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China reduz competição escolar para conter ansiedade de alunos, pais e natalidade

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A China orientou escolas a reduzir a competição por notas entre os estudantes mais jovens em uma tentativa de aliviar a pressão sobre alunos e pais, diminuir a ansiedade ligada ao desempenho escolar e enfrentar um contexto de queda na natalidade. As medidas foram reforçadas pelo Ministério da Educação em fevereiro, com diretrizes enviadas às autoridades locais, após restrições anunciadas em dezembro para limitar testes no ensino fundamental e médio. De acordo com informações do Valor Econômico, o governo tenta tornar a educação menos estressante diante da avaliação de que a pressão pelo sucesso acadêmico desestimula muitas famílias a terem filhos.

As diretrizes mais recentes enfatizam uma visão de “saúde em primeiro lugar”, com foco no controle emocional e na redução do estresse. A iniciativa se soma a uma série de ações já adotadas para limitar a centralidade das provas e reduzir a sobrecarga escolar, em um sistema educacional marcado por forte disputa por desempenho.

Quais medidas foram adotadas nas escolas chinesas?

Entre as mudanças anunciadas, o ministério proibiu provas escritas nos dois primeiros anos do ensino fundamental. Nas demais séries do fundamental, as escolas podem aplicar apenas uma prova por semestre. As notas, por sua vez, não podem ser classificadas nem divulgadas publicamente, devendo ser informadas somente aos alunos e aos pais.

O governo também vetou a prática de várias escolas de uma mesma região realizarem exames unificados, exceto na série mais avançada. Segundo a Televisão Central da China, algumas unidades reduziram o tempo de aula para que os estudantes resolvessem repetidamente exercícios voltados a essas avaliações, prática agora colocada sob restrição.

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  • proibição de provas escritas nos dois primeiros anos do fundamental;
  • limite de uma prova por semestre nas demais séries do fundamental;
  • vedação à divulgação pública e ao ranqueamento de notas;
  • restrição a provas unificadas entre escolas, salvo na série mais avançada.

Por que a saúde mental entrou no centro da política educacional?

Em outubro, o Ministério da Educação já havia divulgado 10 medidas para melhorar a saúde mental de estudantes jovens. Entre elas estavam ações para prevenir excesso de tarefas e a chamada “competição desordenada”, apontada como fator que prejudica o sono e amplia a pressão sobre crianças e adolescentes.

Os intervalos entre as aulas também foram ampliados de 10 para 15 minutos, e os alunos passaram a ser incentivados a permanecer mais tempo em atividades ao ar livre. A intenção, segundo o texto original, é reduzir problemas de saúde como a miopia. Li, professor do ensino fundamental em Dalian, afirmou que 95% dos alunos de sua turma usam óculos.

Como a pressão escolar se relaciona com a queda da natalidade?

Segundo a reportagem, o governo chinês tenta responder à preocupação de que a pressão para assegurar o sucesso das crianças esteja ajudando a derrubar a taxa de natalidade. Em estudo citado no texto, Zhai Zhenwu, professor de sociologia da Universidade Renmin da China, e colegas entrevistaram mais de 8 mil pessoas entre 2023 e 2024, incluindo casais sem filhos, para identificar fatores sociais que influenciam a decisão de ter ou não filhos.

Além do peso econômico da compra de uma casa, muitos entrevistados mencionaram a ansiedade relacionada à educação. Os relatos indicaram uma tendência de pais assumirem responsabilidade total pela educação básica, algo que normalmente caberia às escolas.

“Esta é uma sociedade onde as pessoas que se saem bem nos exames de admissão à universidade recebem um tratamento melhor mais tarde na vida”, disse uma mulher de Dalian com um filho na terceira série.

“É por isso que a educação é a principal prioridade para os pais”, disse ela. “Acho inevitável que a competição se intensifique.”

“Não é incomum que a competição excessiva prejudique o relacionamento entre pais e filhos”, disse a mulher de Dalian.

As ações atuais dão continuidade a políticas anteriores?

Sim. Em 2021, a China lançou a política de “dupla redução” para limitar dever de casa e aulas particulares extracurriculares, com o objetivo de diminuir a competição acadêmica. O governo também reforçou o controle de preços e outras regulações sobre serviços de reforço escolar, buscando reduzir custos e aliviar a pressão fora da sala de aula.

Agora, o foco se volta com mais força para o ambiente escolar. A mudança ocorre após questionamentos sobre a eficácia das medidas anteriores. Ainda assim, a competição acadêmica segue profundamente enraizada no país, em especial por causa dos exigentes exames de acesso à universidade, como o gaokao.

Os dados citados pela reportagem mostram a dimensão do desafio: o número de nascimentos na China, que superou 10 milhões em 2021, caiu para menos de 8 milhões em 2025, segundo o Departamento Nacional de Estatísticas. Nesse cenário, a redução da pressão educacional passou a integrar a estratégia oficial para tentar aliviar a ansiedade das famílias.

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