As Big Techs passaram a ser tratadas como uma nova forma de conglomerado de mídia em debate promovido no Festival Internacional de Jornalismo de Perugia, na Itália, em 20 de abril de 2026. A avaliação foi apresentada em um evento organizado pela Agência Pública em parceria com o Centro Latino-americano de Periodismo de Investigación (Clip), o Lighthouse Reports e o Democracy for Sale, com foco em como jornalistas podem cobrir essas empresas e enfrentar a captura corporativa do debate público. De acordo com informações da Agência Pública, a discussão reuniu mais de 100 jornalistas ao longo do dia.
Segundo o relato, o encontro contou com participações de nomes do jornalismo investigativo e da pesquisa sobre plataformas digitais, como Julia Angwin, fundadora do The Markup; Maria Teresa Ronderos, fundadora e diretora do Clip; Julie Posetti, diretora de pesquisa do International Center for Journalists; Daniel Howden, diretor do Lighthouse Reports; e Frederik Obermaier, jornalista associado ao vazamento dos Panama Papers. O evento adotou as chamadas “Chatham Rules”, sem gravações nem filmagens, o que, de acordo com o texto, favoreceu uma discussão mais direta e atenta entre os participantes.
Por que as Big Techs foram comparadas a conglomerados de mídia?
O artigo afirma que essa interpretação ajuda a entender o poder político e informacional das plataformas digitais. A leitura apresentada no debate é que, assim como grupos tradicionais de mídia tiveram papel central na mediação da opinião pública, as plataformas agora influenciam de forma decisiva a circulação de conteúdos, o alcance de mensagens e a definição do que ganha visibilidade.
O texto também menciona outros modelos usados para explicar o peso dessas empresas. Um deles compara as plataformas a indústrias extrativistas, por extraírem conteúdos e dados dos usuários. Outro as aproxima de empresas mercantilistas de séculos passados, especialmente no contexto da relação entre companhias de tecnologia e o governo de Donald Trump nos Estados Unidos. Ainda assim, a conclusão destacada pela autora é a de que enxergá-las como novos conglomerados de mídia ajuda a compreender por que essas empresas se colocariam a serviço de governos autoritários.
Como o controle das plataformas se relaciona com regimes autoritários?
De acordo com o texto, o controle do fluxo de informações sempre foi um elemento central para a consolidação de ditaduras e autocracias. O argumento resgata exemplos históricos de controle da imprensa e da radiodifusão e sustenta que, na era digital, esse processo passou a envolver os algoritmos que definem quem fala, quem é ouvido e quais narrativas ganham alcance.
Nessa perspectiva, o domínio sobre redes sociais e plataformas digitais teria se tornado estratégico para a naturalização de discursos e comportamentos antidemocráticos. O artigo cita Donald Trump e Elon Musk ao tratar desse cenário e afirma que o poder de interferência sobre a opinião pública hoje passa pela arquitetura algorítmica das plataformas, e não apenas pelos meios tradicionais de comunicação.
- As plataformas influenciam a circulação de informação em larga escala.
- Os algoritmos afetam alcance, visibilidade e formação de narrativa.
- O controle informacional é apontado como peça relevante em projetos autoritários.
- Jornalistas e investigações independentes são apresentados como alvo de tensão nesse ambiente.
Qual foi a conclusão do encontro para o jornalismo investigativo?
O texto sustenta que jornalistas passam a ocupar posição de confronto diante dessa nova ordem informacional e política, justamente por investigarem estruturas de poder ligadas às plataformas. A autora afirma que encontros como o realizado em Perugia e iniciativas transnacionais de apuração são vistos como necessários para ampliar a cobertura sobre tecnologia, influência política e captura corporativa.
Ao final, o artigo reforça a avaliação de que há mais trabalho pela frente para o jornalismo investigativo na cobertura das empresas de tecnologia. A discussão apresentada em Perugia, segundo a Pública, parte da ideia de que compreender as Big Techs apenas como companhias de inovação é insuficiente para medir seu impacto sobre a democracia, a circulação de informação e o debate público.