A Justiça italiana autorizou nesta quinta-feira, 16 de abril de 2026, a extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli para o Brasil em mais um processo, desta vez ligado ao caso em que ela perseguiu o jornalista Luan Araújo com uma arma em punho, em 29 de outubro de 2022, nos Jardins, em São Paulo. De acordo com informações da Agência Pública, a decisão foi tomada pela Corte de Apelação de Roma e amplia o pedido brasileiro de extradição, embora a entrega da ex-parlamentar ao Brasil ainda dependa de recursos e da decisão final do ministro da Justiça da Itália.
Ao veículo, Luan Araújo afirmou que a decisão “é o que ela merece”. Segundo a reportagem, ele também disse esperar que Zambelli permaneça presa na Itália, enquanto acompanha sua disputa judicial contra a ex-deputada em São Paulo, onde tenta mover uma ação por danos morais relacionada ao episódio de 2022.
O que decidiu a Justiça italiana neste caso?
A decisão da Corte de Apelação de Roma trata especificamente do processo relativo ao “porte ilegal de arma de fogo e ao constrangimento ilegal com emprego de arma”, relacionado à perseguição de Luan Araújo na véspera do segundo turno das eleições de 2022. Esse caso foi analisado separadamente do processo sobre a invasão ao sistema do Conselho Nacional de Justiça, o CNJ, em 2023.
Com isso, o pedido brasileiro de extradição passa a contar com dois pronunciamentos favoráveis na Itália, cada um referente a uma condenação distinta sofrida por Zambelli no Brasil. Ainda assim, a extradição não ocorre de forma automática.
O que Luan Araújo disse após a decisão?
Segundo a Agência Pública, Luan Araújo comentou a autorização da extradição e a disputa judicial que tenta levar adiante no Brasil. No texto original, ele afirmou:
“É o que ela merece”
Em outro trecho reproduzido pela reportagem, ele declarou:
“Meu desejo é que ela continue na cadeia aqui, pois a minha disputa jurídica com ela me deixa com essa dúvida”
Luan tenta mover uma ação por danos morais contra Zambelli na Justiça de São Paulo. De acordo com a reportagem, ele colocou no ar, em dezembro de 2025, uma vaquinha para arrecadar R$ 30 mil e cobrir as custas do processo. O pedido de indenização é de R$ 2 milhões.
Ainda segundo a publicação, a Justiça de São Paulo negou a gratuidade judicial ao jornalista. O texto informa que o rendimento dele, inferior a R$ 3,8 mil mensais, foi considerado suficiente para custear a ação. Araújo afirma, porém, que está desempregado e que o trauma do episódio de 2022 levou ao aumento da medicação para ansiedade e depressão.
Como esse caso se relaciona com as outras condenações de Zambelli?
O novo aval da Justiça italiana se soma ao processo envolvendo a invasão ao sistema do CNJ. Em maio de 2025, Zambelli foi condenada por unanimidade pela Primeira Turma do STF a dez anos de prisão em regime fechado, por orquestrar a invasão realizada pelo hacker Walter Delgatti Neto.
Segundo a reportagem, a ação resultou na inserção de documentos falsos, entre eles um mandado de prisão fraudulento contra o ministro Alexandre de Moraes, também do STF. A condenação determinou ainda multa, perda do mandato e inelegibilidade por oito anos.
- Maio de 2025: condenação no STF pelo caso do CNJ
- 29 de julho de 2025: prisão de Zambelli na Itália
- 16 de abril de 2026: nova decisão favorável à extradição no caso da perseguição armada
Quais são os próximos passos para a extradição?
Após a condenação no Brasil, Zambelli deixou o país pela fronteira com a Argentina em maio de 2025, seguindo depois para os Estados Unidos e, em seguida, para a Itália, país do qual possui cidadania, de acordo com a Agência Pública. Seu nome foi incluído na lista vermelha da Interpol, e ela foi presa em território italiano em julho de 2025.
No caso da perseguição armada, o STF condenou Zambelli por nove votos a dois, em decisão relatada pelo ministro Gilmar Mendes. Agora, com a manifestação da corte italiana, o alcance do pedido de extradição foi ampliado para além do caso do CNJ.
Mesmo assim, a defesa de Zambelli ainda pode recorrer à Corte de Cassação, última instância do Judiciário italiano. Se as decisões forem mantidas, a palavra final sobre a extradição caberá ao ministro da Justiça da Itália.