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Camada de ozônio pode demorar até sete anos a mais para se recuperar, diz MIT

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A recuperação da camada de ozônio pode sofrer um atraso de até sete anos por causa de vazamentos de substâncias destruidoras de ozônio ainda permitidas em processos industriais, segundo estudo liderado por pesquisadores do MIT e divulgado em 16 de abril de 2026. A análise indica que o problema está associado ao uso dessas substâncias como insumos industriais, com emissões acima do que se supunha anteriormente, o que pode prolongar a volta da camada aos níveis de 1980. De acordo com informações da ScienceDaily, o trabalho foi apresentado a partir de pesquisa do Massachusetts Institute of Technology.

O estudo afirma que o Protocolo de Montreal, firmado em 1987, segue sendo decisivo para a redução global de compostos que degradam a camada de ozônio. No entanto, uma exceção prevista no acordo permitiu que certos químicos continuassem a ser usados como matérias-primas industriais, sob a premissa de que apenas cerca de 0,5% escapariam para a atmosfera. Segundo os pesquisadores, medições recentes indicam taxas de vazamento bem maiores.

O que os cientistas descobriram sobre os vazamentos industriais?

A equipe internacional avaliou o impacto dessas emissões na recuperação da camada de ozônio e concluiu que, se o problema não for enfrentado, a recomposição poderá ser adiada em cerca de sete anos. O estudo, que deve ser publicado na revista Nature Communications, é descrito como o primeiro a medir de forma abrangente os efeitos das emissões ligadas ao uso de insumos industriais.

Esses compostos são empregados na fabricação de plásticos, revestimentos antiaderentes e substâncias substitutas de produtos já restringidos pelo próprio Protocolo de Montreal. Para os autores, reduzir tanto o uso desses insumos quanto os vazamentos associados torna-se mais importante à medida que cresce a demanda global por produtos industriais, como plásticos.

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“We’ve realized in the last few years that these feedstock chemicals are a bug in the system,” says author Susan Solomon, the Lee and Geraldine Martin Professor of Environmental Studies and Chemistry, who helped identify the original cause of the ozone hole.

Susan Solomon afirmou ainda que a produção de substâncias destruidoras de ozônio praticamente cessou no mundo, com exceção desse tipo de uso industrial, em que um composto químico é convertido em outro material. Já o primeiro autor do estudo, Stefan Reimann, defendeu que os países signatários do protocolo considerem formas de restringir as emissões desses processos.

Como surgiu a preocupação com a destruição da camada de ozônio?

A preocupação remonta a 1985, quando cientistas identificaram o aumento do buraco na camada de ozônio sobre a Antártida. Esse afinamento permite que mais radiação ultravioleta nociva chegue à superfície terrestre. No ano seguinte, Solomon e outros pesquisadores viajaram à Antártida e confirmaram a causa do fenômeno.

Segundo o relato reproduzido pela publicação, o dano era provocado por clorofluorcarbonos, os CFCs, então amplamente usados em refrigeração, ar-condicionado e aerossóis. As descobertas levaram à criação do Protocolo de Montreal, acordo internacional que reúne 197 países e a União Europeia para limitar o uso dessas substâncias.

Na época, a autorização para o uso como insumo industrial foi baseada, em parte, em estimativas da indústria segundo as quais os vazamentos permaneceriam em patamares muito baixos. Um dos pesquisadores citados, Western, afirmou que se entendia que essas emissões eram pequenas em comparação com fontes como refrigerantes e espumas, e que o vazamento seria de aproximadamente 0,5%.

Quais números o novo estudo apresenta?

As novas medições, no entanto, sugerem que as taxas de vazamento estão mais próximas de 3,6%, com algumas substâncias registrando perdas ainda maiores. Para a análise, os pesquisadores adotaram 3,6% como cenário de referência e o compararam com uma taxa de 0,5% e com um cenário sem emissões ligadas a esses insumos.

Além disso, o grupo examinou tendências de produção entre 2014 e 2024 para estimar o uso futuro dessas substâncias até 2100. Os resultados indicam que as emissões totais continuam caindo em todos os cenários até cerca de 2050 por causa das restrições já em vigor. Porém, se as taxas mais altas persistirem, as emissões tendem a se estabilizar por volta de 2045 e cairiam apenas cerca de 50% até 2100.

  • Taxa de vazamento antes presumida: 0,5%
  • Taxa de vazamento usada como cenário de referência: 3,6%
  • Recuperação da camada de ozônio com vazamento de 0,5%: 2066
  • Recuperação sem emissões desses insumos: 2065
  • Recuperação com vazamentos nos níveis atuais estimados: 2073

O que pode ser feito para acelerar a recuperação?

De acordo com o estudo, a eliminação dessas emissões ou sua redução significativa poderia antecipar a recuperação da camada de ozônio. Reimann afirmou que as emissões atuais são altas demais e que será necessário encontrar meios de reduzi-las, seja deixando de usar essas substâncias como insumo, substituindo compostos químicos ou diminuindo os vazamentos durante o processo industrial.

“This paper sends an important message that these emissions are too high and we have to find a way to reduce them,” Reimann says. “Either that means no longer using these substances as feedstocks, swapping out chemicals, or reducing the leakage emissions when they are used.”

Solomon também avaliou que a indústria química tem histórico de inovação e adaptação, e disse que existem milhares de outros compostos que poderiam ser usados como alternativa. O texto destaca ainda o papel da rede Advanced Global Atmospheric Gases Experiment, a AGAGE, no monitoramento global dessas emissões e na identificação de problemas que exigem ajustes regulatórios e industriais.

Segundo a publicação, os países que integram o Protocolo de Montreal se reúnem anualmente para revisar questões emergentes, e as emissões associadas a esses insumos já estão em discussão. A expectativa dos pesquisadores é que reuniões futuras aprofundem o debate sobre como reduzir ou eliminar esse tipo de vazamento.

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