A Universidade Federal do Rio Grande (FURG), no Sul do Rio Grande do Sul, inaugurou uma cuidoteca para atender filhos de estudantes durante o horário das aulas, com foco na permanência de pais e mães na graduação. A iniciativa foi apresentada em 19 de abril de 2026, no campus da universidade, como uma rede de apoio para reduzir a evasão acadêmica provocada, entre outros fatores, pela falta de um local seguro para deixar as crianças. De acordo com informações do g1, o espaço já começou a funcionar com atendimento voltado aos estudantes da instituição.
Segundo a reitora Suzane Gonçalves, a demanda por esse tipo de estrutura era antiga na comunidade acadêmica. A universidade aponta que a ausência de rede de apoio para estudantes com filhos pode levar ao abandono do curso, especialmente quando não há com quem deixar as crianças durante as aulas, inclusive no turno da noite.
O que é a cuidoteca criada pela FURG?
A cuidoteca é um espaço de recreação e cuidado para filhos de estudantes enquanto os responsáveis frequentam as aulas. Na FURG, a proposta é oferecer suporte para que pais e mães consigam acompanhar a rotina acadêmica com mais tranquilidade, sem precisar interromper a formação por falta de assistência no cuidado infantil.
O serviço funciona como uma medida de permanência estudantil. Na prática, estudantes podem deixar os filhos sob acompanhamento profissional durante o período das aulas. A reportagem cita o caso da estudante de licenciatura Vitória Alves, que passou a frequentar as aulas à noite enquanto o filho, Diogo, participa das atividades oferecidas no local.
“Fiquei muito feliz, porque eu fui pra minha aula e consegui estar lá”, comemora Vitória.
Outro estudante citado na reportagem, Robson Feitoza da Silva, também relatou maior tranquilidade para assistir às aulas com os filhos assistidos no espaço.
“Eu fico mais tranquilo, fico prestando mais atenção na aula ao invés de ficar mais preocupado com eles”, relata.
Por que a universidade considera o espaço importante?
De acordo com a reitora Suzane Gonçalves, estudos mencionados pela universidade indicam que a falta de uma rede de apoio pode contribuir para a evasão. A criação da cuidoteca busca enfrentar esse obstáculo com uma estrutura voltada especificamente a estudantes que conciliam maternidade ou paternidade com a vida acadêmica.
“A gente tem estudos que mostram que a ausência, às vezes, de uma rede de apoio para o estudante faz com que ele abandone a universidade”, afirma.
A medida também tem impacto na rotina universitária ao permitir que estudantes acompanhem as disciplinas com menos interrupções. Além do benefício direto às famílias atendidas, a proposta busca criar condições mais estáveis para a permanência nos cursos de graduação.
Como o projeto funciona e quantas crianças serão atendidas?
A cuidoteca da FURG integra um serviço público criado pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) para universidades federais. Segundo a reportagem, a FURG está entre as primeiras instituições do país a implementar a iniciativa, que começou como projeto piloto em 2025 na Universidade Federal Fluminense.
A diretora de Cuidados da Primeira Infância e da Pessoa Idosa do MDS, Maria Carolina Alves, afirmou que o projeto está sendo ampliado para mais oito universidades entre 2026 e 2027, com perspectiva de expansão futura para outras federais.
“Agora, [o projeto] amplia para mais oito universidades, executando agora em 2026 e 2027. E assim a gente vai ampliando, esperamos chegar aí nas Universidades Federais de todo o Brasil”, explica.
Na FURG, a estrutura deve atender 40 crianças. O projeto aproveita um espaço onde já funciona uma escola municipal dentro do campus durante o dia. O investimento anual informado na reportagem é de R$ 500 mil, e o benefício também será estendido às famílias da Educação de Jovens e Adultos.
- Atendimento previsto para 40 crianças
- Investimento anual de R$ 500 mil
- Uso de espaço já existente no campus
- Extensão do benefício a famílias da EJA
Quem atua no atendimento às crianças?
Os monitores responsáveis pelas crianças são estudantes da própria universidade, inclusive de cursos como Pedagogia. A proposta também tem dimensão formativa para esses alunos, que atuam no acompanhamento das atividades infantis dentro do projeto.
A monitora e estudante Luiza Santos afirmou que a experiência contribui para a formação profissional de quem participa da iniciativa. Com isso, a cuidoteca reúne dois objetivos descritos na reportagem: apoiar a permanência de estudantes com filhos e oferecer vivência prática a universitários envolvidos no atendimento.
“A gente aprende muito com as crianças, e no final da nossa graduação com certeza a gente se torna profissionais bem mais confiantes para atuar”, conta.