
Cubatão, no litoral de São Paulo, voltou ao debate ambiental ao ser citado como exemplo de recuperação após décadas associada à poluição extrema. O artigo publicado em 1º de abril de 2026 mostra como o município, localizado na Baixada Santista e integrado a uma das principais áreas industriais e logísticas do país, passou de alvo do rótulo de “Vale da Morte” ao reconhecimento por avanços ambientais, com entrada no grupo Tree Cities of the World. De acordo com informações do EcoDebate, a trajetória da cidade é apresentada como evidência de que a recuperação ambiental depende de presença do Estado, regulação, continuidade institucional e decisão política.
Assinado por Reinaldo Dias, o texto sustenta que o caso de Cubatão merece atenção porque sintetiza uma contradição recorrente no país: atividades econômicas altamente lucrativas podem concentrar ganhos privados e espalhar prejuízos sobre a coletividade, com impactos sobre o ar, a água, a paisagem e a saúde pública. Nesse contexto, a cidade se tornou símbolo de uma industrialização intensiva e mal controlada, mas também de um processo de reversão construído ao longo do tempo.
Como Cubatão se tornou símbolo de devastação ambiental?
Nas décadas de 1970 e 1980, Cubatão concentrava um dos principais polos industriais do país, com atividades de refino de petróleo, siderurgia, petroquímica, fertilizantes, cimento e química pesada. O artigo cita, entre os destaques históricos, a Refinaria Presidente Bernardes e a Companhia Siderúrgica Paulista, além de grandes unidades dos setores químico e de fertilizantes. Segundo o texto, a combinação entre concentração industrial, controle ambiental insuficiente e condições geográficas desfavoráveis à dispersão de poluentes levou a um quadro extremo de contaminação.
Cercada pela Serra do Mar, a cidade enfrentava uma condição que dificultava a dispersão de emissões atmosféricas. O resultado, de acordo com o artigo, foi a permanência do material tóxico sobre a cidade e áreas vizinhas, ampliando a exposição da população e agravando os danos ao meio ambiente. Foi nesse cenário que se espalharam expressões como “Vale da Morte” e “cidade mais poluída do mundo”, retomadas inclusive por reportagens posteriores para lembrar a gravidade da situação.
O texto também destaca que o problema não se limitava à fumaça visível ou ao mau cheiro. Tratava-se de um sistema amplo de contaminação, com emissões atmosféricas, despejos industriais e resíduos que afetavam simultaneamente rios, vegetação e saúde humana. Entre os dados mencionados no artigo, estudos acadêmicos indicam que, até julho de 1984, o Rio Cubatão recebia cerca de 64 toneladas por dia de poluentes. Já dados da CETESB citados pelo articulista apontam que, nos anos mais críticos, as indústrias lançavam diariamente quase mil toneladas de poluentes na atmosfera. A CETESB é a agência ambiental do Estado de São Paulo, responsável pelo licenciamento, monitoramento e fiscalização de fontes poluidoras.
Quais foram os impactos sobre a população e o território?
O artigo afirma que os efeitos sobre a saúde pública foram decisivos para transformar Cubatão em escândalo nacional e internacional. Relatos e estudos da época associaram a poluição intensa ao aumento de internações e mortes por doenças respiratórias, a lesões dermatológicas relacionadas à chuva ácida e a uma alta prevalência de câncer de pulmão. O texto também menciona a repercussão de casos de anencefalia e outras malformações congênitas, que ajudaram a ampliar a comoção em torno da situação da cidade.
A degradação, segundo o articulista, também atingiu fortemente a vegetação da Serra do Mar. Pesquisas e reconstituições históricas citadas no texto indicam que a poluição atmosférica contribuiu para a destruição de extensas áreas de cobertura vegetal, tornando visíveis nas encostas os efeitos cumulativos das emissões industriais. Assim, o desastre ambiental se expressava não apenas em indicadores técnicos, mas também na paisagem, nos rios e no cotidiano urbano.
- Poluição intensa do ar
- Contaminação hídrica por despejos industriais
- Degradação da vegetação da Serra do Mar
- Impactos sobre a saúde da população
- Exposição prolongada devido às condições geográficas
Como começou a recuperação ambiental de Cubatão?
De acordo com o artigo, a reversão do quadro não foi imediata nem resultado de uma única ação. O processo começou a se consolidar a partir dos anos 1980, quando a gravidade da crise deixou de poder ser ignorada. O texto atribui esse movimento à atuação da CETESB, à pressão pública, à maior visibilidade nacional e internacional do desastre e à necessidade de impor controles ao polo industrial.
O eixo da mudança, segundo o articulista, foi a adoção de medidas contínuas para reduzir emissões, controlar efluentes, monitorar fontes poluidoras e restaurar áreas degradadas. A leitura proposta pelo artigo é que Cubatão não autoriza uma narrativa simplificada de redenção, mas demonstra que um cenário de devastação profunda pode começar a ser revertido quando há controle público efetivo e continuidade institucional.
Ao tratar Cubatão como referência ambiental, o texto não apaga a gravidade do passado. Ao contrário, sustenta que a principal lição do município para o Brasil está justamente no contraste entre a destruição produzida por uma industrialização sem contenção e a recuperação construída por políticas persistentes. Nesse sentido, a experiência da cidade é apresentada como um alerta sobre os custos da omissão regulatória e, ao mesmo tempo, como evidência de que a recuperação ambiental exige tempo, decisão política e ação estatal consistente. O caso também ganhou relevância nacional porque Cubatão faz parte do entorno do Porto de Santos, área estratégica para a logística e a indústria brasileiras, o que amplia o alcance econômico e ambiental das decisões tomadas no município.