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Brasileiros morando sozinhos já são um em cada cinco domicílios, aponta IBGE

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O IBGE divulgou na sexta-feira, 17 de abril, novos dados sobre os domicílios brasileiros e informou que está crescendo o número de pessoas que moram sozinhas no país. Segundo o levantamento, um em cada cinco domicílios tem apenas um morador. A pesquisa também aponta mudanças na autodeclaração racial da população, queda no percentual de imóveis próprios, avanço dos alugados e persistência de desigualdades em saneamento básico. De acordo com informações do DCM, os dados foram divulgados com informações da TV Globo.

Entre os homens que vivem sozinhos, a maior concentração está na faixa de 30 a 59 anos. Entre as mulheres, o grupo mais numeroso está entre aquelas com 60 anos ou mais. O material traz o relato da auxiliar de serviços gerais Wilmar Gomes de Sousa, de 68 anos, que disse preferir viver sozinha após ter sido casada duas vezes e formar uma família com cinco filhos e 22 netos.

“Tenho a minha liberdade, que eu gosto de beber minha cervejinha, gosto de sair, entendeu? Gosto de passear. Então, me dedico muito assim ao trabalho, gosto de trabalhar, adoro trabalhar”

Quem são os grupos que mais aparecem entre os brasileiros que vivem sozinhos?

O recorte por sexo e idade mostra perfis diferentes. No caso dos homens, a maior presença está entre 30 e 59 anos. Já entre as mulheres, predominam aquelas com 60 anos ou mais. O analista da PNAD/IBGE, William Kratochwill, relacionou esse quadro feminino a situações de viuvez, separação e à saída dos filhos de casa ao longo do tempo.

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“Aos 60 anos ou mais são as mulheres que ficaram viúvas, que se separaram e estavam com os filhos, mas os filhos já passaram a ter sua vida, pois têm a sua independência financeira, casaram e foram em busca do seu lar”

Os dados reforçam uma transformação no perfil dos arranjos domiciliares brasileiros. O levantamento apresentado pelo IBGE indica, ao mesmo tempo, mudanças demográficas e sociais que afetam a composição das moradias no país.

O que a pesquisa mostra sobre raça e moradia no Brasil?

Além do aumento de pessoas vivendo sozinhas, o estudo aponta uma mudança na forma como a população se identifica racialmente. Mais uma vez, caiu o percentual de pessoas que se declaram brancas, enquanto aumentou o de brasileiros que se autodeclaram pretos. A população parda, segundo o texto original, permaneceu estável.

Sobre esse movimento, o demógrafo José Eustáquio Alves afirmou que a mudança não decorre de uma questão demográfica, mas principalmente da autodeclaração.

“Não é uma coisa demográfica, de taxas de fecundidade diferentes. Ela é muito mais pela autodeclaração. As pessoas estão se autodeclarando pretas, pardas e indígenas em uma proporção muito maior do que no século 20”

No campo da moradia, a pesquisa também aponta uma mudança relevante desde 2016. De acordo com o levantamento, vem caindo o percentual de domicílios próprios e crescendo o de imóveis alugados, o que sinaliza uma alteração nas condições de acesso à habitação.

Como está a situação do saneamento básico, segundo o levantamento?

O estudo mostra melhora nos últimos anos, mas indica que o saneamento básico ainda permanece como um problema relevante no país. Cerca de 28% das moradias brasileiras ainda não estão ligadas à rede de esgoto, com situação mais grave nas regiões Norte e Nordeste.

Segundo o material, esse é um dos pontos em que a desigualdade aparece com mais clareza. O dado sobre rede de esgoto foi apresentado junto de uma avaliação sobre os impactos dessa carência para a saúde pública.

“Eu acho que é uma das principais falhas do Brasil o saneamento básico. E ele é fundamental para reduzir as taxas de mortalidade. Principalmente mortalidade infantil”

Os principais pontos destacados pelo levantamento incluem:

  • um em cada cinco domicílios com apenas um morador;
  • maior concentração de homens sozinhos entre 30 e 59 anos;
  • maior concentração de mulheres sozinhas a partir de 60 anos;
  • queda do percentual de domicílios próprios desde 2016;
  • crescimento dos imóveis alugados;
  • cerca de 28% das moradias sem ligação à rede de esgoto.

Com isso, os dados divulgados pelo IBGE traçam um panorama sobre mudanças no modo de morar no Brasil e mostram que transformações familiares e de autodeclaração convivem com problemas estruturais ainda persistentes, especialmente na área de saneamento.

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