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Autismo no Brasil: mulheres assumem papel principal no cuidado de pacientes

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a woman and a child sitting on a couch Foto: Helena Lopes via Unsplash — Unsplash License (livre para uso)

A responsabilidade diária pelo suporte a pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) no cenário nacional recai, em sua esmagadora maioria, sobre o público feminino. É o que revela o inédito Mapa do Autismo no Brasil, divulgado nesta quinta-feira (2), data em que se celebra o Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo. O levantamento abrangente ouviu milhares de famílias em todos os estados do país para traçar um panorama sobre o diagnóstico, os custos de tratamento e o perfil de quem dedica a vida ao acompanhamento contínuo dos pacientes.

De acordo com informações da Agência Brasil, a pesquisa foi conduzida pelo Instituto Autismos, uma organização não governamental focada na temática. O estudo coletou respostas de mais de 23 mil participantes, evidenciando o impacto social e financeiro que a condição gera no núcleo familiar, especialmente para as mães, que frequentemente abandonam o mercado de trabalho para assumir a função de cuidadoras em tempo integral.

Como a maternidade é impactada pelo diagnóstico de autismo?

A realidade estatística reflete histórias como a da advogada Anaiara Ribeiro, que precisou abrir mão do emprego formal e atuar como autônoma para garantir o acompanhamento adequado do filho, João, diagnosticado com nível leve a moderado de autismo. A necessidade de conciliar terapias, consultas com especialistas e a rotina escolar exigiu que ela trabalhasse durante noites, finais de semana e feriados.

“Nada faria sentido se não fosse para ver a felicidade dele, e o seu crescimento, ver onde ele já chegou hoje”, relatou a mãe, que recentemente acompanhou o ingresso do filho na universidade.

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O levantamento confirma que grande parte das mulheres responsáveis por parentes no espectro não possui vínculo empregatício formal, reforçando a carga desproporcional que a estrutura de cuidado impõe ao gênero feminino, frequentemente agravada por divórcios e abandono paterno.

Quais são os principais dados revelados pelo mapeamento nacional?

Os números consolidados do estudo mostram um retrato detalhado da comunidade afetada pelo transtorno no território brasileiro. Entre os participantes da pesquisa, destacam-se os seguintes perfis:

  • 18.175 respondentes são pessoas diretamente responsáveis pelo cuidado de um autista;
  • 2.221 participantes são, simultaneamente, cuidadores e diagnosticados com a condição;
  • 4.604 respostas vieram de indivíduos autistas com idade superior a 18 anos.

Outro ponto crucial levantado pelo documento refere-se ao impacto financeiro das terapias de estímulo e suporte multidisciplinar. O custo mensal para as famílias costuma ultrapassar a marca de R$ 1 mil. Para arcar com essas despesas, a maioria dos núcleos familiares recorre a planos de saúde privados, enquanto moradores das regiões Norte e Nordeste apresentam maior dependência da infraestrutura fornecida pelo sistema público, por meio do Sistema Único de Saúde (SUS).

A que idade ocorre o diagnóstico no cenário atual?

Um avanço significativo apontado pela pesquisa é a redução na idade média em que a condição é identificada pelas juntas médicas. Atualmente, a identificação do transtorno no país ocorre, em média, aos quatro anos de idade. Esse patamar aproxima a realidade nacional das diretrizes e padrões internacionais de saúde.

“A média da idade do diagnóstico tem sido igual ao dos padrões internacionais: em torno dos 4 anos de idade”, explicou Ana Carolina Steinkopf, presidente da entidade responsável pela pesquisa.

A identificação precoce é considerada um fator determinante, pois quanto mais cedo o acompanhamento terapêutico é iniciado, mais eficientes são as estratégias de estímulo cognitivo, social e motor, além de facilitar o acesso a direitos garantidos por lei, como o Benefício de Prestação Continuada (BPC), pago pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

O que o poder público fará para melhorar a assistência aos autistas?

Diante da estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de que existam cerca de 2,4 milhões de pessoas no espectro em solo nacional, o Ministério da Saúde anunciou medidas para ampliar o atendimento. A pasta confirmou um aporte financeiro de R$ 83 milhões destinado à criação e manutenção de serviços de assistência.

O plano governamental inclui a habilitação de 59 novos pontos de atendimento. Essa expansão estrutural contemplará Centros Especializados em Reabilitação (CER), oficinas ortopédicas e frotas de transporte adaptado. O objetivo do governo federal é estruturar uma rede assistencial capaz de atuar desde a detecção precoce nas unidades básicas de saúde até o fornecimento de tratamentos complexos com equipes multidisciplinares, garantindo uma resposta institucional mais robusta aos dados apresentados pelo novo mapeamento.

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