Os caminhoneiros autônomos de Santa Catarina, estado estratégico para a logística nacional devido aos seus complexos portuários e ao corredor da BR-101, anunciaram uma greve para esta quinta-feira, 19 de março de 2026, em resposta ao aumento do preço do diesel. O movimento foi organizado pelo Sindicato dos Transportadores Autônomos de Cargas e Contêineres e pela Associação Nacional dos Transportadores Autônomos de Carga (ANTC). De acordo com informações do portal iG, a principal reivindicação está relacionada à defasagem da tabela de fretes nacional.
Segundo a ANTC, a adesão à greve foi confirmada em uma reunião com lideranças de associações de todo o país na quarta-feira, 18 de março de 2026, e há expectativas de que o movimento possa se espalhar nacionalmente. Além do aumento do diesel, a falta de fiscalização sobre preços abusivos também é uma preocupação destacada pela associação.
Quais são as reivindicações dos caminhoneiros?
A ANTC destaca três pontos principais que impulsionaram a greve:
- Aumento do preço do diesel
- Defasagem na tabela nacional de fretes
- Ausência de fiscalização sobre preços abusivos
Além disso, há pedidos por melhorias para o descanso dos motoristas, disponibilidade de banheiros adequados nas rodovias e a possibilidade de aposentadoria após 25 anos de atuação na profissão.
Como a greve será conduzida?
Sérgio Pereira, diretor da ANTC, afirmou que o movimento é considerado “legítimo e ordeiro”, com instruções claras para que vias públicas não sejam bloqueadas. Isso visa garantir que a passagem em rodovias permaneça livre, conforme determinação de uma liminar enviada aos participantes na noite anterior à greve.
Qual o impacto do cenário internacional no movimento?
Os recentes aumentos nos preços dos combustíveis no Brasil têm sido atribuídos ao conflito internacional envolvendo os Estados Unidos e o Irã. Esse cenário tem contribuído para a elevação dos preços do petróleo no mercado externo, afetando diretamente o Brasil, que, embora seja grande produtor, depende da importação de parte do óleo refinado consumido internamente.
Além disso, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), órgão federal responsável pela regulação do setor, revisou recentemente a tabela de pisos mínimos para fretes devido ao aumento do preço do diesel. Alterações nos valores de frete foram feitas para refletir uma variação superior a 5% no preço do combustível.
A ANTT informou que, entre 8 e 14 de março de 2026, o preço médio do Diesel S10 nas bombas foi de R$ 6,89 por litro, representando um aumento de 13,32% em relação ao último reajuste da tabela de fretes. O Ministério dos Transportes foi contatado pelo iG, mas ainda não forneceu um posicionamento oficial.
