Cientistas resgatam centenas de tartarugas presas na lama em pântanos da Austrália - Brasileira.News
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Cientistas resgatam centenas de tartarugas presas na lama em pântanos da Austrália

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Cientistas e pesquisadores da Universidade da Nova Inglaterra (UNE) iniciaram uma operação de resgate emergencial para salvar mais de 300 tartarugas-de-carapaça-larga que ficaram presas na lama profunda do curso d’água Gingham, localizado nos pântanos de Gwydir, em Nova Gales do Sul, na Austrália. O incidente crítico ocorreu após a interrupção deliberada dos fluxos de água ambientais na região, deixando os animais confinados em um ambiente de seca extrema e risco iminente de morte por desidratação e asfixia sob o barro endurecido.

De acordo com informações do The Guardian, a crise ambiental foi desencadeada quando a WaterNSW, a agência estadual de águas, interrompeu a liberação de recursos hídricos destinados à preservação. A decisão teria sido tomada após a reclamação de um proprietário de terras local sobre o transbordamento de água em sua propriedade privada, o que levou ao fechamento das comportas e ao subsequente esgotamento do leito onde os animais habitavam.

Por que a situação das tartarugas é considerada um desastre ambiental?

A situação é descrita como um desastre pelos especialistas que atuam no local, uma vez que a fauna local foi subitamente privada de seu habitat essencial. A bióloga de conservação da UNE, professora Debbie Bower, classificou a cena como devastadora. Segundo a pesquisadora, as tartarugas estão sendo forçadas a cavar para dentro da lama úmida remanescente na tentativa de sobreviver, mas acabam ficando presas à medida que o terreno seca completamente.

“Essas mortes são incompreensíveis, dado que há água ambiental parada na represa. Isso poderia salvar as tartarugas, mas a WaterNSW simplesmente não está permitindo sua liberação”

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Imagens fornecidas pelo gabinete da parlamentar Cate Faehrmann, membro do conselho legislativo pelo Partido Verde, mostram o esforço físico exaustivo dos cientistas para desenterrar os espécimes manualmente. A operação de resgate envolve a identificação de pequenas bolhas ou depressões na lama seca que indicam a presença de uma tartaruga enterrada viva.

Quais são os principais fatores que impedem o salvamento imediato?

O impasse entre a conservação da biodiversidade e a gestão de recursos hídricos em propriedades privadas é o ponto central do conflito em Nova Gales do Sul. A equipe de resgate destacou alguns pontos críticos sobre a atual gestão da crise:

  • A existência de reservas hídricas suficientes em represas próximas que não estão sendo liberadas.
  • A priorização de reclamações de proprietários rurais sobre as necessidades ecológicas dos pântanos.
  • O tempo limitado para resgate antes que a lama se torne impenetrável ou os animais morram por exaustão.
  • A falta de um plano de contingência por parte da agência WaterNSW para evitar o confinamento da fauna em períodos de seca.

Como a comunidade científica está reagindo ao bloqueio da água?

A comunidade científica e defensores do meio ambiente expressam frustração com a burocracia estatal. A professora Debbie Bower reforça que a solução técnica é simples e imediata: a abertura controlada das comportas para restaurar o fluxo hídrico mínimo necessário. Enquanto a liberação oficial não ocorre, os pesquisadores dependem de esforços manuais para transportar os animais para áreas que ainda retêm alguma umidade, embora a escala do problema — com mais de 300 indivíduos afetados — torne o processo extremamente lento.

O caso levanta um debate jurídico e ético sobre a gestão hídrica em Nova Gales do Sul, especialmente em relação ao uso de “água ambiental”, que é reservada por lei para manter a saúde dos ecossistemas. A recusa da agência em liberar esses fundos hídricos, mesmo diante de uma mortandade em massa visível, está sendo alvo de questionamentos parlamentares e pressão de organizações de proteção à vida selvagem.

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