O Banco Regional de Brasília (BRB) informou na noite de segunda-feira, 20, que firmou um memorando de entendimento com a Quadra Capital para vender parte dos ativos recebidos do Banco Master, em uma operação com valor de referência de aproximadamente R$ 15 bilhões. Segundo o banco, a negociação foi aprovada pelo conselho de administração e analisada pelo Banco Central do Brasil. De acordo com informações da Revista Oeste, a medida foi apresentada pelo BRB como parte de um processo de readequação financeira, com foco em liquidez, capital e gestão de portfólio.
O acordo prevê uma parcela à vista entre R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões. O restante, estimado entre R$ 11 bilhões e R$ 12 bilhões, deverá ser transferido por meio de cotas subordinadas de um fundo de investimento a ser estruturado para administrar e monetizar esses ativos. A efetivação da operação ainda depende do cumprimento de condições precedentes previstas no memorando.
O que prevê o acordo anunciado pelo BRB?
Em comunicado ao mercado, o BRB afirmou que o memorando com a Quadra Capital tem como objetivo estruturar um fundo de investimento destinado à transferência de ativos oriundos de operações recebidas do Banco Master. Na descrição feita pelo banco, a operação busca fortalecer a estrutura de capital, melhorar a liquidez e aprimorar a gestão do portfólio.
O banco informou que tentava vender esses ativos havia meses. Eles foram recebidos como compensação por uma carteira anterior considerada problemática, estimada em R$ 12,2 bilhões. Segundo o BRB, os ativos foram registrados com deságio e têm valor de face próximo de R$ 21,9 bilhões. Desse total, cerca de R$ 6,6 bilhões são classificados como de maior risco, enquanto aproximadamente R$ 15 bilhões são considerados ativos de melhor qualidade, justamente o montante envolvido na negociação.
Por que a operação ocorre neste momento?
A operação foi anunciada em meio a dificuldades financeiras enfrentadas pela instituição. O BRB está há nove meses sem divulgar demonstrações financeiras e, desde 31 de março, paga multa diária de R$ 30 mil por não publicar o balanço de 2025. Segundo o texto original, o banco vinha vendendo até carteiras de crédito consideradas saudáveis para reforçar o caixa, o que ampliou preocupações sobre sua sustentabilidade.
De acordo com a direção do banco, o recebimento imediato da parcela à vista ajudaria a enfrentar o problema de liquidez. O memorando foi apresentado, portanto, como uma tentativa de aliviar a pressão financeira de curto prazo enquanto a instituição reorganiza seus ativos.
Quais são os principais números da negociação?
- Valor de referência da operação: R$ 15 bilhões
- Parcela à vista: entre R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões
- Parcela remanescente: entre R$ 11 bilhões e R$ 12 bilhões
- Valor de face dos ativos mencionados pelo banco: cerca de R$ 21,9 bilhões
- Ativos classificados como de maior risco: cerca de R$ 6,6 bilhões
- Carteira anterior problemática citada no texto: R$ 12,2 bilhões
O que mais está em negociação envolvendo o BRB?
Paralelamente, o governo do Distrito Federal negocia com um consórcio de instituições financeiras para destravar um pedido de empréstimo de R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Créditos. Segundo a reportagem, depois das perdas relacionadas ao Banco Master, o fundo teria adotado uma postura mais cautelosa e condicionado o avanço da operação à participação de bancos.
O andamento dessas tratativas ainda depende de garantias e de informações adicionais solicitadas ao BRB. A instituição também não informou prazo definitivo para a publicação do balanço que deverá detalhar o impacto das operações com o Banco Master. Além disso, a direção do banco pretende aprovar um aumento de capital em assembleia geral extraordinária convocada para 22 de abril.
O que disse o BRB no fato relevante?
“A Operação possui valor de referência de R$ 15 bilhões, sendo composta por: (i) parcela financeira à vista, de no mínimo R$ 3 bilhões e até R$ 4 bilhões; e (ii) parcela remanescente, estimada entre R$ 11 bilhões e R$ 12 bilhões, representada por cotas subordinadas do fundo de investimento a ser estruturado para a gestão e monetização dos ativos.”
No mesmo comunicado, o banco afirmou que a operação visa a alienação desses ativos com o objetivo de fortalecer a estrutura de capital e a liquidez, além de aprimorar a gestão do portfólio. Também declarou que a conclusão do negócio depende do atendimento das condições previstas no memorando de entendimento.