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Crime organizado de resíduos avança no Reino Unido em meio a falhas de fiscalização

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O avanço do crime organizado de resíduos no Reino Unido tem levado à multiplicação de lixões ilegais, com impactos sobre bairros, rios, solos e áreas protegidas, segundo um artigo de George Monbiot publicado em 1º de abril de 2026. O texto afirma que a combinação de baixa fiscalização, cortes em órgãos reguladores e punições consideradas insuficientes favoreceu a expansão desse mercado ilegal, que atua com descarte clandestino de lixo em áreas rurais, reservas naturais e espaços urbanos. No Brasil, o tema também tem relevância ambiental e econômica: a Política Nacional de Resíduos Sólidos estabelece regras para destinação adequada e responsabilidade compartilhada pelo ciclo dos materiais, enquanto o tráfico e o descarte irregular de resíduos podem afetar solo, recursos hídricos e a saúde pública.

De acordo com informações do Guardian Environment, um relatório do comitê de contas públicas da Câmara dos Comuns apontou na semana anterior à publicação que o despejo ilegal de resíduos está “fora de controle”. O Reino Unido teria hoje entre 8.000 e 13.000 locais ilegais de descarte, variando de pequenos depósitos a áreas com dezenas de milhares de toneladas de resíduos, inclusive materiais potencialmente tóxicos, inflamáveis ou explosivos.

Como o descarte ilegal de resíduos se tornou um negócio lucrativo?

Segundo o artigo, o esquema funciona porque o responsável pelo transporte do lixo recebe para recolher e dar destinação adequada ao material, mas, em vez de encaminhá-lo a um aterro licenciado, despeja a carga em locais irregulares. Com isso, deixa de pagar custos como transporte regular, taxas e cobranças de aterros autorizados, embolsando a diferença. O texto menciona um ganho de cerca de £2.500 por carga de caminhão articulado.

Monbiot sustenta que a fragilidade da fiscalização tornou o setor atraente para grupos criminosos. O artigo cita ainda um relatório do comitê de meio ambiente e mudança climática da Câmara dos Lordes, segundo o qual o crime de resíduos passou a funcionar como porta de entrada para outras atividades ilícitas, como tráfico de drogas, armas, lavagem de dinheiro, fraude e escravidão moderna.

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Quais casos citados ilustram a dimensão do problema?

Um dos exemplos mencionados é o de Bickershaw, perto de Wigan, onde um depósito ilegal de 25.000 toneladas teria provocado fechamento de escola primária, proliferação de ratos e moscas e prejuízos a moradores e comerciantes. Conforme o artigo, as denúncias começaram no fim de 2024. Embora a Environment Agency, órgão ambiental responsável pela regulação e fiscalização na Inglaterra, tenha aberto o que chamou de grande investigação criminal, imagens de drone feitas em meados de fevereiro de 2026 ainda mostrariam atividade no local.

Outro caso relatado envolve as margens do rio Cherwell, ao norte de Oxford. O texto diz que, após o início do descarte no verão de 2025, pescadores, vizinhos e proprietários denunciaram a movimentação de caminhões. A resposta da agência ambiental teria se limitado a uma ordem para cessar a atividade. Segundo o artigo, o acesso ao local não foi bloqueado de imediato, e o despejo continuou até formar uma montanha de 20.000 toneladas de resíduos, depois classificada como incidente crítico.

Em Hoad’s Wood, no condado de Kent, o artigo afirma que moradores denunciaram em 2020 a remoção ilegal de árvores em uma floresta antiga protegida. Entre 2020 e 2023, mais de 30.000 toneladas de resíduos de construção e lixo doméstico teriam sido despejadas na área. A restrição formal ao local só teria sido imposta em janeiro de 2024, e três homens foram presos em fevereiro de 2025, de acordo com o texto.

Quais são os custos e as críticas às políticas públicas?

O artigo afirma que a limpeza de Hoad’s Wood deve custar £15 milhões aos contribuintes. Em tom crítico, Monbiot argumenta que sucessivos governos reduziram recursos de monitoramento e aplicação da lei, mantendo formalmente as proteções, mas esvaziando sua execução prática. Na avaliação do colunista, isso criou um ambiente favorável à expansão acelerada do descarte ilegal.

Entre os principais pontos citados no texto estão:

  • existência de 8.000 a 13.000 locais ilegais de descarte no Reino Unido;
  • lucro estimado de cerca de £2.500 por carga de caminhão descartada ilegalmente;
  • custos anuais de £1 bilhão para a economia da Inglaterra, segundo estimativa mencionada no artigo;
  • risco de contaminação de rios, solo e aquíferos por resíduos tóxicos;
  • custo de £15 milhões para limpar apenas um dos locais citados, Hoad’s Wood.

O texto também menciona que o governo publicou, em meados de março de 2026, um plano de ação contra o crime de resíduos, com aporte adicional de £15 milhões por ano para fiscalização. Para o autor, porém, a medida é insuficiente diante da escala do problema e contraditória com uma agenda mais ampla de desregulação. Para o leitor brasileiro, o caso chama atenção porque o controle sobre transporte, tratamento e destinação final de resíduos é um tema comum a vários países e também envolve riscos de crimes ambientais transnacionais, inclusive em fluxos de importação e exportação de materiais. A argumentação central do artigo é que a combinação entre subfinanciamento e enfraquecimento regulatório permitiu que o descarte ilegal se consolidasse como uma atividade criminosa altamente rentável e de grande impacto ambiental.

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