A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, afirmou neste domingo (22 de março de 2026), em Campo Grande (MS), que a COP15 sobre espécies migratórias é uma oportunidade para líderes mundiais demonstrarem que a cooperação e a solidariedade podem superar o contexto geopolítico atual, marcado por guerras bélicas e tarifárias. Segundo a ministra, o encontro busca ampliar a cooperação internacional para enfrentar desafios ligados à conservação da biodiversidade, em especial de animais silvestres que atravessam fronteiras entre países. De acordo com informações da Agência Brasil, a conferência reúne representantes de 132 países e da União Europeia.
A declaração foi feita na abertura da sessão de alto nível que antecede a 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Espécies Migratórias de Animais Silvestres. O evento é realizado no Mato Grosso do Sul e terá programação oficial entre segunda-feira (23 de março de 2026) e domingo (29 de março de 2026), com plenárias, apresentações de estudos científicos, reuniões técnicas e atividades abertas ao público sobre biodiversidade e mudanças climáticas. A conferência integra a Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres, conhecida pela sigla CMS em inglês.
O que Marina Silva disse na abertura da COP15?
Ao defender uma resposta conjunta entre os países, a ministra associou o tema da proteção das espécies migratórias à necessidade de fortalecer o multilateralismo. Em seu discurso, ela afirmou que a dinâmica da natureza mostra a importância da cooperação internacional diante de problemas que ultrapassam limites territoriais.
“Esses animais silvestres nos ensinam que, tal como a natureza não reconhece fronteiras, a cooperação e a solidariedade também têm o poder de flexibilizá-las em prol do bem comum”.
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Na sequência, Marina Silva disse que o cenário global de incertezas tem sido agravado por medidas unilaterais e defendeu a conferência como um espaço de defesa da atuação conjunta entre as nações.
“Diante de tantas incertezas, a cada dia, agravadas em função de medidas unilaterais, façamos desta COP15 um verdadeiro momento de contundente defesa do multilateralismo, a única forma de resolvermos os nossos problemas”.
Por que a ministra relacionou biodiversidade e crise climática?
Marina Silva destacou que o desafio atual não se limita ao ambiente diplomático internacional. Segundo ela, a crise climática e a perda de biodiversidade já afetam diferentes formas de vida, inclusive milhões de pessoas, com impacto mais intenso sobre os grupos socialmente mais vulneráveis.
No discurso, a ministra citou dados da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) para comparar o período entre a COP-11 da convenção, realizada no Equador em 2014, e a atual edição sediada no Brasil. De acordo com a fala reproduzida pela Agência Brasil, o panorama social divulgado no fim do ano passado aponta que 9,8% da população latino-americana vive em pobreza extrema, índice 2,1 pontos percentuais superior ao registrado em 2014.
Como será a programação da conferência em Campo Grande?
A programação oficial da COP15 começa nesta segunda-feira (23 de março de 2026) e segue até domingo (29 de março de 2026), em Campo Grande. Ao longo da semana, a agenda inclui atividades voltadas à tomada de decisões e à discussão técnica e científica sobre conservação de espécies migratórias.
- plenárias para tomada de decisões;
- apresentações de estudos científicos;
- reuniões técnicas na chamada Zona Azul;
- programação aberta ao público com palestras e experiências imersivas;
- atividades sobre biodiversidade e mudanças climáticas.
O encontro reúne países signatários da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres, conhecida pela sigla CMS em inglês. O objetivo central é ampliar a cooperação entre governos diante de problemas ambientais que exigem ação articulada entre diferentes territórios.
Ao sediar a conferência, o Brasil recebe uma agenda internacional voltada à proteção de espécies que dependem de rotas entre países para sobreviver. No discurso de abertura, Marina Silva vinculou esse debate à necessidade de respostas multilaterais tanto para a conservação da biodiversidade quanto para os efeitos sociais e ambientais da crise climática.
