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Café: chuvas favorecem grãos e reforçam expectativa de safra recorde no Brasil

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Mãos colhendo frutos de café maduros e avermelhados em um cafezal sob luz do dia.
Foto: Autor / Flickr (CC BY)

As chuvas registradas desde janeiro em boa parte das regiões produtoras de café no Brasil têm favorecido o desenvolvimento da safra 2026/27, segundo avaliação do Cepea-Esalq/USP. Na primeira quinzena de março, os volumes mais elevados ajudaram no enchimento dos grãos de arábica e no desenvolvimento final do robusta, reforçando a expectativa de uma produção recorde no país. De acordo com informações do g1 Economia, o cenário mais favorável ocorre após um dezembro marcado por altas temperaturas e baixa umidade.

Em boletim publicado no fim de fevereiro, o centro de estudos da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz já havia indicado perspectiva positiva para a temporada atual. A avaliação é de que a safra 2026/27 pode ser a primeira desde 2020/21 a superar 60 milhões de sacas no Brasil, considerando as produções de arábica e robusta. O Cepea é um dos principais centros de pesquisa em economia aplicada ao agronegócio no país, com sede na Esalq, em Piracicaba (SP).

“O que seria um recorde”

No caso do arábica, a expectativa é de impulso maior sobre o volume total da produção. Já para o robusta, havia uma projeção inicial menos favorável, mas o quadro climático observado nos últimos meses levou agentes do setor consultados pelo Cepea a apostarem agora em uma colheita próxima à da safra passada.

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Como as chuvas influenciaram as principais regiões produtoras?

Em Campinas, no interior de São Paulo, uma das áreas acompanhadas pelo Cepea, o volume elevado de chuva começou ainda em janeiro. Na Estação do Taquaral, o acumulado do mês chegou a 339 milímetros, 79 milímetros acima da média histórica de 261 milímetros para o período, conforme dados do Centro Integrado de Informações Agrometeorológicas, o Ciiagro.

Segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia, em fevereiro foram registrados 154,5 milímetros de chuva em Marília, na região central paulista. Os maiores acumulados do período ocorreram na Mogiana Paulista, no Cerrado Mineiro e no Sul de Minas, todas áreas relevantes para a cafeicultura nacional. Minas Gerais é o maior estado produtor de café do Brasil, com forte peso especialmente no arábica, enquanto o Espírito Santo se destaca no cultivo de robusta, também chamado de conilon.

“Nas regiões produtoras de robusta, onde a colheita já pode ser iniciada a partir de abril, os volumes de chuvas em fevereiro estão bem inferiores aos observados em janeiro. Ainda assim, vale destacar que, em municípios mais ao norte do Espírito Santo, como Linhares, o excesso de precipitações no fim de janeiro pode ter prejudicado o desenvolvimento da safra em alguns talhões, influenciando o avanço de doenças”

O quadro descrito pelo Cepea mostra que, embora o saldo climático seja considerado positivo para a maior parte das regiões, há diferenças locais que podem afetar o desempenho das lavouras. No norte do Espírito Santo, por exemplo, o excesso de chuva foi apontado como fator de risco para parte da produção de robusta.

O que sustenta a expectativa de safra recorde?

A projeção de safra elevada está associada principalmente a três fatores observados pelo Cepea:

  • chuvas favoráveis desde janeiro em grande parte das áreas produtoras;
  • melhora no enchimento dos grãos de arábica na primeira quinzena de março;
  • desenvolvimento final do robusta em condições consideradas positivas.

Ao mesmo tempo, o centro de estudos ressalta que o setor vinha de um período de preocupação. Em dezembro, as altas temperaturas e a baixa umidade levantaram dúvidas sobre a formação dos grãos e os impactos na safra 2026/27.

“Dezembro foi marcado por temperaturas elevadas e baixa umidade, condição que pode comprometer a formação dos grãos, resultando em cafés chochos”

Mesmo com essa ressalva, o comportamento do clima nos meses seguintes reforçou o otimismo em torno da colheita. A avaliação atual indica que o desempenho do arábica deve ser decisivo para que o país alcance um volume historicamente elevado.

Como o mercado do café reagiu no início de 2026?

Após um período de negociações mais restritas no mercado doméstico, as vendas do setor cafeeiro voltaram a ganhar ritmo na primeira quinzena de janeiro de 2026. Segundo o Cepea, as cotações fecharam em R$ 1,2 mil por saca para o robusta e em R$ 2,2 mil por saca para o arábica, em patamares considerados positivos para os produtores.

O centro informou ainda que o movimento de alta se intensificou a partir de 6 de janeiro, quando os contratos futuros de março de 2026 avançaram 1.450 pontos na ICE Futures, em Nova York. Esse cenário ampliou o volume comercializado no mercado brasileiro. Além disso, agentes consultados relataram que a virada do ano levou parte dos agricultores a buscar caixa, o que contribuiu para o aumento da liquidez.

O boletim também destacou melhora no poder de compra de fertilizantes entre produtores paulistas nos últimos meses de 2025. Com o arábica em torno de R$ 2,2 mil por saca em outubro e o robusta perto de R$ 1.350, os cafeicultores de São Paulo precisavam de 1,16 saca de arábica tipo seis para adquirir uma tonelada de adubo em 2025. Em outubro de 2024, eram necessárias 1,44 saca. Segundo o Cepea, a média histórica desde 2011 é de 2,6 sacas para pagar uma tonelada de fertilizante.

Para os pesquisadores, esse ganho de poder de compra, somado à retomada das chuvas, tende a viabilizar adubações nas lavouras e favorecer o desenvolvimento da safra. Ainda assim, o acompanhamento das condições climáticas segue como fator central para confirmar a projeção recorde da produção brasileira de café.

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