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Utah aprova lei que blinda empresas fósseis de ações climáticas

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Aerial shot of an industrial plant emitting smoke in Lindon, Utah with mountains in the background.
Aerial shot of an industrial plant emitting smoke in Lindon, Utah with mountains in the background. Foto: Luke Nomad — Pexels License (livre para uso)

O estado norte-americano de Utah promulgou no início de abril de 2026 uma legislação que torna praticamente impossível para os residentes processarem empresas de combustíveis fósseis por danos climáticos. A medida, assinada pelo governador republicano Spencer Cox, exige provas de violações específicas de licenças ambientais para que as companhias sejam responsabilizadas civil ou criminalmente.

A criação desse precedente legal nos Estados Unidos é acompanhada com atenção por juristas no Brasil, país onde o litígio climático tem crescido nos tribunais para responsabilizar empresas e entes públicos por emissões de carbono, desmatamento e desastres ambientais. De acordo com informações do Guardian Environment publicadas em 6 de abril, a nova lei estadual atende a um forte movimento de lobby liderado por grandes petrolíferas e aliados políticos conservadores. O objetivo central é garantir imunidade legal nos níveis estadual e federal para o setor energético.

Como a nova legislação de Utah protege as indústrias poluidoras?

A lei estadual, conhecida como projeto 222, estabelece que qualquer pessoa ou entidade está isenta de responsabilidades civis ou criminais relacionadas às emissões de gases de efeito estufa que aquecem o planeta. A exceção ocorre apenas se um tribunal determinar que o réu violou uma limitação específica e aplicável ou os termos expressos de uma licença ambiental válida.

Além disso, os autores das ações judiciais precisarão apresentar provas claras e convincentes de que o dano ou a lesão inevitável e identificável resultou diretamente dessa violação. Especialistas alertam que essa linguagem jurídica cria uma barreira intransponível para processar empresas de combustíveis fósseis com sucesso.

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O projeto foi patrocinado pelo deputado estadual republicano Carl Albrecht, que possui histórico como diretor executivo de uma cooperativa elétrica rural abastecida substancialmente por energia fóssil. Albrecht argumentou que a política visa conter desafios legais que ele considera frívolos e proteger as usinas termelétricas a carvão do estado.

Quais são as reações de cientistas e grupos de defesa do meio ambiente?

A aprovação da medida gerou forte oposição de entidades científicas e organizações de defesa do clima. A principal crítica é que a legislação prioriza o lucro corporativo em detrimento da saúde e da segurança das populações afetadas pelas mudanças climáticas.

Esta é uma rendição aos ricos interesses especiais e uma afronta ao bem público. A nova lei de Utah prioriza os lucros dos maiores poluidores sobre as comunidades que já sofrem com os impactos climáticos e os eleitores deveriam estar indignados.

A declaração acima é de Delta Merner, cientista líder do núcleo de litígio climático da organização Union of Concerned Scientists. Segundo ela, a manobra em Utah faz parte de uma articulação coordenada e financiada por organizações conservadoras, como a Consumers Defense, que tem ligações com o ativista político Leonard Leo.

Por que outras regiões dos Estados Unidos planejam adotar leis semelhantes?

A pressão por imunidade não se restringe a Utah. O texto aprovado no estado espelha uma política modelo chamada Lei de Liberdade de Energia, que visa impedir que as emissões de carbono gerem automaticamente danos legais e transferir a decisão sobre políticas climáticas dos tribunais para os legisladores eleitos.

Diante do avanço de dezenas de ações judiciais de responsabilização climática movidas por indivíduos, cidades e governos estaduais contra as gigantes do petróleo, outros legislativos estaduais começaram a agir para barrar os processos:

  • Legisladores da Louisiana e de Oklahoma estão analisando projetos de lei com diretrizes idênticas de proteção.
  • As assembleias legislativas de Iowa e do Tennessee já votaram para aprovar legislações que limitam a responsabilidade climática, aguardando apenas a sanção final.
  • No âmbito federal, a deputada Harriet Hageman confirmou que está trabalhando na elaboração de uma legislação nacional para combater os litígios que afetam as empresas petrolíferas.

O que o histórico de outros setores revela sobre a busca por imunidade legal?

A estratégia atual reflete táticas já utilizadas por outros grandes setores da economia americana. Em 2005, a indústria de armas de fogo conseguiu a aprovação de uma lei que a protege de ações de negligência, praticamente paralisando os julgamentos contra fabricantes de armamentos desde então.

O setor de defensivos agrícolas também busca projetos de imunidade em nível estadual, após tentativas frustradas de obter uma isenção federal. O instituto American Petroleum Institute já declarou que bloquear litígios climáticos será uma de suas prioridades máximas para o ano de 2026.

Por outro lado, o precedente da indústria do tabaco serve como um alerta para o setor energético. Na década de 1990, as empresas de cigarros tentaram aprovar uma imunidade legal abrangente, mas falharam. Como resultado, enfrentaram uma onda de processos bem-sucedidos e acabaram pagando US$ 260 bilhões em acordos judiciais. Especialistas avaliam que as companhias de petróleo tentam atualmente evitar esse mesmo destino financeiro e jurídico.

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