O Corpo de Bombeiros Militar do Paraná (CBMPR) mantém, nesta sexta-feira (24), uma força-tarefa intensiva para controlar e extinguir focos de incêndio em vegetação no Morro do Boi, localizado em Matinhos, no Litoral paranaense. A operação teve início na manhã de quinta-feira (23), após o registro de chamas em áreas de difícil acesso geográfico, exigindo a mobilização de recursos terrestres e aéreos. De acordo com informações da Agência Paraná, os combatentes atuam no resfriamento de pontos estratégicos para evitar que o fogo se alastre pela encosta.
A primeira chamada para a ocorrência foi recebida pelas autoridades por volta das nove horas da manhã de quinta-feira. Imediatamente, guarnições foram deslocadas para o local, iniciando o combate direto nas áreas onde o terreno permitia a aproximação segura. No entanto, a inclinação acentuada do Morro do Boi e a densidade da vegetação local impediram que as equipes de solo atingissem os focos situados em regiões mais elevadas. Diante desse cenário, o comando da operação solicitou apoio aéreo para garantir a eficácia da contenção do desastre ambiental.
Quais são os principais desafios no combate ao fogo no Morro do Boi?
O principal obstáculo enfrentado pelos militares é a topografia acidentada do local. O Morro do Boi possui encostas íngremes que dificultam o transporte de equipamentos pesados e a movimentação dos bombeiros com a segurança necessária. Além disso, a vegetação característica da região favorece a chamada queima em profundidade. Nesse fenômeno, as chamas não ficam restritas apenas à superfície, mas penetram no solo e nas camadas de matéria orgânica acumulada, o que mantém o calor latente e possibilita a retomada do incêndio mesmo após o fogo visível ser inicialmente controlado.
A capitã Luisiana Guimarães Cavalca explicou que essa modalidade de incêndio apresenta uma complexidade operacional muito superior aos incêndios em campos abertos. Segundo a oficial, o trabalho exige persistência no resfriamento constante das camadas de solo para garantir a extinção total de qualquer ponto de ignição. Sem essa intervenção técnica minuciosa, novos focos podem surgir em pouco tempo, especialmente sob condições climáticas de vento constante ou baixa umidade relativa do ar, comuns em áreas litorâneas.
Como funciona o apoio aéreo nas operações de combate a incêndio?
Para mitigar os riscos humanos e atingir as áreas geograficamente inacessíveis, foram empregadas duas aeronaves distintas durante o pico da ocorrência. O helicóptero do Grupo de Resgate Aéreo (GRAER) do CBMPR utilizou o helibalde — um equipamento especializado acoplado à aeronave que permite a captação e o lançamento preciso de grandes volumes de água sobre os focos de calor detectados. Em conjunto, um avião da Defesa Civil atuou no despejo de água em áreas mais amplas, reforçando o cerco estratégico contra o avanço das chamas pela mata.
As aeronaves operaram de forma ininterrupta até o chamado pôr do sol aeronáutico, que define o horário limite de segurança para voos dessa natureza técnica. Após esse período, as equipes de solo mantiveram a vigilância e o monitoramento rigoroso da área durante toda a noite. Na manhã desta sexta-feira, os trabalhos foram retomados com uma nova reavaliação aérea para identificar possíveis pontos de fumaça remanescentes que pudessem indicar a permanência do fogo em camadas subterrâneas da vegetação.
Quais aeronaves foram mobilizadas para a operação em Matinhos?
- Helicóptero do Grupo de Resgate Aéreo (GRAER) equipado com dispositivo helibalde;
- Avião da Defesa Civil especializado em ações de combate a incêndios florestais;
- Veículos de apoio logístico terrestre para transporte de guarnições e suprimentos.
Até o fechamento dos últimos relatórios, não foram registradas vítimas ou danos a estruturas residenciais localizadas nas proximidades do morro. O Corpo de Bombeiros concentra agora os esforços na finalização do resfriamento de dois focos remanescentes identificados pela equipe técnica. A operação demonstra a importância da integração tecnológica entre diferentes unidades de segurança pública para a preservação do patrimônio ambiental do Paraná.
Trata-se de uma queima em profundidade, em área de difícil acesso, o que demanda um trabalho contínuo de resfriamento com apoio das aeronaves para atingir pontos específicos.
A corporação orienta que a população e turistas evitem realizar trilhas na região do Morro do Boi enquanto os trabalhos de rescaldo estiverem em andamento. Essa medida é fundamental para não comprometer a logística da operação e evitar acidentes em áreas que ainda podem apresentar instabilidade no solo devido à ação do fogo e da água utilizada no combate.