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China e Estados Unidos disputam poder global em nova inflexão econômica

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China e Estados Unidos são colocados no centro de uma análise sobre a reorganização do poder global, publicada nesta sexta-feira, 24 de abril de 2026, pela Revista Fórum. O artigo de opinião compara a pressão exercida por Washington sobre o Japão nos anos 1980 com as atuais tensões envolvendo Pequim, argumentando que decisões políticas, disputas tecnológicas e instrumentos econômicos seguem moldando a ordem internacional em um cenário de forte interdependência.

De acordo com informações da Revista Fórum, o texto é assinado por Washington Araújo e sustenta que mudanças econômicas de grande escala não decorrem de acaso, mas de decisões políticas deliberadas, vinculadas a interesses estratégicos e executadas com impacto global.

O que a comparação com o Japão busca mostrar?

O artigo recupera o contexto do Acordo de Plaza, firmado em 22 de setembro de 1985, em Nova York, por Estados Unidos, Japão, Alemanha Ocidental, França e Reino Unido. Segundo o texto, duas decisões centrais saíram daquele encontro: a desvalorização coordenada do dólar frente ao iene e ao marco alemão, além da atuação conjunta de bancos centrais para sustentar a mudança cambial.

A análise afirma que o efeito foi rápido. O iene teria passado de cerca de 240 por dólar para níveis próximos de 120 em menos de dois anos. À época, ainda segundo o artigo, o Japão representava cerca de 10% do PIB mundial e mantinha superávits comerciais robustos com os Estados Unidos, superiores a US$ 40 bilhões por ano.

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O texto também associa a ascensão industrial japonesa ao avanço de empresas como Toyota, Sony, Panasonic e Toshiba. Entre os exemplos citados, estão a compra da Columbia Pictures pela Sony, em 1989, por US$ 3,4 bilhões, e a aquisição da MCA/Universal pela Matsushita, por cerca de US$ 6,6 bilhões. Para o articulista, esse movimento simbolizava a transformação do Japão em um competidor sistêmico capaz de adquirir ativos estratégicos dentro dos próprios Estados Unidos.

Como a China aparece nesse cenário atual?

Na leitura apresentada pela publicação, a resposta chinesa às pressões externas não deve ser interpretada como passividade. O texto sustenta que o silêncio de Pequim pode indicar reorganização interna, revisão de estratégias e ampliação de margem de manobra em meio ao aumento de tensões comerciais e tecnológicas.

O artigo menciona tarifas sobre mais de US$ 360 bilhões em exportações chinesas desde 2018 e aponta que setores considerados críticos, como semicondutores, inteligência artificial e telecomunicações, estariam no centro da disputa. Nesse contexto, são citadas empresas como Huawei e SMIC, mencionadas como alvos de restrições diretas.

Ao tratar dos efeitos do Acordo de Plaza sobre o Japão, o autor afirma que a valorização do iene teria reduzido a competitividade japonesa, enquanto a reação do Banco do Japão por meio de liquidez e juros mais baixos alimentou expansão de crédito e inflação de ativos. O texto cita a escalada do índice Nikkei até 39 mil pontos em 1989, antes do colapso, além da formação de uma bolha imobiliária em Tóquio.

A análise ainda destaca o chamado carry trade, descrito como a tomada de empréstimos em moedas com juros baixos, como o iene, para aplicação em ativos com rendimentos maiores, como títulos do Tesouro americano. Segundo o artigo, esse processo drenou capital japonês por décadas e ajudou a financiar mercados externos, ao mesmo tempo em que fragilizava a economia doméstica.

Por que infraestrutura e escala são centrais na análise?

Ao diferenciar a China do Japão daquele período, o texto enfatiza a dimensão territorial, produtiva e logística do país asiático. Um dos exemplos apresentados é a Iniciativa Cinturão e Rota, lançada em 2013, descrita como um projeto geoeconômico voltado à expansão de rotas comerciais terrestres e marítimas entre Ásia, Europa, África e outras regiões.

Segundo o artigo, a iniciativa já teria mobilizado mais de US$ 1 trilhão em investimentos e envolveria mais de 140 países. Entre os exemplos mencionados estão ferrovias no Quênia, portos no Paquistão e corredores logísticos na Ásia Central. O texto interpreta esse conjunto como uma arquitetura de influência baseada em integração física e financeira.

A publicação também enumera indicadores da expansão chinesa nas últimas duas décadas, apontando que a economia do país teria saltado de US$ 2,3 trilhões para mais de US$ 17 trilhões. São citadas ainda cidades como Shenzhen, Xangai, Hangzhou e Chongqing como polos tecnológicos, financeiros, digitais e industriais.

  • Rede de trens de alta velocidade com mais de 40 mil quilômetros
  • Ponte Hong Kong–Zhuhai–Macau com 55 quilômetros de extensão
  • Investimentos superiores a US$ 18 bilhões nessa travessia, segundo o texto
  • Participação de túneis submersos, ilhas artificiais e estruturas de engenharia de precisão

Ao longo do artigo, a conclusão apresentada é que a ordem econômica internacional vive uma inflexão decisiva, em que mecanismos tradicionais de contenção já não garantiriam controle automático sobre os rivais. Nesse enquadramento, a China aparece como um ator que, diferentemente do Japão nos anos 1980, teria escala, infraestrutura e capilaridade suficientes para responder de forma distinta à pressão dos Estados Unidos.

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