O Banco de Brasília (BRB), instituição financeira controlada pelo governo distrital, formalizou um pedido junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) para que valores recuperados em investigações e processos criminais contra o Banco Master sejam destinados à cobertura de seus prejuízos financeiros. A petição, apresentada nesta sexta-feira (3 de abril de 2026), visa captar recursos inclusive de acordos de colaboração premiada que estão sob análise da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República (PGR).
De acordo com informações da Radioagência Nacional, a estratégia jurídica do banco busca reaver ativos para estancar uma crise de liquidez sem precedentes. As negociações mencionadas no processo envolvem o banqueiro Daniel Vorcaro, presidente do Banco Master, e o empresário Fabiano Zettel, ambos acusados de irregularidades financeiras e atualmente sob custódia do sistema prisional.
Qual é a origem dos recursos pleiteados pelo BRB?
A demanda central do BRB foca em ativos que foram bloqueados ou devolvidos ao Estado através de delações e sanções judiciais ligadas à gestão do Banco Master. A instituição brasiliense alega ser vítima de um esquema que resultou na aquisição de títulos de dívida sem lastro. O objetivo é que esses montantes, uma vez homologados pelo STF, sirvam como mecanismo de recomposição de capital.
Em paralelo à ação judicial, o Governo do Distrito Federal (GDF), acionista majoritário da estatal, tenta alternativas para evitar o colapso da instituição. Entre as medidas discutidas estão a contratação de um empréstimo de R$ 4 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) — entidade privada que atua como rede de proteção do sistema financeiro nacional — e a possível alienação de terrenos públicos de alto valor comercial para capitalizar o banco.
Como a Operação Compliance Zero afeta a instituição?
O BRB figura como foco central da Operação Compliance Zero, investigação que apura fraudes sistêmicas relacionadas à compra de mais de R$ 12 bilhões em créditos podres. Esses ativos, tecnicamente chamados de títulos de dívidas de difícil recuperação, foram integrados ao patrimônio do banco em operações que agora são classificadas como fraudulentas pelas autoridades investigativas.
A auditoria aponta que a aquisição desses créditos comprometeu severamente a saúde fiscal da entidade, gerando um déficit que o banco tenta agora sanar via Supremo Tribunal Federal. A investigação busca identificar os responsáveis pela autorização dessas compras e se houve pagamento de propina ou desvio de finalidade na gestão dos investimentos públicos.
Quais são os riscos apontados pela agência Moody’s?
O cenário de instabilidade foi agravado nesta semana pela Moody’s Investors Service, agência internacional de classificação de risco, que rebaixou novamente a nota de crédito do BRB. A agência classificou a instituição com um patamar que indica altíssimo risco de calote e extrema fragilidade financeira. Segundo o relatório técnico, a medida reflete a incapacidade imediata de recompor perdas e a falta de um plano de recuperação estruturado.
A Moody’s também alertou que o atraso na divulgação dos balanços e resultados financeiros contribui para a desconfiança do mercado. Sem a transparência necessária sobre o real impacto das fraudes do Banco Master, a incerteza sobre a continuidade das operações do BRB aumenta. A decisão do STF sobre o repasse dos valores recuperados é vista por analistas como um divisor de águas para a sobrevivência financeira do banco.
