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Conflitos no campo caem, mas assassinatos dobram no Brasil em 2025

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O número de conflitos no campo caiu em 2025, mas a violência letal aumentou no Brasil, segundo dados divulgados nesta segunda-feira (27), em Brasília, pela Comissão Pastoral da Terra. O relatório mostra 1.593 conflitos registrados no ano passado, abaixo dos 2.200 casos do ano anterior, mas com 26 pessoas assassinadas em disputas no meio rural. De acordo com informações da Radioagência Nacional, os dados integram a 40ª edição do relatório Conflitos no Campo 2025.

Segundo o levantamento, Maranhão, Pará e Bahia concentram o maior número de ocorrências. As principais vítimas são indígenas, posseiros, quilombolas e comunidades sem terra. Já entre os apontados como agressores estão fazendeiros, empresários e também governos.

O que explica o aumento das mortes mesmo com menos conflitos?

Embora o número total de ocorrências tenha recuado, a gravidade da violência aumentou. O relatório registra 26 assassinatos no campo em 2025. A coordenadora nacional da Comissão Pastoral da Terra, Cecília Gomes, destacou que dois desses casos foram massacres, com três vítimas em cada episódio.

“Desses 26 assassinatos, dois foram massacres, com três vítimas em cada um dos massacres. E um dos massacres teve também a vida de uma mulher ceifada nesse processo. Nesse rol da violência no campo, esse é o número que nos choca, porque não é só número: são vidas, são comunidades, são organizações, são famílias”.

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O balanço reforça que a redução no total de conflitos não significou diminuição da pressão sobre comunidades rurais. Ao contrário, a escalada dos assassinatos indica um agravamento da violência em disputas por território e permanência na terra.

Quais foram os tipos de conflito mais registrados?

A maior parte das ocorrências envolveu conflitos pela terra. Foram 1.186 casos relacionados à violência por ocupação e posse. Já as ações de retomada de áreas, como acampamentos, somaram 100 registros.

O relatório também contabilizou 148 ocorrências ligadas à disputa por água. Entre as situações relatadas estão destruição e poluição de mananciais, impedimento de acesso à água e pesca predatória.

  • 1.593 conflitos no total em 2025
  • 1.186 casos de violência por ocupação e posse da terra
  • 100 ações de retomada de áreas
  • 148 ocorrências relacionadas à disputa por água
  • 26 assassinatos registrados no campo

Quais casos ilustram a situação apontada no relatório?

Um dos exemplos citados é o da comunidade tradicional de seringueiros da reserva extrativista Jaci Paraná, em Rondônia. Lincoln Fernandes afirmou que foi expulso da área por fazendeiros. Segundo ele, há ainda registros de assassinatos e de trabalho análogo ao escravo na região, além da possibilidade de uma lei conceder o título da terra aos ocupantes.

“O maior interesse ali é político. Tão dizendo que são pequenos agricultores, mas se forem ver, são fazendas gigantescas, tem pista de avião lá dentro, tem 218 mil cabeças de gado, e várias mansões lá dentro. Então assim, tão tentando expulsar o resto dos moradores que têm lá — ainda estão lá morando 26 famílias. Eu fui expulso de lá, da minha colocação, me ameaçaram de morte”.

Além dos conflitos fundiários, o documento aponta 159 registros de trabalho análogo ao escravo no campo, com 1.991 trabalhadores resgatados. Um dos destaques mencionados foi uma obra de usina em Mato Grosso, onde 586 pessoas foram resgatadas.

Os dados divulgados pela Comissão Pastoral da Terra indicam que a redução numérica dos conflitos rurais não foi acompanhada por queda na violência mais extrema. O relatório sugere um cenário em que menos ocorrências formais conviveram com episódios mais graves, atingindo principalmente comunidades tradicionais e trabalhadores do campo.

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