O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, assinou no final da noite desta sexta-feira (24) uma decisão monocrática que altera os rumos da recuperação financeira do Banco de Brasília (BRB). O magistrado suspendeu uma liminar anterior que proibia o governo do Distrito Federal (DF) de vender e utilizar bens móveis e imóveis públicos para cobrir um déficit da instituição financeira. A medida cautelar concedida pela Suprema Corte atende diretamente a um recurso apresentado pelo governo distrital, que busca viabilizar soluções patrimoniais para sanar um rombo bilionário atrelado a operações envolvendo o Banco Master.
A decisão favorável ao governo distrital representa um alívio momentâneo para a capacidade de capitalização da instituição financeira, que continua operando em uma situação considerada frágil. A liberação provisória do patrimônio imobiliário visa mitigar o impacto de um cenário institucional agravado por investigações de irregularidades financeiras.
Por que a Justiça local havia bloqueado a venda dos imóveis?
O entrave jurídico que impedia o socorro à instituição estatal teve origem na própria Justiça do Distrito Federal. De acordo com informações do Estadão, o desembargador Rômulo de Araújo Mendes atendeu a um pedido formalizado pelo Ministério Público para barrar a transação com o patrimônio estatal.
A decisão do desembargador havia suspendido a eficácia de dispositivos de uma lei local desenhada especificamente para capitalizar a instituição financeira. A referida legislação autorizava o governo do Distrito Federal a socorrer o banco utilizando um pacote composto por nove imóveis públicos. As alternativas previstas na lei, que agora voltam a ser permitidas temporariamente, incluem:
- A venda direta dos nove terrenos e bens públicos listados pelo governo;
- A estruturação e criação de um fundo imobiliário abrigando esses ativos;
- A oferta e utilização destes bens como garantia na tomada de empréstimos no mercado.
Quais foram os argumentos para o STF reverter o bloqueio?
Para derrubar a proibição imposta pela Justiça local, a administração do Distrito Federal acionou o Supremo Tribunal Federal argumentando que o bloqueio das alienações ocasionava uma grave lesão à ordem administrativa do ente federativo. O governo alegou que o impedimento judicial interferia de maneira direta no exercício de suas competências executivas exclusivas.
Ao acatar os argumentos do governo distrital, o ministro Edson Fachin avaliou que a proibição configurava um evidente risco concreto à ordem econômica. De acordo com informações da Jovem Pan, o magistrado considerou plausíveis as alegações de lesão grave, baseando sua decisão na importância sistêmica do banco para o funcionamento da capital federal.
No documento assinado, o presidente do STF foi enfático ao descrever as funções vitais desempenhadas pela instituição, justificando a urgência das medidas de recuperação:
“O Banco de Brasília desempenha papel central no sistema financeiro do Distrito Federal, sendo responsável pela operacionalização de programas sociais relevantes, pelo pagamento de servidores públicos, pela gestão de volumes expressivos de depósitos – inclusive judiciais – e pela concessão de crédito em escala significativa à economia local.”
O ministro concluiu que manter a proibição criaria um risco relevante ao interesse público. Em sua tese, se as medidas de recuperação do banco fossem inviabilizadas por decisão judicial, a crise financeira instalada poderia comprometer a continuidade de serviços essenciais aos cidadãos e travar a execução de políticas públicas cruciais de caráter social e econômico na região.
Qual é o tamanho do rombo e das investigações policiais?
A necessidade iminente de injeção de capital no banco por meio de bens estatais ocorre em paralelo a graves desdobramentos na esfera criminal investigativa. A crise que motivou o pedido de venda do patrimônio público envolve cifras astronômicas.
A Polícia Federal conduz apurações que detalham um suposto esquema de pagamento de propina que atinge o montante de R$ 146 milhões. O impacto de todas as operações sob suspeita é estimado pelas autoridades competentes em um prejuízo avassalador de cerca de R$ 15 bilhões para a população e os cofres do ente federativo.
No decorrer do inquérito em andamento, os investigadores da Polícia Federal trabalham com a suspeita de que o ex-presidente da instituição bancária de Brasília não agiu de maneira isolada no comando do esquema. O objetivo agora é mapear todos os envolvidos que levaram o banco à situação de fragilidade extrema reportada aos tribunais superiores.
O que acontece nas próximas etapas do processo no STF?
Apesar de o governo do Distrito Federal já possuir o aval imediato para prosseguir com os trâmites, a disputa jurídica segue em aberto. A suspensão da proibição foi concedida em caráter monocrático pelo ministro Edson Fachin, caracterizando-se como uma decisão de natureza liminar e urgente.
Para que a autorização de venda e uso dos nove imóveis públicos adquira força jurídica definitiva, a medida precisa ser analisada pelos pares da Suprema Corte. O andamento processual determina que a liminar seja submetida ao crivo do colegiado. A sessão de julgamento está agendada para ocorrer no plenário virtual do STF no período entre os dias oito e 15 de maio, momento em que os ministros votarão de forma eletrônica para manter ou revogar a autorização dada por Fachin.