O Banco de Brasília (BRB) terá que reservar cerca de R$ 8 bilhões em seu balanço para cobrir perdas decorrentes da compra de carteiras de crédito fraudulentas do Banco Master. A informação foi divulgada nesta segunda-feira (2) pelo presidente do BRB, Nelson de Souza, após uma reunião de 11 horas com deputados distritais na Câmara Legislativa do Distrito Federal para discutir o projeto de lei do governo do DF para auxiliar o banco. De acordo com informações do Jornal de Brasília, o valor é uma medida para lidar com os prejuízos causados pelas operações com o banco de Daniel Vorcaro.
Segundo Souza, a definição do valor foi feita de forma conservadora, com o acompanhamento de auditorias do Banco Central e da Machado Meyer, além de outros órgãos de controle e reguladores. O aporte de capital previsto é de aproximadamente R$ 6,6 bilhões.
Um interlocutor a par das discussões informou que o valor necessário para provisionamento (reserva financeira) é atualmente de R$ 8,8 bilhões. As investigações apontaram que o BRB comprou R$ 12,2 bilhões em créditos falsificados do Master, mas o banco afirma ter recuperado cerca de R$ 10 bilhões desse valor no ano passado.
Diante desse cenário, o Banco Central determinou inicialmente ao BRB a realização de um provisionamento de R$ 2,6 bilhões em seu balanço para cobrir perdas decorrentes do caso Master. Em depoimento à Polícia Federal, o diretor de Fiscalização do BC, Aílton de Aquino, afirmou que o banco poderia precisar de um valor ainda maior, de R$ 5 bilhões.
Quais são as alternativas para capitalizar o BRB?
De acordo com o presidente do BRB, a principal alternativa em estudo é a constituição de um fundo de investimento imobiliário com propriedades oferecidas pelo governo do Distrito Federal.
“O plano principal hoje seria pegar uma carteira toda do Master e fazer um fundo de investimento em direitos creditórios. Porém, não podemos vender o nosso ativo por um valor que não esteja adequado. Queremos ter um ‘valuation’ [avaliação] primeiro para não ter que vender abaixo do valor real”, afirmou Souza.
Os imóveis foram avaliados em R$ 6,486 bilhões, conforme estimativa apresentada na reunião por representantes da Terracap. Além do fundo imobiliário, o chefe do banco listou a possibilidade de um empréstimo junto ao FGC (Fundo Garantidor de Créditos) e um empréstimo junto a um consórcio de bancos.
Quais outras opções estão sendo consideradas?
Souza mencionou outras possibilidades, como a venda de participação em subsidiárias e a criação de um FIDC (Fundo de Investimento em Direitos Creditórios) com a carteira do Master, que é de R$ 21,9 bilhões. A venda da Financeira BRB, que tem crédito consignado como principal produto, poderia render R$ 1,1 bilhão.
O presidente do BRB reforçou a importância da aprovação do projeto de lei apresentado pelo governo do Distrito Federal, que prevê um limite de R$ 6,6 bilhões para operações de crédito com o FGC ou com instituições financeiras. A proposta também lista nove imóveis que poderão ser vendidos, transferidos ou usados como garantia.
O governo do Distrito Federal tentará votar o projeto para capitalização do BRB nesta terça-feira (3), mas parlamentares defendem ajustes no texto e não descartam a possibilidade de adiamento.
O BRB propôs a seus acionistas um aumento do capital social do banco de até R$ 8,86 bilhões. A proposta será votada em assembleia extraordinária no dia 18 de março, condicionada à aprovação da proposta do GDF.
