A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado ouvirá nesta quarta-feira (8 de abril), às 9h, o atual presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, e o seu antecessor, Roberto Campos Neto. Os depoimentos ocorrerão no Senado Federal, em Brasília, e têm como objetivo central investigar a atuação do órgão regulador financeiro em relação ao liquidado Banco Master e ao seu ex-controlador, o empresário Daniel Vorcaro.
De acordo com informações da Agência Senado, a audiência pretende aprofundar as investigações sobre possíveis interferências políticas e institucionais que possam ter facilitado operações suspeitas dentro do sistema financeiro nacional. A sessão será interativa, permitindo a participação popular através dos canais de comunicação da Casa Legislativa.
Por que Roberto Campos Neto foi convocado pela comissão?
A convocação do ex-presidente do Banco Central, que comandou a autarquia entre os anos de 2019 e 2024 (quando se encerrou o seu mandato estabelecido pela lei de autonomia do BC), foi motivada por um requerimento do senador Alessandro Vieira (MDB-SE). Os parlamentares buscam entender os critérios técnicos de idoneidade que a instituição exigia de novos controladores de bancos durante a sua gestão.
O foco recai especificamente sobre o ano de 2019, quando o Banco Central autorizou Daniel Vorcaro a assumir o controle do então Banco Máxima, que posteriormente mudaria seu nome para Banco Master. A comissão avalia os desdobramentos da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal, que apura se servidores públicos atuaram de forma ilegal para proteger os interesses da referida instituição financeira privada.
Para o relator da comissão, o ex-chefe da autoridade monetária é considerado uma testemunha qualificada para a investigação. O parlamentar destacou no requerimento aprovado:
“A experiência acumulada por Roberto Campos Neto à frente do Banco Central o coloca em posição privilegiada para contribuir com uma dimensão prospectiva igualmente importante para esta Comissão: a identificação de lacunas regulatórias e a proposição de aperfeiçoamentos institucionais que possam fortalecer a capacidade do sistema financeiro nacional de resistir à infiltração de organizações criminosas.”
Quais as justificativas para o convite a Gabriel Galípolo?
O atual presidente do Banco Central comparecerá à sessão atendendo a um convite formulado pelo senador Eduardo Girão (Novo-CE). O escopo do depoimento de Galípolo diverge temporalmente da oitiva de seu antecessor, concentrando-se em eventos ocorridos no final do ano de 2024.
O requerimento baseia-se em relatos sobre um encontro realizado no Palácio do Planalto no mês de novembro do último ano. Segundo as informações levadas à comissão, a reunião contou com a presença do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, de Gabriel Galípolo — que, na época, exercia o cargo de diretor de Política Monetária do BC —, de outros agentes públicos e do empresário investigado Daniel Vorcaro.
O objetivo dos senadores é questionar a finalidade institucional deste encontro governamental, especialmente considerando as suspeitas de irregularidades que pairam sobre o empresário. O autor do convite justificou a necessidade de oitiva na comissão:
“A oitiva pretendida não se dirige à atividade técnica do Banco Central em si, mas à necessidade de assegurar transparência institucional e afastar quaisquer dúvidas sobre eventual interferência política ou econômica indevida em processos de fiscalização e controle do sistema financeiro, temas diretamente relacionados ao objeto desta CPI.”
Quais são os principais pontos de investigação da CPI sobre o caso?
A sessão agendada representa um marco nas atividades da CPI do Crime Organizado, pois une as duas últimas gestões da principal autoridade monetária do país no mesmo ambiente de questionamento. Os senadores pretendem cruzar as informações sobre as aprovações regulatórias iniciais com os recentes contatos políticos dos investigados.
O roteiro das oitivas deve seguir uma linha de apuração focada em esclarecer possíveis vulnerabilidades no sistema bancário. Os parlamentares concentrarão suas perguntas nos seguintes aspectos centrais:
- Os critérios adotados pelo Banco Central para avaliar a idoneidade financeira e moral de novos controladores de instituições de crédito.
- As supostas ações ou omissões de servidores públicos atualmente investigados pela Polícia Federal por corrupção.
- O teor e as justificativas para a reunião realizada no Palácio do Planalto entre a alta cúpula do governo federal e o antigo controlador do banco.
- A formulação de novas medidas regulatórias eficazes para impedir a lavagem de dinheiro e a infiltração de grupos ilícitos na economia formal.
