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COP15 aprova proteção internacional para bagres da Amazônia e ariranhas

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Uma ariranha nadando em águas escuras da Amazônia, com a cabeça fora da superfície.
Foto: Autor / Flickr (CC BY)

A 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Espécies Migratórias de Animais Silvestres (COP15), realizada em Campo Grande em março de 2026, aprovou novas medidas internacionais para a preservação de animais sul-americanos e marinhos. A conferência ocorreu na capital de Mato Grosso do Sul, estado que abriga parte do Pantanal, um dos principais biomas associados à conservação da fauna no Brasil. O evento estabeleceu o Plano de Ação para Grandes Bagres Migratórios Amazônicos e garantiu a inclusão da ariranha na Convenção sobre Espécies Migratórias (CMS). A iniciativa visa combater o risco de extinção e fortalecer a cooperação entre os países para proteger os habitats aquáticos e as rotas migratórias dessas espécies fundamentais para o ecossistema.

De acordo com informações do Projeto Colabora, a articulação para a defesa dos bagres, como a dourada e a piramutaba, foi liderada pelo governo do Brasil. A medida também contou com a participação da Bolívia, da Colômbia, do Equador, do Peru e da Venezuela, todos atuando por meio da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica, bloco que reúne os países amazônicos em pautas de cooperação regional.

A pesquisadora Mariana Frias, analista de conservação da organização social WWF-Brasil, ressalta que a proteção abrange toda a biodiversidade aquática e garante a segurança alimentar das populações locais. A especialista alerta sobre o impacto das atividades humanas, como a construção de barragens hidrelétricas, na conectividade dos rios.

Os grandes bagres, assim como os golfinhos de rio, são espécies sentinelas que dependem dos rios de livre fluxo para viajar centenas de quilômetros e cumprir seu ciclo de vida.

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Por que a ariranha entrou na lista de proteção internacional?

A ariranha, considerada a maior lontra do mundo, é um mamífero semiaquático que habita exclusivamente a América do Sul. No território brasileiro, a espécie é encontrada principalmente no Pantanal e na Amazônia. Historicamente, a caça predatória para abastecer o mercado de peles causou o desaparecimento do animal em partes de sua distribuição original, como na Argentina. Com a recente decisão da COP15, a espécie passa a integrar oficialmente a lista de proteção da CMS, tratado internacional da ONU voltado à conservação de animais migratórios.

A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, celebrou o avanço nas redes sociais, destacando que a proteção internacional exige ação imediata e conjunta para garantir a sobrevivência da espécie e a manutenção do equilíbrio dos ecossistemas.

Como a COP15 decidiu o futuro dos tubarões ameaçados?

As negociações na conferência também definiram o futuro de três espécies de tubarão-raposa. Diante da falta de consenso entre as delegações, a cúpula recorreu a uma votação, um procedimento considerado incomum na dinâmica da convenção. A decisão aprovou a inclusão das espécies no Anexo I, que impõe as regras mais rígidas de conservação, e no Anexo II, voltado para a cooperação internacional.

Os tubarões protegidos pela nova resolução incluem:

  • Tubarão-raposa-pelágico, classificado como em perigo de extinção pela União Internacional para a Conservação da Natureza.
  • Duas outras espécies do gênero Alopias, atualmente categorizadas como vulneráveis.

Os países que defenderam a aprovação argumentaram que a pressão pesqueira exige uma abordagem preventiva imediata. Por outro lado, os representantes contrários demonstraram preocupação de que restrições severas possam incentivar o mercado ilegal. O impasse foi superado na votação, garantindo o status de proteção máxima aos predadores marinhos.

Além dos mamíferos e predadores de grande porte, a plenária aprovou por consenso a inclusão de outras espécies fundamentais que habitam ou transitam pelo Brasil. Entre os indicados para o Anexo I estão o maçarico-de-bico-virado, que cruza o país anualmente, e o maçarico-de-perna-amarela, que utiliza as áreas úmidas brasileiras como pontos de parada. O tubarão Sphyrna lewini e o Sphyrna mokarran, ambos registrados no litoral nacional, também receberam a chancela de proteção extrema.

Para o Anexo II, as recomendações internacionais contemplam a ave Ardenna carneipes, o cação-cola-fina, encontrado no sul do país, e o surubim-pintado, um peixe migratório de água doce muito comum nas bacias hidrográficas do Brasil. A estratégia global exige agora que os países promovam cadeias produtivas sustentáveis e integrem as comunidades locais e indígenas no monitoramento ambiental.

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