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Centros de dados em Maine entram em moratória e debate avança em outros estados

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Maine se tornou o primeiro estado dos Estados Unidos a aprovar uma moratória para o desenvolvimento de grandes centros de dados. Nesta semana, a Câmara e o Senado estaduais aprovaram o projeto LD 307, que impede governos estaduais e locais de autorizarem empreendimentos com demanda elétrica de pelo menos 20 megawatts até, no mínimo, outubro de 2027. A medida ainda depende de decisão da governadora Janet Mills. De acordo com informações da Grist, o debate ocorre em meio à preocupação com o consumo de energia e água desses projetos, além de questionamentos sobre seus impactos econômicos e sociais.

Segundo a reportagem, Maine está entre cerca de uma dúzia de estados que apresentaram propostas legislativas neste ano para suspender ou proibir centros de dados. A discussão ganhou força com a expansão da inteligência artificial, cuja infraestrutura depende desses empreendimentos, e com o receio de comunidades locais sobre a escala das obras e seus efeitos sobre o território.

Por que Maine decidiu interromper a aprovação de grandes centros de dados?

O projeto aprovado pelos parlamentares foi apresentado como uma forma de abrir tempo para a elaboração de regras específicas para o setor. A proposta prevê a criação de um conselho especial encarregado de avaliar preocupações ligadas aos centros de dados e de recomendar novas políticas ao Legislativo estadual.

Na votação, o texto passou pela Câmara por 79 votos a 62 e pelo Senado por 21 a 13. Parlamentares democratas, que controlam as duas Casas, defenderam a pausa como um período de respiro regulatório. Já os opositores, em sua maioria republicanos, afirmaram que a iniciativa pode desestimular investimentos e prejudicar a economia local.

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A reportagem informa que Maine ainda teve pouco desenvolvimento nessa área, com cerca de dez locais ligados a centros de dados e nenhum deles classificado como “hiperscaler”, modelo de grande escala que vem gerando reação em estados como Virgínia e Texas. Para apoiadores da medida, justamente essa menor presença atual permitiria ao estado agir antes de enfrentar problemas maiores.

O que dizem os defensores e os críticos da proposta?

A deputada estadual Melanie Sachs, democrata e principal patrocinadora do projeto, afirmou que a intenção é usar a experiência de outros estados como alerta. Em entrevista, ela disse:

“Let’s just make sure our regulatory framework can meet the moment.”

Do lado contrário, o senador estadual Matt Harrington, republicano, argumentou durante o debate da semana passada que a proposta pode atrasar ou cancelar projetos relevantes, inclusive empreendimentos discutidos nas comunidades de Sanford e Jay. Segundo ele:

“This is billions of dollars in potential investment in Maine.”

A governadora Janet Mills havia sinalizado que gostaria de ver no texto uma exceção para o projeto de Jay, que envolveria a requalificação de uma antiga área industrial de fábrica de papel. O projeto aprovado, porém, não incluiu essa exceção. Agora, Mills poderá assinar a proposta, vetá-la ou permitir que ela vire lei sem ação formal no prazo de dez dias.

Quais são as preocupações ligadas ao consumo de energia e ao avanço da IA?

O debate em Maine ocorre num contexto mais amplo de crescimento acelerado da demanda por eletricidade dos centros de dados nos Estados Unidos. De acordo com a reportagem, essas instalações somavam mais de 50 gigawatts de demanda elétrica no ano passado, o equivalente a cerca do dobro do pico de consumo de toda a rede da Nova Inglaterra, que abrange seis estados, incluindo Maine.

Entre as preocupações apontadas estão:

  • o tamanho crescente dos empreendimentos;
  • o alto consumo de energia elétrica;
  • o uso de água;
  • o impacto potencial nas tarifas pagas por consumidores residenciais;
  • a dificuldade de reguladores em acompanhar a velocidade da expansão.

Também há receio de que a expansão da inteligência artificial, apoiada por centros de dados, traga efeitos amplos sobre o mercado de trabalho. Ao mesmo tempo, moradores de diferentes regiões questionam se as comunidades locais arcarão com os custos de infraestrutura e ambientais desses projetos.

Outros estados podem seguir o mesmo caminho?

Segundo o texto, 13 outros estados apresentaram projetos de lei ou resoluções para interromper o desenvolvimento de centros de dados de alguma forma, mas nenhum havia avançado em uma Casa legislativa até agora, de acordo com o North Carolina Clean Energy Technology Center. Entre os estados observados por analistas como possíveis próximos candidatos a aprovar medidas semelhantes estão Minnesota e Illinois.

Além das iniciativas estaduais, dezenas de governos locais pelo país já adotaram proibições ou moratórias, enquanto outras propostas seguem em discussão. No plano federal, o senador Bernie Sanders e a deputada Alexandria Ocasio-Cortez apresentaram uma proposta de moratória nacional para centros de dados ligados à inteligência artificial.

Para pesquisadores e grupos ambientais citados pela reportagem, a reação tende a crescer à medida que os projetos se tornam maiores, chegam a mais lugares e continuam sem responder de forma clara a dúvidas básicas de moradores. O caso de Maine, portanto, pode servir como referência para futuras disputas regulatórias nos Estados Unidos sobre energia, uso do solo e expansão da infraestrutura digital.

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