de elementos informativos colhidos até o momento aponta a alta probabilidade de que ele tenha tido ciência da instauração do procedimento antes do recebimento das respectivas cópias”.
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Com base nesses elementos, os investigadores sustentam que a interrupção dos repasses não teria ocorrido de forma espontânea, mas após o conhecimento prévio da apuração. A reportagem também relata que a investigação menciona um procedimento do Ministério Público Federal aberto em abril de 2025 para apurar o suposto pagamento de propina a Paulo Henrique Costa.
Quais valores e bens aparecem na investigação?
Segundo a PF, Paulo Henrique Costa, preso nesta quinta-feira, 16 de abril de 2026, teria acertado com Vorcaro o recebimento de R$ 146,5 milhões em propinas do Banco Master. A apuração citada pela reportagem afirma que o então executivo do BRB teria autorizado a compra de R$ 12 bilhões em créditos podres do Master pelo banco.
Os investigadores dizem ter identificado seis imóveis de luxo como forma de pagamento indevido, com repasses que teriam chegado a R$ 74 milhões. Ainda de acordo com a PF, os pagamentos não teriam sido concluídos integralmente porque Vorcaro teria tomado conhecimento da existência da investigação sigilosa.
- Valor total de propina apontado pela PF: R$ 146,5 milhões
- Valor em imóveis já identificado: R$ 74 milhões
- Quantidade de imóveis de luxo citada: seis
- Compra de créditos podres mencionada na apuração: R$ 12 bilhões
O que disseram a defesa de Paulo Henrique Costa e a assessoria de Vorcaro?
A reportagem informa que o Poder360 procurou a assessoria de Daniel Vorcaro para questionar se havia manifestação sobre o trecho da decisão, mas não houve resposta até a publicação. O veículo afirmou que o espaço permanece aberto para eventual posicionamento.
Já o advogado de Paulo Henrique Costa, Cleber Lopes, declarou a jornalistas, em frente à casa do ex-presidente do BRB, que a prisão foi “absolutamente desnecessária” e que a defesa analisaria o processo para recorrer. Ele também afirmou que, no entendimento inicial da defesa, o ex-executivo não representa risco à instrução criminal nem à aplicação da lei penal.
“No momento, a defesa considera que Paulo Henrique não representa nenhum perigo para a instrução e aplicação da lei penal. Ele está em liberdade desde a primeira fase da operação. Não há notícia de que tenha praticado qualquer fato que pudesse atentar contra a instrução criminal, a ordem pública ou a aplicação da lei penal; de maneira que a defesa considera, em um primeiro momento, a prisão absolutamente desnecessária”.
“A defesa vai examinar esse material ainda hoje. Não há nenhuma posição por enquanto, até que possamos entender melhor as razões da prisão”.
O caso envolve suspeitas investigadas pela Polícia Federal e foi descrito na decisão do STF que autorizou medidas da operação Compliance Zero. Até o momento, os elementos apresentados no texto tratam de apurações e alegações dos investigadores, ainda sujeitas ao andamento do processo e à manifestação das defesas.