Um tribunal de Brest, na França, condenou à revelia o capitão chinês Chen Zhangjie, de 39 anos, a um ano de prisão e determinou a emissão de um mandado internacional de prisão no caso do petroleiro Boracay, apontado como integrante de uma frota suspeita de contornar sanções ocidentais ao petróleo russo. A decisão foi proferida na segunda-feira, 31 de março de 2026, e se refere à recusa do comandante em cumprir uma ordem da Marinha francesa para parar a embarcação para uma verificação de bandeira em águas internacionais, ao largo do oeste francês. De acordo com informações do Splash247, o capitão não compareceu ao julgamento e permanece no mar.
Além da pena de prisão, o tribunal determinou o pagamento de multa de € 150 mil. Segundo o relato publicado, o navio era suspeito de transportar petróleo bruto russo para a Índia em desacordo com sanções ocidentais. Quando as forças francesas se aproximaram da embarcação, o petroleiro navegava sem bandeira visível. Cerca de uma hora após ser interpelada, a tripulação içou uma bandeira do Benim, embora as autoridades do país já tivessem informado que a embarcação não estava registrada ali.
O que levou à condenação do capitão chinês na França?
O processo tratou da decisão de Chen Zhangjie de não obedecer à ordem de parada dada pela Marinha francesa em setembro de 2025. A abordagem buscava realizar uma inspeção de verificação de bandeira no petroleiro Boracay. Ainda de acordo com a publicação original, o comandante foi julgado e condenado à revelia depois de deixar de comparecer à corte em Brest.
Durante o período em que esteve sob custódia, Chen apresentou uma justificativa para a demora em hastear a bandeira. Segundo o texto, ele disse às autoridades que estava chovendo e que não se hasteia uma bandeira quando está chovendo.
A equipe enviada para a abordagem assumiu o controle da embarcação e a desviou para Saint-Nazaire, onde o navio passou por uma inspeção de vários dias.
O que foi encontrado a bordo do Boracay?
Segundo a reportagem, dois funcionários de uma empresa privada russa de segurança foram encontrados no navio. Eles teriam sido descritos como pessoas presentes para representar interesses russos e coletar informações. O texto também afirma que o Boracay foi associado a voos misteriosos de drones sobre a Dinamarca, que afetaram o aeroporto de Copenhague e instalações militares próximas no período em que a embarcação atravessava os estreitos dinamarqueses.
No entanto, a própria publicação ressalta que nenhuma ligação formal foi estabelecida entre o navio e esses episódios. Por isso, a referência aparece no contexto de apurações e suspeitas, sem confirmação oficial de vínculo direto entre os fatos.
Qual é a situação atual do navio e qual foi a reação da defesa?
O petroleiro agora estaria operando com o nome Phoenix e sob bandeira russa. No momento em que o veredito foi anunciado, a embarcação atravessava o Estreito de Malaca com destino a Kozmino, porto russo de petróleo no extremo leste da Rússia. A defesa de Chen classificou a decisão como incompreensível e informou que pretende recorrer.
“absolutamente incompreensível”
O advogado do capitão argumentou que a França não teria jurisdição para o caso, uma vez que a abordagem ocorreu em águas internacionais. A decisão judicial, porém, representa uma escalada legal relevante na resposta europeia a embarcações suspeitas de contornar restrições impostas ao comércio de petróleo russo.
Como o caso se insere na ação europeia contra a chamada frota sombra?
O texto informa que a União Europeia atualmente lista 598 embarcações como suspeitas de operar na chamada frota sombra, proibidas de acessar portos europeus e serviços marítimos do bloco. A França é apontada como um dos países europeus que mais têm atuado contra esse tipo de operação nos últimos meses.
Embora o caso esteja centrado na Europa e no comércio de petróleo russo com a Ásia, a repressão à chamada frota sombra tem impacto mais amplo sobre o mercado marítimo e energético internacional. Para o Brasil, um grande produtor e exportador de petróleo e também importador de derivados, mudanças nas rotas, nos custos de frete e na oferta global de petróleo podem influenciar o ambiente de preços de combustíveis e de logística no mercado internacional.
Entre os principais pontos citados no caso estão:
- condenação à revelia de Chen Zhangjie a um ano de prisão;
- emissão de mandado internacional de prisão;
- multa de € 150 mil;
- suspeita de transporte de petróleo russo em desacordo com sanções ocidentais;
- questionamentos da defesa sobre a jurisdição francesa.
O caso do Boracay, agora rebatizado de Phoenix, reforça o endurecimento das autoridades europeias diante de navios suspeitos de ocultar origem, registro ou operação para manter o fluxo de petróleo russo fora do alcance das restrições impostas pelo Ocidente.