A Blue Origin conseguiu reutilizar pela primeira vez o primeiro estágio do foguete New Glenn e pousá-lo com sucesso em um navio de recuperação, mas a missão comercial não conseguiu colocar em órbita o satélite de comunicações da AST SpaceMobile. O voo ocorreu na segunda-feira, 20 de abril de 2026, e, embora a separação inicial do foguete tenha transcorrido sem problemas, a carga útil acabou inserida em uma órbita abaixo do necessário para sustentar operações, segundo os envolvidos.
De acordo com informações do Engadget, o propulsor GS1 se separou do New Glenn cerca de três minutos após o lançamento e pousou suavemente aproximadamente dez minutos depois, após duas queimas de frenagem. O equipamento reutilizado havia sido recuperado no lançamento anterior do New Glenn, realizado em novembro do ano passado.
O que deu certo na missão do New Glenn?
O principal êxito da operação foi a reutilização do primeiro estágio. A Blue Origin informou que essa foi a primeira vez que reaproveitou o booster do New Glenn com sucesso, um marco técnico relevante para a empresa. O pouso ocorreu em meio a fumaça e fogo controlado sobre a embarcação de recuperação, encerrando a etapa inicial da missão como planejado.
Segundo o texto original, esta foi a segunda viagem do booster chamado Never Tell Me the Odds. O resultado reforça o avanço da empresa na tentativa de consolidar um sistema de lançamentos com componentes reaproveitáveis, embora o sucesso parcial tenha sido ofuscado pelo problema com a carga útil.
Por que o satélite não permaneceu em órbita?
Horas depois do lançamento, a Blue Origin e a fabricante do satélite, a AST SpaceMobile, informaram que a carga útil não alcançou a órbita prevista. Em publicação na rede X, a empresa declarou:
We have confirmed payload separation. AST SpaceMobile has confirmed the satellite has powered on. The payload was placed into an off-nominal orbit. We are currently assessing and will update when we have more detailed information.
Mais tarde, em comunicado, a AST SpaceMobile afirmou que o satélite se separou do veículo lançador e foi ativado, mas a altitude era baixa demais para sustentar operações com sua tecnologia de propulsão a bordo. Por isso, o equipamento deverá ser retirado de órbita. A empresa também informou que o custo do satélite deverá ser recuperado por sua apólice de seguro.
Qual era o plano original para a carga útil?
O estágio superior do foguete deveria posicionar o satélite em uma órbita de 285 milhas após duas queimas. Depois disso, o equipamento abriria uma antena de 2.400 pés quadrados e se conectaria a outros seis satélites em um teste da rede de internet direta para celulares em alta velocidade da AST SpaceMobile.
Os primeiros dados de telemetria, porém, indicaram que o satélite atingiu apenas 95 milhas de altitude, bem abaixo do patamar considerado sustentável para a operação. Até o momento, não estava claro como a falha ocorreu no estágio superior.
Quais são os próximos impactos para a Blue Origin?
Apesar do revés, a Blue Origin ainda pode destacar o reaproveitamento bem-sucedido do primeiro estágio logo na terceira missão do New Glenn, identificada como NG-3. O texto do Engadget observa que, em comparação, a SpaceX precisou de 32 voos antes de realizar o primeiro novo voo bem-sucedido de um booster orbital já utilizado.
Ao mesmo tempo, o problema no estágio superior aumenta a pressão sobre os próximos lançamentos da empresa. A próxima missão do New Glenn deverá ser o primeiro lançamento dos satélites de banda larga Amazon Leo, anteriormente chamados de Project Kuiper. O plano citado no texto é colocar 48 satélites em órbita para ampliar a constelação concorrente da Starlink, que atualmente soma 241 satélites.
- O primeiro estágio do New Glenn foi reutilizado e recuperado com sucesso.
- O satélite da AST SpaceMobile foi separado e ligado.
- A carga útil entrou em órbita fora do padrão esperado.
- A altitude alcançada foi insuficiente para manter operações.
- A causa da falha no estágio superior ainda não havia sido esclarecida.
Assim, a missão terminou com um resultado misto: avanço no reaproveitamento do foguete e fracasso no objetivo comercial de posicionar a carga útil na órbita planejada.