O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, afirmou na terça-feira, 15 de abril de 2026, que a China tem atuado como uma parceira global pouco confiável durante a crise no mercado de petróleo ligada à guerra no Oriente Médio. Segundo ele, o país estaria ampliando estoques de petróleo e limitando exportações de alguns produtos em um momento de pressão sobre a oferta global. De acordo com informações do Valor Econômico, a declaração foi dada a repórteres em meio à escalada de tensão envolvendo Irã, Israel e os Estados Unidos.
Bessent disse ter tratado do tema com autoridades chinesas, mas evitou responder se o episódio pode afetar os planos do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de visitar Pequim em meados de maio. Ainda assim, afirmou que Trump e o presidente chinês, Xi Jinping, mantêm uma boa relação de trabalho e defendeu a comunicação entre os dois países como elemento central para preservar a estabilidade diplomática.
O que Scott Bessent disse sobre a atuação da China?
Ao comentar a situação, Bessent afirmou que a conduta chinesa repete padrões já observados em outros momentos de crise internacional. Ele citou a pandemia de covid-19, quando, segundo sua avaliação, Pequim estocou produtos de saúde, e mencionou também a questão das terras raras, em referência à ameaça feita no ano passado de restringir exportações desses insumos estratégicos.
“A China se mostrou uma parceira global pouco confiável três vezes nos últimos cinco anos: uma durante a covid, quando estocou produtos de saúde; a segunda, em relação às terras raras”, disse Bessent.
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O secretário acrescentou que, no cenário atual, a China estaria elevando ainda mais suas reservas de petróleo em vez de contribuir para aliviar a escassez global provocada pelo fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã. Segundo ele, o país já possuía uma reserva estratégica de petróleo de tamanho semelhante à reserva total da Agência Internacional de Energia, formada por 32 membros, e mesmo assim continuou comprando petróleo.
Como a crise no Oriente Médio afeta o mercado global de energia?
De acordo com Bessent, a guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã elevou os preços do petróleo em até 50% e gerou interrupções nas cadeias de suprimentos. O Estreito de Ormuz, citado por ele, é uma rota por onde passam 20% do petróleo mundial, o que amplia o impacto de qualquer bloqueio ou interrupção na região.
Na segunda-feira, o Fundo Monetário Internacional, o Banco Mundial e a própria Agência Internacional de Energia pediram que os países evitassem o acúmulo de suprimentos de energia e a adoção de controles de exportação que possam agravar a crise. As instituições não citaram países específicos, mas classificaram o momento como o maior choque já sofrido pelo mercado global de energia.
- Os preços do petróleo voltaram a superar US$ 100 por barril;
- O Estreito de Ormuz segue sem sinal de reabertura rápida;
- Há temor de novos impactos sobre oferta e cadeias de suprimentos.
Qual foi a resposta da China às acusações?
Liu Pengyu, porta-voz da embaixada chinesa em Washington, afirmou que a escassez enfrentada pelo mercado global de energia decorre da situação tensa no Oriente Médio. Ele defendeu o fim imediato das operações militares e disse que a China tem trabalhado ativamente para encerrar o conflito, prometendo manter um papel construtivo.
“A tarefa urgente é pôr fim às operações militares imediatamente e impedir que a turbulência no Oriente Médio impacte ainda mais a economia global”, disse Liu.
O texto também informa que as forças armadas dos Estados Unidos iniciaram na segunda-feira um bloqueio a navios que saem de portos iranianos, enquanto Teerã ameaçou retaliar contra portos de países vizinhos do Golfo. Após o fracasso das negociações do fim de semana em Islamabad, o impasse aumentou a tensão regional e reforçou a pressão sobre os preços internacionais do petróleo.
Bessent afirmou ainda que o bloqueio impediria a travessia de navios chineses ou de outras nacionalidades pelo estreito, ao menos no que se refere ao petróleo iraniano. Segundo ele, a China vinha comprando mais de 90% do petróleo iraniano, fatia que equivaleria a cerca de 8% de suas compras anuais. As declarações ampliam a pressão diplomática em um momento de forte instabilidade geopolítica e de preocupação com a segurança energética global.