As forças de segurança do Pará apreenderam, no último sábado, 25 de abril de 2026, mais de 80 quilos de entorpecentes análogos ao skank, popularmente conhecido como supermaconha, além de aproximadamente um quilo de substância semelhante à cocaína. A interceptação ocorreu durante uma fiscalização de rotina na Base Integrada Fluvial Antônio Lemos, localizada em Breves, no Arquipélago do Marajó. O material ilícito foi encontrado em uma embarcação que partiu de Manaus, no Amazonas, e tinha como destino final a cidade de Belém.
De acordo com informações da Agência Pará, os entorpecentes estavam distribuídos em diversas caixas. Para tentar evitar a detecção pelas autoridades, parte da droga foi ocultada no interior de tubos de alumínio revestidos com borrachas. A ocorrência mobilizou agentes do Grupamento Fluvial de Segurança Pública (GFlu), das polícias Militar e Civil, além do Corpo de Bombeiros Militar, sob a coordenação da Secretaria de Estado de Segurança Pública e Defesa Social (Segup).
Como a droga foi descoberta pelas autoridades?
A localização exata dos entorpecentes foi possível graças ao emprego de técnicas de faro com o apoio do cão farejador Jay-Z. O animal indicou a presença de substâncias proibidas em compartimentos específicos da embarcação. Devido à forma como o material foi escondido, os policiais precisaram utilizar equipamentos especializados para realizar a abertura dos tubos de alumínio e confirmar a natureza da carga. Após a identificação, todo o material foi levado para a autoridade policial de plantão na própria unidade fluvial.
O titular da Segup, Ed-Lin Anselmo, ressaltou que o monitoramento intensivo na malha fluvial do estado é uma medida contínua para coibir o transporte de produtos ilícitos entre os estados da Região Norte. Segundo o secretário, o investimento em tecnologia e no efetivo especializado é o que permite a interceptação de cargas em rotas complexas como as do Marajó, garantindo que o material não chegue aos centros urbanos para comercialização.
Como funciona a estrutura de segurança nas bases fluviais?
O sistema de policiamento fluvial do Pará é composto por três unidades estratégicas que operam de forma integrada para controlar o fluxo de mercadorias e passageiros nos rios. Além da Base Antônio Lemos, entregue em 2022 em Breves, o estado conta com a Base Candiru, em Óbidos (em operação desde 2024), e a Base Baixo Tocantins, inaugurada em março de 2026 em Abaetetuba. Essas estruturas servem como pontos fixos de controle e apoio para operações em áreas remotas.
As bases permitem que agentes de diferentes corporações trabalhem em conjunto, facilitando a troca de informações de inteligência e o patrulhamento preventivo. A malha hidrográfica paraense é considerada uma das principais vias utilizadas por organizações criminosas para o tráfico interestadual, o que justifica a presença permanente de equipes de segurança em pontos de estrangulamento geográfico nos rios amazônicos.
Quais são os resultados acumulados destas operações?
Desde a implementação da primeira base integrada até meados de abril de 2026, as ações de fiscalização resultaram em números expressivos no combate à criminalidade na região. O balanço oficial aponta que o trabalho conjunto das forças estaduais já retirou de circulação toneladas de entorpecentes e combateu crimes ambientais e de posse ilegal de armas. Entre os principais índices registrados no período, destacam-se:
- Apreensão de mais de 6,7 toneladas de drogas diversas;
- Retirada de 78 armas de fogo de circulação nas rotas fluviais;
- Apreensão de 42.492 quilos de pescado em situação irregular;
- Resgate de 147 animais silvestres vítimas de tráfico;
- Realização de seis operações integradas de grande porte;
- Prisão de nove suspeitos envolvidos em atividades ilícitas nos rios.
A fiscalização nas águas do Pará permanece ativa, com a presunção de que novas vistorias em embarcações de carga e passageiros sejam realizadas ao longo de toda a semana. O material apreendido nesta última operação em Breves será submetido a perícia técnica e servirá como base para investigações que buscam identificar os responsáveis pelo envio e os receptores da carga em Belém.